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Pressionada pela pandemia e pela queda na receita líquida, a IMC tem pressa para se desfazer as redes Batata Inglesa e Olive Garden
O grupo IMC está prestes a dar início à venda das redes Olive Garden e Batata Inglesa, segundo apuração do Seu Dinheiro. Com esse movimento, a empresa finalmente começará o aguardado processo de enxugamento de seu portfólio.
Uma fonte revelou que as conversas envolvendo a Batata Inglesa estão mais avançadas — as propostas devem ser formalizadas nos próximos meses, com expectativa de fechamento da operação ainda em 2021. A rede possui 15 unidades, todas em shoppings do Rio de Janeiro.
Quanto ao Olive Garden, a IMC possui exclusividade para o licenciamento da marca no Brasil. Segundo rumores, a companhia deve se desfazer do ativo.
"Essas duas marcas, eles estão com pressa de fazer [a venda]", disse a fonte, sob condição de anonimato — ele ainda destaca que a empresa tentou negociar a rede Viena nos últimos meses, mas não teve sucesso.
A IMC tem um portfólio com 15 marcas, com destaque para Pizza Hut, KFC e Frango Assado. Além do Brasil, a companhia também atua nos mercados dos EUA, Colômbia e Caribe.
A pandemia trouxe enorme pressão às operações da IMC. O primeiro e mais óbvio foi: a maior parte de seus restaurantes está em shoppings, aeroportos ou rodovias — e, em meio às restrições impostas pela Covid-19 desde o ano passado, o fluxo de clientes caiu drasticamente.
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Como consequência, a IMC viu sua receita líquida cair 28% em 2020; o Ebitda no ano passado ficou negativo em R$ 378 milhões e o prejuízo líquido saltou para R$ 474 milhões. As vendas mesmas lojas despencaram quase 33%.
E as coisas não melhoraram muito depois da virada do ano: com a segunda onda da Covid-19 e o endurecimento das medidas de restrição no pós-Carnaval, a IMC fechou o primeiro trimestre com queda de 12% na receita e prejuízo de R$ 55 milhões.
Na bolsa, as ações ON (MEAL3) são negociadas na faixa de R$ 3,80, muito abaixo das máximas históricas: em 2017, valiam mais de R$ 10,00. Em termos de valor de mercado, a IMC é avaliada em R$ 1,13 bilhão.
Vale lembrar, ainda, que a empresa está numa disputa jurídica com a holding global do KFC, que alega descumprimento nas cláusulas contratuais de abertura de lojas para quebrar o acordo de master franquia. Mas, por ora, tudo segue normal.
Com as dificuldades operacionais no horizonte, a IMC tenta uma mudança de estratégia. A prioridade será o segmento de alimentação em rodovias, com o fortalecimento da rede Frango Assado. As marcas KFC e Pizza Hut também aparecem entre os ativos que serão preservados.
A tendência é que os ativos que não possuem sinergia com esse plano sejam vendidos. É o caso da Batata Inglesa, rede de restaurantes que serve batatas recheadas, e da Olive Garden, especializada em culinária italiana; a rede Viena está na mesma posição, apesar da dificuldade para encontrar um comprador.
O enxugamento do portfólio é essencial para a IMC, que precisa fortalecer seu caixa com certa urgência. A empresa fechou o mês de março com R$ 192 milhões de dívida líquida; no entanto, com o Ebitda pressionado desde o ano passado, os índices de alavancagem dispararam.
Em maio de 2020, a companhia precisou sentar à mesa com os debenturistas para renegociar o vencimento de quase R$ 400 milhões em dívidas. O processo foi bem sucedido, mas, é claro, envolveu um aumento nos custos desses compromissos.
Por mais que os planos para a venda das operações menores não seja novo, a troca na gestão da IMC parece ter aumentado a urgência para o turnaround.
Em março deste ano, a companhia trouxe Alexandre Santoro para o cargo de CEO — o executivo foi presidente global da Popeyes, rede que rivaliza com o KFC nos Estados Unidos.
A contratação foi bem recebida pelo mercado: os papéis do IMC, que eram negociados abaixo de R$ 3,00 e estavam perto das mínimas históricas, recuperaram parte do fôlego desde então.
Em fato relevante divulgado hoje (3), a companhia disse que os requisitos para a transação não foram cumpridos, em especial a assinatura do compromisso de voto entre a GPT e a gestora Trígono Capital, que tem 15,3% do capital da empresa.
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