Lucro mais que triplica no 4º tri e CSN coloca meta ousada para endividamento
Valorização do minério de ferro faz lucro superar projeções e empresa passa a estimar alavancagem financeira 1,0 vez em 2021

O quarto trimestre da Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) vai ficar para a história da empresa. Além da oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) bem sucedida da divisão de mineração, ela viu seu lucro líquido mais que triplicar em relação ao mesmo período de 2019.
Graças principalmente aos elevados preços do minério de ferro no mercado internacional, a companhia de Benjamin Steinbruch fechou os últimos três meses do ano passado com um lucro líquido de R$ 3,9 bilhões, muito acima dos R$ 1,1 bilhão apurados no quarto trimestre de 2019.
O desempenho superou, e muito, a média das projeções dos analistas ouvidos pela "Bloomberg" (R$ 1,4 bilhão) e foi o responsável para que a CSN fechasse 2020 com um lucro líquido de R$ 4,3 bilhões, alta de 91,2%.
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O resultado animou a CSN a rever a projeção para o endividamento em 2021. Com recursos em caixa graças ao IPO da divisão de mineração e diante do bom momento esperado para o mercado de minério de ferro, a empresa projeta atingir um índice de alavancagem financeira ajustada – a relação entre a dívida líquida e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado – de aproximadamente 1,0 vez e R$ 15 bilhões de dívida líquida ao final de 2021.
A meta é ousada. A CSN encerrou 2020 com uma alavancagem financeira ajustada de 2,23 vezes, o menor patamar desde dezembro de 2011, e uma dívida líquida consolidada de R$ 25,6 bilhões.
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A CSN deve o desempenho no quarto trimestre à divisão de minério de ferro. Depois de anos de idas e vidas, a empresa finalmente realizou o IPO do segmento e embolsou R$ 2,8 bilhões, valor que vai ajudar a empresa a cumprir com sua meta de endividamento.
Além disso, a CSN Mineração contribuiu muito com o desempenho consolidado da CSN. Com os preços do minério de ferro em patamares elevados, a divisão registrou uma receita de R$ 4,5 bilhões, alta de 78% em relação ao quarto trimestre de 2019, com o Ebitda ajustado alcançando R$ 3,2 bilhões, um recorde trimestral.
“No quarto trimestre de 2020, os estímulos na China desde o início da pandemia proporcionaram forte recuperação de margens da siderurgia e aceleraram a demanda por minério de ferro, proporcionando elevação dos preços de referência, em um contexto de oferta limitada no mercado transoceânico. Os estoques de minério nos portos e usinas permaneceram em níveis baixos e garantiram preços altos de realização”, diz trecho do balanço.
Este cenário fez com que a receita líquida consolidada da CSN somasse R$ 9,8 bilhões, alta de 50,1%, e o Ebitda ajustado alcançasse R$ 4,7 bilhões, o triplo do visto no quarto trimestre de 2019.
O segmento de siderurgia, um dos mais tradicionais da CSN, também fez bonito nos últimos três meses de 2020. A receita do segmento subiu 51% ante o quarto trimestre de 2019, para R$ 5 bilhões, e o Ebitda ajustado cresceu sete vezes, para R$ 1,2 bilhão.
Segundo a CSN, a recuperação doméstica, o câmbio desvalorizado e o aumento nos preços de matéria prima proporcionaram forte implementação de reajustes nas principais linhas de produtos ao longo do segundo semestre, além dos efeitos da alta do preço médio do minério de ferro no quarto trimestre.
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