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Balanço forte do Carrefour no quarto trimestre é prova de que espancamento de cliente negro em loja da marca não afetou a companhia?
ESG é a sigla da moda no mercado financeiro, mas, pelo menos no Brasil, ainda é de se questionar o quanto as boas práticas ambientais (E), sociais (S) e de governança (G) do acrônimo em inglês realmente são levadas em conta pelo mercado, a ponto de podermos nos perguntar se o investidor pessoa física deveria considerá-las também.
Não há dúvidas de que o G importa. O investidor entende, com muita clareza, como pode ser diretamente afetado por questões estritamente de governança. Está aí a interferência do governo na presidência da Petrobras que não me deixa mentir.
Na bolsa brasileira, inclusive no incensado segmento no Novo Mercado - o de mais alto nível de governança -, tivemos outros exemplos recentes de problemas de governança com efeitos imediatos nos preços das ações ao se tornarem públicos, como os do Banco do Brasil (de novo interferência estatal), da Qualicorp e do infame caso do IRB.
O E e o S, porém, parecem só ter importância quando se tornam muito evidentes e acabam gerando multas, indenizações e problemas com a Justiça - vide Vale com Brumadinho e Mariana e Braskem com o afundamento do solo em Alagoas.
A defesa das boas práticas ESG no mercado financeiro não parte de um desejo dos investidores de fazer filantropia. Ela está baseada em evidências de que empresas que as adotam são mais lucrativas no longo prazo, uma vez que não perdem dinheiro com ações judiciais e acabam sendo preferidas por consumidores cada vez mais conscientes.
Mas o caso do Carrefour é um desses em que parece que o ESG passou completamente batido, tanto para os investidores quanto para os consumidores, embora nem tanto para a companhia em si.
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Em novembro de 2020, um homem negro, cliente do Carrefour, foi espancado e morto por seguranças de uma loja da marca em Porto Alegre, num caso que chocou o país, provocando protestos nas redes sociais e em diversas unidades da rede de supermercados.
Além do óbvio absurdo da situação de violência em si, ainda foi levantada a suspeita de que a agressão teria sido motivada por racismo. Como se não bastasse, a empresa ainda era reincidente em casos violentos nas dependências de suas lojas.
O episódio tinha tudo para machucar a imagem do Carrefour a ponto inclusive de afetar as vendas - estamos falando, afinal, de uma empresa cujo cliente é o consumidor final, a pessoa física.
Não obstante, os resultados da companhia referentes ao quarto trimestre vieram fortes: as vendas líquidas do grupo cresceram 24% na comparação anual, tendo havido crescimento inclusive nas lojas de marca Carrefour (+7,1%) e no e-commerce (+0,1% em GMV, sendo +13,9% quando incluído o serviço de entrega rápida).
Além disso, o número de usuários ativos do app “Meu Carrefour” dobrou de outubro para novembro, quando sua nova versão foi lançada, e cerca de 75% dessas pessoas são clientes recorrentes das lojas físicas.
A empresa acabou registrando lucro de R$ 935 milhões (R$ 886 milhões, excluindo efeitos não recorrentes), alta de 47% ante o quarto trimestre de 2019 (31,1%, excluindo efeitos não recorrentes).
No dia seguinte à divulgação de resultados, diversos analistas soltaram relatórios elogiosos aos números, que vieram acima das expectativas, e passaram batido pelo incidente trágico do ano passado e das questões ESG.
Uma das poucas casas destoantes foi a XP Investimentos, que apesar de ter elogiado as medidas adotadas pelo Carrefour, manteve a recomendação neutra para as ações, uma vez que "ainda há muito mais a ser feito para melhorar as métricas e esforços da companhia” em relação ao ESG, segundo relatório.
Outras instituições financeiras, porém, como o Goldman Sachs e o Credit Suisse, mantiveram suas recomendações de compra para as ações da companhia (CRFB3), que naquele dia fecharam em alta de 2,33%, segunda maior alta do Ibovespa, que por sua vez recuou quase 1%.
À primeira vista, os números do Carrefour e as reações de analistas e investidores parecem sugerir que, afinal, a companhia passou incólume por um problema de ordem “social”. Os consumidores parecem não ter se importado - então por que os investidores deveriam se importar?
A aparente falta de reação por parte dos investidores não é de agora. No dia seguinte à morte de João Alberto de Freitas na loja de Porto Alegre, as ações do Carrefour na bolsa tiveram leve alta. O mercado ignorou o episódio. As ações só vieram a cair depois dos protestos - e ainda assim, uma baixa bastante limitada.
A própria companhia demorou a tomar providências, o que, à época, foi bastante criticado. Mas não dá para negar que, de fato, tomou certas iniciativas após o episódio.
De acordo com seu release de resultados do quarto trimestre, a companhia deixou de usar seguranças terceirizados, internalizando essa mão de obra e contratando aproximadamente 40% de mulheres e 60% de pessoas negras. Passou a adotar uma abordagem sistemática não violenta, além de realizar novas campanhas internas de treinamento.
Também adotou um percentual mínimo de 50% de pessoas negras em novas contratações, com investimentos em desenvolvimento de carreira desses colaboradores; passou a estimular o empreendedorismo negro e realizar investimento social privado em educação e empregabilidade, além de constituir um Comitê Independente de Diversidade.
Em termos de valores, informou a constituição de um fundo dedicado ao combate ao racismo com aporte inicial de R$ 40 milhões.
Então, logo de cara, dá para ver que o episódio mexeu com a empresa, pelo menos um pouco, em termos financeiros.
Mas e o consumidor? Realmente não ligou? Para Fabio Alperowitch, sócio da Fama Investimentos, gestora pioneira na utilização de princípios ESG, não é possível concluir isso apenas olhando para os números trimestrais da companhia.
“A gente está comparando um ano com pandemia, em que houve um monte de mudanças de hábitos de consumo, com um ano sem pandemia. A forma mais justa de analisar seria comparar o desempenho das lojas físicas do Carrefour com as de seus pares, quando esses números estiverem disponíveis”, alerta.
Alperowitch ressalva, ainda, que tal análise não seria simples, uma vez que o Carrefour também deliberadamente cancelou a Black Friday, o que afetou as vendas. “Aí teria que fazer ajustes”, diz.
Seja como for, o caso do Carrefour levanta a questão sobre se o consumidor brasileiro, afinal, se importa com os aspectos sociais ou ambientais na hora de consumir. E, se o consumidor não liga, será que o investidor deveria ligar?
Se por um lado não é possível concluir que os resultados do Carrefour passaram totalmente incólumes - afinal, as vendas podem ter crescido abaixo do seu verdadeiro potencial, por causa do dano de imagem - por outro lado, se houve dano, ele não foi tão profundo a ponto de realmente machucar os números da empresa.
Segundo Hugo Bethlem, chairman do Instituto Capitalismo Consciente Brasil (ICCB), o consumidor brasileiro no geral realmente ainda não se importa muito com ESG, e por uma questão muito simples: dadas as nossas mazelas sociais, a grande desigualdade e o nível de renda da população, o que mais faz diferença na hora de consumir, para a maioria das pessoas, ainda é preço.
“Trazer essa questão do consumo consciente para a base da pirâmide é muito complicado. E o Brasil é movido pela base da pirâmide. As pessoas ainda escolhem muito mais baseadas nos recursos que elas têm do que conscientemente pelo mais sustentável”, explica.
Fabio Alperowitch tem visão semelhante. Ele ressalva que falar em “consumidor brasileiro” é uma grande generalização, mas que de modo geral, de fato não somos consumidores conscientes.
Mas isso não quer dizer que você, como investidor, deva se descuidar do ESG ao investir em empresas brasileiras. Especialmente se a intenção for investir para o longo prazo, para construir patrimônio, notadamente se a intenção for manter a ação indefinidamente na carteira para receber dividendos.
Primeiro porque, se olharmos para certos estratos da população e para as mudanças que vêm ocorrendo, o consumidor está sim cada vez mais consciente.
Os mais jovens tendem a ser mais conscientes que os mais velhos, e os mais ricos (classes A e B) costumam levar em conta questões sociais e ambientais na hora de consumir mais do que os mais pobres (classes C, D e E). Então, logo de cara, a partir do público-alvo da empresa que você está analisando, já dá para levar esses fatores em conta.
Além disso, alerta Bethlem, empresas que apresentam problemas na parte social - de relação com os colaboradores ou com a comunidade - ou ambiental no fundo têm um problema de governança.
Em outras palavras, as más práticas são sintomas de uma governança falha - e a partir daí, só Deus sabe que outros problemas podem existir na companhia e que simplesmente ainda não vieram a público.
“Os negócios conscientes são aqueles que têm um propósito e cujo lucro é consequência. Nós não somos contra a maximização do retorno ao acionista, mas precisa haver geração de riqueza para todos os stakeholders. A empresa deve ter uma cultura e valores que permitam a sua perpetuidade. O elo mais importante que une tudo isso é um líder consciente. Isso é governança”, explica Bethlem.
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