Custo e despesas pesam e fazem lucro da Hapvida cair 55,2% no 4º trimestre
Situação, em parte provocada pela covid-19, ofuscou bom desempenho da receita beneficiada por aumento de beneficiários e ticket médio

A Hapvida (HAPV3) fechou o quarto trimestre de 2020 com um desempenho que pode ser considerado misto.
Por um lado, o aumento no número de beneficiários e do ticket médio dos planos resultou no aumento 27,3% da receita em relação ao mesmo período de 2019. Por outro lado, registrou um forte aumento dos custos por conta da covid-19, além de um avanço das despesas operacionais.
Olhando para a última linha do balanço, o que acabou pesando foi justamente a pressão exercida pelos custos, levando o lucro líquido da operadora de saúde verticalizada a recuar 55,2%, para R$ 94,3 milhões.
No final do ano passado, a Hapvida viu o custo total crescer 37%, para R$ 1,5 bilhão, exercendo uma pressão negativa sobre a margem bruta, que recuou 4,7 pontos percentuais (p.p.) em base anual e 6,1 p.p. na comparação com o terceiro trimestre, para 33,5%.
Segundo a companhia, a situação foi provocada, entre outros fatores, pelo maior número de faturas do SUS emitidas no trimestre, visto que a emissão de faturas foi suspensa durante o segundo e terceiro trimestres. As operadoras de saúde são cobradas quando um beneficiário é tratado em uma unidade do sistema de saúde público.
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Outros fatores que pesaram nos custos foram o retorno gradual do volume de atendimentos e procedimentos eletivos e de urgência, ao mesmo tempo em que ocorreu um aumento gradual de atendimentos e internações referentes à covid-19 em algumas regiões, e o maior patamar de sinistralidade de empresas adquiridas que compõem o número consolidado de 2020, mas não que não estavam presentes em 2019.
As despesas operacionais totais também tiveram uma evolução negativa, crescendo 41,2%, para R$ 587,9 milhões. Tudo isso resultou numa queda de 34,6% no lucro operacional, para R$ 173,2 milhões.
Receita em alta
O crescimento dos custos e das despesas acabou ofuscando o bom desempenho que a Hapvida teve do lado do faturamento. A receita acabou crescendo 27,3% no quarto trimestre, para R$ 2,2 bilhões.
No período, a empresa viu um aumento orgânico de 215 mil vidas na base de beneficiários de saúde e odontologia ocorrido principalmente nas cidades de Fortaleza, Recife e Joinville, levando o número total de clientes de planos de saúde a 3,7 milhões, um aumento de 6,6%, e a quantidade de beneficiários de planos odontológicos a atingir 2,9 milhões, crescimento de 4%.
O ticket médio dos planos médicos cresceu 5,8%, por conta de reajustes de preço implementados nos contratos existentes e das vendas novas realizadas no período.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) cresceu 15,2%, para R$ 432 milhões, mas a margem recuou na base anual, de 21% para 19%. Em relação ao terceiro trimestre, a margem caiu 5,1 p.p.
O fluxo de caixa livre excluindo os efeitos de aquisições foi de R$341,6 milhões, diminuição de 35,6%, impactado negativamente pela variação do capital de giro (sensibilizada negativamente pela maior saldo do contas a receber) em virtude do reconhecimento da receita de reajustes retroativos de 2020 conforme determinação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
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