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Ivan Ryngelblum
Ivan Ryngelblum
Jornalista formado pela PUC-SP, com pós-graduação em Economia Brasileira e Globalização pela Fipe. Trabalhou como repórter no Valor Econômico, IstoÉ Dinheiro e Agência CMA.
BOA NOTÍCIA

Acionistas vão se beneficiar da nova política de dividendos da Copel

Novos parâmetros definidos pela empresa podem resultar em pagamentos significativos no curto prazo, segundo Goldman Sachs

21 de janeiro de 2021
11:23 - atualizado às 17:25
copel
Imagem: Divulgação

A Copel (CPLE6) anunciou na quarta-feira (20) à noite a aprovação de uma nova política para pagamento de dividendos, movimento que pode resultar em “pagamentos significativos” no curto prazo, de acordo com o Goldman Sachs.

O conselho de administração da companhia elétrica estatal definiu que os repasses considerarão limites para a alavancagem financeira, medida pela relação entre a dívida líquida e o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), e a preservação do fluxo de caixa disponível – sendo este o caixa gerado pelas atividades operacionais menos os investimentos realizados.

Considerando o nível de endividamento, a geração de caixa operacional e os investimentos, as propostas de dividendos regulares serão calculadas conforme os seguintes critérios:

  • alavancagem abaixo de 1,5x = 65% do lucro líquido ajustado;
  • alavancagem entre 1,5x e 2,7x = 50% do lucro líquido ajustado e;
  • alavancagem acima de 2,7x = 25% do lucro líquido ajustado

A nova política de dividendos da Copel prevê ainda um aumento na frequência de distribuição de recursos aos acionistas, de uma vez para, no mínimo, dois eventos de pagamentos no ano.

Segundo a companhia, os recentes anúncios de pagamentos de dividendos, mesmo em relação às reservas de lucros, respeitarão os parâmetros estabelecidos pela nova política.

Só alegrias

Para os analistas Pedro Manfredini e Flavia Sounis, do Goldman Sachs, a mudança na política de dividendos é um “bom primeiro passo” da Copel e pode levar a pagamentos significativos no curto prazo, diante da perspectiva de que a empresa receberá um volume significativo de recursos oriundo da solução encontrada para os débitos relacionados ao risco hidrológico (GSF, na sigla em inglês) e os valores da venda da Copel Telecom.

Em setembro, o presidente Jair Bolsonaro sancionou o projeto de lei que coloca fim ao impasse entre o governo e as geradoras de energia elétrica em torno do GSF, fator que calcula a diferença entre a energia efetivamente gerada pelas usinas hidrelétricas e a quantidade mínima de eletricidade que uma hidrelétrica consegue garantir ao sistema. Após calculada a diferença, o valor a ser compensado é dividido entre elas.

Nos últimos anos, o regime irregular de chuvas e a entrada em operação de termelétricas e outros tipos de fontes fizeram com que essa conta gerasse déficits expressivos, com a situação sendo questionada pelas empresas na Justiça.  

O Goldman Sachs não informou no relatório quanto a Copel pode receber de compensação pelo episódio.

No caso da Copel Telecom, a empresa vendeu sua subsidiária de telecomunicações em novembro por R$ 2,4 bilhões para o Bordeaux Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia.

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