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2021-01-11T16:35:52-03:00
Ivan Ryngelblum
Ivan Ryngelblum
Jornalista formado pela PUC-SP, com pós-graduação em Economia Brasileira e Globalização pela Fipe. Trabalhou como repórter no Valor Econômico, IstoÉ Dinheiro e Agência CMA.
o que esperar

PIB deve subir 4,0% em 2021, enquanto inflação deve acelerar no começo do ano

Credit Suisse divulga projeções econômicas, esperando alta no desemprego e déficit primário de 2,4% ao final do ano

10 de janeiro de 2021
16:50 - atualizado às 16:35
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Imagem: Shutterstock

A economia deve se recuperar em 2021, crescendo 4,0%, apoiada nas baixas taxas de juros praticadas pelo Banco Central (BC), a retomada prevista nos outros países e a melhora do lado da oferta da economia.

A avaliação é da economista-chefe do Credit Suisse, Solange Srour, e do analista Lucas Vilela, divulgada em relatório enviado aos clientes do banco na sexta-feira (8).

Para eles, os principais riscos para a projeção são um impacto maior que o esperado do fim dos estímulos fiscais e uma retomada das medidas de restrição de mobilidade, caso o número de contaminações de covid-19 aumente ou se a vacinação demorar. O Credit Suisse já divulgou projeção que a imunidade coletiva só será alcançada no País no quarto trimestre.

Confira as projeções do banco para os principais índices econômicos do País em 2021:

Inflação

Por conta dos efeitos dos repasses das variações cambiais para os preços, movimento que os economistas chamam de pass-through, e ajustes dos preços de itens controlados durante a pandemia, a inflação deve acelerar no primeiro semestre.

A expectativa do Credit Suisse é que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice oficial de inflação do País, alcance 6,2% em maio, acima da banda alta da meta de inflação, e gradualmente desacelere na segunda metade do ano, fechando 2021 em 4,0%.

Selic

O Comitê de Política Monetária (Copom) deve começar a elevar a taxa básica de juros, a Selic, a partir de junho. Para os economistas do Credit Suisse, ela deve passar por cinco revisões positivas consecutivas de 0,50 ponto percentual (p.p.), até alcançar 4,5% ao ano.

“Nós esperamos que a autoridade monetária remova seu forward guidance em janeiro e comece a reduzir gradualmente os estímulos monetários extraordinariamente elevados em junho, uma vez que as expectativas de inflação ao longo do horizonte relevante para a política monetária se aproximam ao centro da meta (de inflação) e a capacidade ociosa (da economia) começa a diminuir”, diz trecho do relatório.

Desemprego

Após o fechamento de 8,8 milhões de postos de trabalho em 2020, a economia deve fechar o ano com a criação de 5,0 milhões de vagas de empregos.

Já a taxa de desemprego deve subir de 13,2% para 15%, por conta do aumento da quantidade de pessoas na força de trabalho.

O IBGE considera no cálculo da taxa apenas as pessoas que afirmam estar procurando trabalho. Com as medidas de distanciamento social sendo reduzidas e o governo encerrando o auxílio emergencial, mais pessoas devem começar a ir atrás de emprego.

Déficit primário e dívida bruta

O Brasil registrará déficit primário pelo oitavo ano consecutivo em 2021. O Credit Suisse projeta um saldo negativo de 2,4% do PIB, uma melhora ante os 8,6% esperados para este ano, quando o governo federal tomou uma série de iniciativas para combater os efeitos da pandemia.

O principal risco para esta previsão é a pressão pela extensão dos gastos extraordinários, diante do elevado nível de desemprego e menor investimento público. O rompimento do teto de gastos também é um fator de preocupação por conta da falta de espaço para corte de gastos.

A dívida bruta deve passar de 93,9% para 94,5% do PIB, sendo que sua trajetória dependerá do compromisso com o teto de gastos, uma vez que as receitas devem permanecer baixas em meio à gradual recuperação da economia e baixa possibilidade de aumento de impostos.

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