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Apesar de pandemia, empresa registra crescimento de vendas, mas desvalorização do real acaba pesando na marcação da dívida
A Klabin (KLBN11) fechou o quarto trimestre com um desempenho operacional positivo, com crescimento de vendas e se beneficiando da melhora na cotação da celulose e a desvalorização do real, fazendo o lucro líquido mais que dobrar
Mas o resultado no acumulado de 2020 foi negativo, prejudicado justamente pela cotação do dólar.
A maior produtora de embalagens do país registrou um lucro líquido de R$ 1,3 bilhão nos últimos três meses de 2020, acima dos R$ 631 milhões registrados no mesmo período de 2019. O desempenho veio em linha com o que esperava a maioria dos analistas, de acordo com estimativas levantadas pela agência de notícias “Bloomberg”.
Segundo a companhia, todas as linhas de negócios registraram crescimento no fim de 2020, resultando em um aumento de 22% da receita líquida, para R$ 3,3 bilhões. Excluindo o efeito da incorporação da International Paper, cujos ativos foram incorporados no trimestre, a receita cresceu 12%.
“Além do aumento no volume de vendas totais e o impacto positivo da desvalorização do real no período, ocorreram novos aumentos de preços em celulose, papéis e embalagens, em decorrência da forte demanda tanto no mercado local quanto no externo”, diz trecho do balanço da Klabin.
Este cenário, combinado com uma “disciplina de custos”, foi a justificativa dada pela companhia para o crescimento de 36% do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado no quarto trimestre, a R$ 1,3 bilhão, com a margem alcançando 40%, acima dos 36% de 2019.
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Excluindo itens não recorrentes, o Ebitda ajustado avançou 15%, para R$ 1,1 bilhão, mas a margem recuou de 36% para 34%.
O dólar teve efeitos positivos no desempenho operacional do quarto trimestre da Klabin, mas ele foi o responsável pelo prejuízo de R$ 2,4 bilhões no acumulado de 2020. Em 2019, ela teve um lucro de R$ 715 milhões.
Segundo a empresa, a alta de 29% do dólar em relação ao registrado no final de 2019 teve um efeito negativo de R$ 3,6 bilhões na linha de variação cambial líquida e no valor de marcação a mercado de swap de taxas de juros em R$ 2 bilhões, gerando um efeito negativo total de R$ 5,6 bilhões no resultado anual.
O prejuízo acabou ofuscando o bom desempenho operacional da Klabin em 2020. A empresa registrou uma receita líquida de R$ 12 bilhões no ano passado, alta de 16%, e o Ebitda ajustado cresceu 14%, para R$ 5 bilhões.
A Klabin encerrou 2020 com um endividamento líquido de R$ 19,8 bilhões, redução de 6%, fazendo a alavancagem financeira – medida pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda – recuar de 4,6 vezes para 4,0 vezes. Em dólar, a alavancagem permaneceu estável, em 4,0 vezes.
O fluxo de caixa livre ajustado, que desconsidera fatores discricionários e projetos de expansão, foi de R$ 1,1 bilhão no quarto trimestre, acima dos R$ 679 milhões do mesmo período de 2019. Segundo a Klabin, além do desempenho operacional, a geração de caixa do período também foi beneficiada pela variação positiva do capital de giro da Companhia de R$ 926 milhões.
Em 2020, o fluxo de caixa livre ajustado somou R$ 4,4 bilhões, acima dos R$ 1,4 bilhão de 2019.
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O balanço da companhia foi aprovado sem ressalvas pela auditoria da KPMG; no entanto, houve o registro de uma “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional da companhia”.
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