Esquenta dos mercados: Bolsas operam sem direção definida antes das reuniões de importantes Bancos Centrais do mundo
No panorama local, a PEC dos precatórios, o relatório trimestral da inflação e o IBC-Br movimentam os próximos dias da bolsa brasileira

A elevação dos juros no Brasil na última quarta-feira (08) foi o pontapé inicial de uma semana que se inicia de olho nas reuniões dos Bancos Centrais pelo mundo afora. Além do Federal Reserve, o Banco da Inglaterra (BoE), o Banco Central Europeu (BCE), o Banco Central do Japão (BoJ) e outros os BCs também realizam encontros ao longo dos próximos dias.
E os protagonistas não poderiam ser diferentes. A inflação mundial segue como grande preocupação e arqui-inimiga dos investidores pelo mundo. Por outro lado, a alta dos juros é uma arma que pode tanto destruir o dragão da alta de preços quanto limitar a retomada da economia.
Enquanto as reuniões não acontecem, o investidor local deve permanecer atento aos desdobramentos da PEC dos precatórios, com votação marcada para esta terça-feira (14) na Câmara.
Ao longo da semana, indicadores como a pesquisa mensal de serviços do IBGE na terça-feira e a divulgação do IBC-Br, considerado uma prévia do PIB, devem movimentar os negócios.
Na última semana, o Ibovespa conseguiu emplacar um avanço de 2,56%, dos quais 1,38% foram só na última sexta-feira (10) e fez o principal índice da B3 fechou aos 107.758 pontos.
Confira outros destaques para esta segunda-feira (13):
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PEC dos Precatórios
A proposta que fatia as dívidas que o governo tem com o judiciário volta ao plano principal dos debates da semana com a votação do texto na Câmara nesta terça-feira (14). A PEC já foi fatiada e dividida entre uma “PEC dos Senado” e uma “PEC da Câmara”, para viabilizar a aprovação do pedaço que libera os recursos necessários para o Auxílio Brasil (antigo Bolsa Família).
Dessa forma, o texto sai diretamente do Senado sem a necessidade de passar novamente pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.
Semana dos Bancos Centrais
Não é de hoje que a inflação é uma pedra no sapato dos investidores pelo mundo, em especial em um momento de retomada da economia. A elevação dos juros encarece o dinheiro em circulação, o que limita os investimentos para reaquecer os negócios. É uma faca de dois gumes.
Depois que o Banco Central brasileiro elevou os juros para 9,25% na última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, é a vez do Federal Reserve entrar em cena nesta semana. Na quarta-feira, o Fomc, o Copom americano, deve divulgar não apenas as perspectivas para os juros, mas recalibrar as expectativas do tapering, a retirada de estímulos da economia dos EUA.
Além da reunião do Federal Reserve, o Banco da Inglaterra (BoE), o Banco Central Europeu (BCE), o Banco Central do Japão (BoJ) e os BCs de Chile, Turquia, México e Rússia também realizam reuniões esta semana.
Inflação transitória?
O mercado como um todo já esperava uma retirada de estímulos mais agressiva, mas os últimos dados de inflação e de emprego (como o payroll) devem fazer a instituição financeira acelerar a retirada de estímulos.
O presidente do BC americano, Jerome Powell, dispensou o discurso de inflação transitória nos EUA e já considera tomar medidas mais duras para conter a alta de preços e os investidores devem acompanhar e ajustar suas carteiras ao novo momento de retirada de estímulos e juros mais elevados.
Ata do Copom e relatório de inflação
Depois da semana com dados de inflação e elevação dos juros brasileiros, esta semana o investidor local permanece atento à ata da última reunião do Copom, divulgada na terça-feira (14). O Banco Central pode afrouxar o tom mais agressivo (hawkish, no jargão do mercado) do comunicado do último encontro do comitê.
Entretanto, o relatório trimestral da inflação, divulgado na quinta-feira (16) deve dizer se essa mudança de tom será positiva ou não.
Vale lembrar que o IPCA já acumulada alta de mais de 10% no ano e o relatório deve trazer um panorama mais detalhado sobre a alta nos preços — o que pode exigir um tom mais duro do BC e mais caro aos investidores.
Atividade econômica
O investidor local ainda deve digerir os dados do IBC-Br, considerado uma prévia do PIB, na próxima quarta-feira (15). O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a falar de recuperação em “V” no programa Canal Livre do último domingo (12), mas os investidores seguem um pouco céticos de que a volta das atividades ocorra dessa maneira.
Esse pessimismo se reflete nas projeções do Boletim Focus semanal, que vem registrando queda na perspectiva para o PIB e eleva a projeção para a inflação. Ainda hoje, deve ser divulgada uma nova edição do relatório.
Bolsas pelo mundo
Os principais índices asiáticos encerraram o pregão desta segunda-feira sem uma única direção. A incerteza envolvendo as decisões dos Bancos Centrais em meio a altos índices inflacionários e retomada na economia influencia o apetite de risco dos investidores.
Na Europa, as principais praças iniciam a semana em alta, antes dos dados de inflação da Zona do Euro e de olho nas decisões de política monetária desta semana.
Por fim, os futuros de Nova York amanheceram em alta, à espera das decisões dos BCs.
Agenda da semana
Segunda-feira (13)
- Banco Central: Boletim Focus semanal (8h)
- Estados Unidos: Relatório mensal da Opep (9h)
- Reino Unido: Banco da Inglaterra (BoE, em inglês) divulga relatório da estabilidade financeira (14h)
Terça-feira (14)
- Banco Central: Ata da última reunião do Copom (8h)
- IBGE: Pesquisa mensal de serviços em outubro (9h)
- Estados Unidos: Índice de preços ao produtor (PPI, em inglês) de novembro (10h30)
- Estados Unidos: Estoques de petróleo (18h30)
- China: Produção industrial em novembro (23h)
Quarta-feira (15)
- FGV: IPG-10 de dezembro (8h)
- Banco Central: índice IBC-Br de atividade econômica em outubro (9h)
- Estados Unidos: Vendas no varejo em novembro (10h30)
- Brasil: Fluxo cambial semanal (14h30)
- Estados Unidos: Decisão de política monetária do Fed (16h)
Quinta-feira (16)
- Banco Central: Relatório trimestral da inflação (8h)
- Estados Unidos: Produção industrial de novembro (11h15)
- Estados Unidos: PMI de serviços, industrial e preliminar do PMI composto de dezembro (11h45)
Sexta-feira (17)
- Brasil: IPC semanal
- Zona do Euro: CPI e núcleo do CPI de novembro (7h)
- FGV: IGP-M e IPC-S capitais (8h)
- Estados Unidos: Secretária do Tesouro, Janet Yellen, preside o Comitê de Estabilidade Financeira (13h)
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