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2021-02-11T09:20:44-03:00
Renan Sousa
Esquenta dos mercados

Briga entre dados do varejo, Ano Novo chinês e fala de Guedes são destaques da bolsa hoje

Nesse jogo de força bruta, quem vai cair e quem fica de pé: o poderoso noticiário negativo ou a estabilidade das palavras?

11 de fevereiro de 2021
8:48 - atualizado às 9:20
sumô
Imagem: Shuttertstock

Há quem diga que a vida é uma luta de boxe. Ou você desvia, ou bate. Nesse paralelo, a bolsa está se comportando mais como uma luta de sumô, em que o objetivo principal é desequilibrar o adversário e fazer com que ele toque o chão com qualquer parte do corpo que não sejam os pés. 

Foi assim que os investidores receberam os dados do varejo de ontem, com um forte empurrão ao chão. Havia até quem projetasse uma leve alta em dezembro, mas o que veio foi uma forte queda. O volume de serviços, que deve ser divulgado ainda hoje às 9h, também não tem as melhores projeções, o que deve trazer solavancos para o Ibovespa. 

Nas previsões de especialistas ouvidos pela Broadcast, os serviços em dezembro podem cair até 2,40% em relação a novembro. No acumulado anual, a retração pode chegar a 6,0%.

E o ano novo lunar chinês também veio como força de desequilíbrio. Os negócios de alumínio e minério de ferro estão parados, o que deve afetar empresas como Vale e as siderúrgicas na bolsa brasileira.

Todas essas forças desestabilizadoras devem concorrer com a tentativa de ficar de pé do investidor brasileiro, que se apoia no projeto de autonomia do Banco Central, aprovado ontem pela Câmara, e a declaração de Paulo Guedes sobre não existir a possibilidade de um novo imposto. 

Confira mais temas que influenciarão os mercados hoje:

Controlando o incêndio

Os dados do varejo de ontem pegaram o investidor brasileiro no pé contrário. O tombo nas vendas foi maior do que o esperado pelos analistas, o maior da série histórica desde 2000 para ser mais exato, o que levantou suspeitas de que a retomada da economia não tenha engatado marcha rápida.

Economistas afirmam que o auxílio emergencial de R$ 200 pode não ser suficiente para ajudar nessa retomada. Além disso, o temor de que os R$ 20 bilhões furem o teto de gastos e descumpram a meta fiscal também está sendo visto com maus olhos pelos investidores.

Mas a queda na bolsa conseguiu ser freada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele afirmou que um imposto temporário está fora de cogitação e colocou a responsabilidade da aprovação do orçamento para 2021 nos ombros do Congresso. Ele também cobrou responsabilidade fiscal dos congressistas para aprovação de novas PECs.

Segurou, mas não impediu

Essa declaração ajudou a bolsa, que chegou a cair mais de 1% na tarde de ontem, a arrefecer as perdas. No final, o Ibovespa fechou o dia em queda de 0,87%, aos 118.435,33 pontos.

Já o dólar comercial, seguindo a queda global dos preços da moeda, também teve recuou 0,22%, a R$ 5,37. 

Autonomia do BC

A Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira (11) o projeto de autonomia do Banco Central. A pauta sempre esteve nos debates da casa, mas nunca avançou até um ponto tão elevado. 

Segundo o projeto, o presidente do BC teria um mandato de quatro anos que não coincidiria com o do presidente da república. Isto significa que o dirigente da instituição iniciaria seu mandato em 1º de janeiro do terceiro ano do governante federal.

Essa autonomia fortaleceria decisões do Banco Central, garantindo que a estabilidade e eficiência do sistema financeiro fossem controladas pela instituição. Além disso, as novas atribuições, segundo o projeto, incluem suavizar flutuações e fomentar o pleno emprego. 

Joe e Xi: reatando laços

O atual presidente norte-americano, Joe Biden, esteve em ligação com o chefe de estado da China, Xi Jingping, para reatar laços com o país asiático. Em nota, a Casa Branca afirmou que a conversa foi amistosa, tentando reaproximar os dois países, após o afastamento mútuo devido a tensões durante o mandato de Donald Trump. 

Biden ressaltou preocupações com “práticas econômicas coercitivas, repressões em Hong Kong e ações assertivas em Taiwan”, como ressaltou o comunicado. Do outro lado, Xi respondeu que o governo dos Estados Unidos deve lidar com essas questões de maneira cautelosa e manejar as disputas de maneira construtiva. Além disso, ambos concordaram que o embate entre as potências seria desastroso para ambos os lados.

Esse foi um ótimo momento para a conversa, com as bolsas chinesas fechadas devido ao feriado do ano novo lunar. Ontem, os índices asiáticos fecharam majoritariamente em alta e os pregões que seguiram hoje (alguns apenas meio período) também encerraram no positivo.

Enquanto isso, os principais índices da Europa e de Nova York seguem com modestos avanços. Wall Street está a espera de novos balanços e a divulgação de dados de seguro-desemprego da semana passada.

Jerome Powell, o “andorinha”

O presidente do Federal Reserve (o Banco Central norte-americano), Jerome Powell, reafirmou o compromisso de seguir com a política monetária menos agressiva, que o mercado chama de “dovish” (mais expansionista monetariamente). Com isso, as atenções sobre o pacote de estímulos de Joe Biden segue sendo o verdadeiro foco do mercado. 

Balanços corporativos

A temporada de balanços do quarto trimestre segue com força. Ontem, dois grandes nomes da bolsa divulgaram os resultados: Suzano (SUZB3) e Totvs (TOTS3).

A produtora de papel e celulose viu o lucro líquido crescer 403% nos últimos três meses do ano passado, enquanto a companhia de softwares (e agora também de crédito) registrou alta de 78,4% na última linha do balanço, ambas superando as expectativas dos analistas.

E hoje ainda temos a divulgação de balanços das Lojas Renner, Banco do Brasil, Cosan, Engine, Multiplan e Rumo, após o fechamento. Nos EUA, a Disney divulga seus dados também após o fechamento. 

Agenda do dia: fique por dentro

Para hoje está programada a divulgação dos dados de volume de serviços em dezembro e do acumulado em 2020 (9h), além do relatório de seguro desemprego (10h30). O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, deve participar de um webinar do banco J. P. Morgan (10h). 

O relatório mensal da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) também está na agenda, mas sem hora específica. 

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