2021-10-19T07:50:42-03:00
Renan Sousa
Renan Sousa
É repórter do Seu Dinheiro. Cursa jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney. Twitter: @RenanSSousa1
Cripto-vencedores!

Além do bitcoin (BTC): conheça os ETFs de criptomoedas da bolsa brasileira — e o que deu mais retorno até agora

Desde a estreia, todos os ETFs da B3 acumulam alta na casa dos dois dígitos, mas o campeão deles venceu com um avanço de mais de 100%

19 de outubro de 2021
7:15 - atualizado às 7:50
Confira quem são os ETFs em criptomoeda da bolsa brasileira e qual o desempenho deles desde a estreia - Imagem: Pixabay

O mercado de criptomoedas foi chacoalhado com a aprovação do primeiro fundo de índice (ETF, em inglês) nos Estados Unidos. A notícia impulsionou as cotações do bitcoin, que encerrou a semana em alta de mais de 10% e ultrapassou a barreira dos US$ 60 mil. 

Mas os norte-americanos estão um pouco atrasados nesse quesito. 

Os investidores brasileiros já têm à disposição fundos de criptomoedas negociados em bolsa desde abril deste ano. A B3 já conta com cinco ETFs com as mais diversas composições.

Existem algumas vantagens para quem opta pelo investimento em ETF, como, por exemplo, a facilidade em relação ao investimento direto em bitcoins e criptomoedas. A taxa de administração também costuma ser menor do que em fundos tradicionais.

Nesta reportagem eu apresento para você os fundos de criptomoedas negociados na B3 e o retorno acumulado desde a estreia de cada um. Qual será o mais rentável?

O que é um ETF?

Antes da resposta, um pequeno preâmbulo para explicar o que é um ETF. Como a sigla em inglês sugere, os Exchange Traded Funds são fundos com cotas negociadas em bolsa que buscam igualar ou superar um índice de referência.

No caso das criptomoedas, os ativos são alocados no exterior porque a regulamentação brasileira ainda não reconhece criptomoedas como ativos financeiros. 

Assim, a gestora mantém esses ativos no exterior e a grande maioria desses índices segue um padrão internacional desenvolvido pela Nasdaq.

Os ETFs são uma alternativa de baixo custo para quem começa a dar os primeiros passos na renda variável — ou procura estratégias específicas para diversificar a sua carteira. Bancos e corretoras vêm travando  verdadeira batalha pela hegemonia nesse mercado, o que deve se intensificar com a maior diversificação desse mercado.

HASH11

TickerTaxa de administração (%)Gestora
HASH11de 0,30% até 1,30% ao anoHashdex

O primeiro fundo de índice em criptomoeda da B3 foi lançado em abril deste ano pela Hashdex. O HASH11 teve sua estreia na bolsa em abril deste ano, com uma alta de 12,26% no primeiro dia de negociações. 

Esse ETF replica o Nasdaq Crypto Index (NCI), índice desenvolvido pela gestora brasileira Hashdex em parceria com a Nasdaq. O NCI é rebalanceado a cada três meses e composto pelas seguintes criptomoedas:

  • Bitcoin (66,71%)
  • Ethereum (29,64%)
  • Litecoin (0,87%)
  • Chainlink (0,69%)
  • Uniswap (0,59%)
  • Bitcoin Cash (0,57%)
  • Filecoin (0,49%)
  • Stellar (0,43%)

Entretanto, alguns especialistas do mercado destacam que esse índice pode não ser o melhor para replicar o que ocorre de fato com o mercado de criptomoedas.

André Franco, da Empiricus, afirma que excluir o Dogecoin, por exemplo, retira uma parte importante do movimento do mercado, tendo em vista que o DOGE é uma das dez principais criptomoedas do mundo. 

A moeda-meme já é listada em uma série de corretoras (exchanges) e movimenta um volume de aproximadamente US$ 4 bilhões por dia. Entretanto, não é um projeto sério e não é considerado um investimento pelos analistas do mercado, o que exclui o DOGE de índices sérios como o NCI

Além disso, as gestoras não querem respaldar o investimento em projetos que não tem futuro. Confira mais detalhes da entrevista de André Franco no Papo Cripto #004:

QBTC11

TickerTaxa de administração (%)Gestora
QBTC110,75% ao anoQR Capital

O segundo ETF da bolsa brasileira também trouxe uma novidade: esse foi o primeiro fundo com exposição 100% ao bitcoin da América Latina. Ele estreou a classe de ETFs monoativos da B3, ou seja, é como expor sua carteira ao potencial (e riscos) dos criptoativos

O índice de referência adotado pelo QBTC11 é o CME CF Bitcoin Reference Rate que foi elaborado pelo Chicago Mercantile Exchange (CME) Group em conjunto com a CF Benchmarks e realiza a precificação do bitcoin seguindo uma média entre os valores à vista negociados nas maiores exchanges reguladas de bitcoin do mundo, como Binance, Coinbase e FTX.

QETH11

TickerTaxa de administração (%)Gestora
QETH110,75% ao anoQR Capital

De maneira semelhante, o QETH11, também da QR Capital, faz o mesmo que o QBTC11, mas com a segunda principal criptomoeda do mercado, o ethereum (ETH). 

O bitcoin é a principal moeda digital do mundo, mas outras criptomoedas também desenvolvem projetos que animam os especialistas. O ethereum, por exemplo, é a blockchain que abriga os famosos NFTs, os certificados digitais que abalaram o mundo das artes no início do ano, e os DeFis, as finanças descentralizadas.

Além disso, o éter é a principal blockchain para as soluções de segunda camada, como são chamadas as aplicações no mundo das criptomoedas

Recentemente, o ETH passou por uma repaginada com a Atualização EIP-1559, ou London Fork, que tornou as transações mais baratas e chegou a animar grandes instituições como o JP Morgan

BITH11

TickerTaxa de administração (%)Gestora
BITH11de 0,10% até 0,70% ao anoHashdex

Oficialmente, o primeiro ETF com exposição 100% ao bitcoin foi o QBTC11, da QR Capital, mas o BITH11 tem um diferencial: corrigir o impacto de carbono da mineração de bitcoin

A empresa alemã Crypto Carbon Ratings Institute (CCRI) produzirá relatórios anuais com estimativas para o consumo de energia e emissão de carbono relativos aos bitcoins adquiridos pelo fundo de índice alvo do BITH11.

Esses relatórios serão divulgados publicamente e, com base nos cálculos, o BITH11  irá reduzir a emissão por meio da aquisição de créditos de carbono e investimentos em projetos neutralizadores. 

O BITH11 replica o desempenho do índice Nasdaq Bitcoin Reference Price (NQBTC), fundo constituído nas Ilhas Cayman e listado na Bolsa de Bermudas (BSX).

ETHE11

TickerTaxa de administração (%)Gestora
ETHE110,70% ao anoHashdex

Por fim, o novato dos ETFs de cripto da bolsa brasileira também é uma diversificação da Hashdex no mundo dos criptoativos. O ETH11 replica o preço do ethereum (ETH) segundo o  Nasdaq Ethereum Reference Price (NQETH).

Afinal, qual o ETF de criptomoedas mais rentável?

Desde o início do mês, o bitcoin já saltou da faixa dos US$ 46 mil para os US$ 61 mil na cotação desta segunda-feira. Não à toa, os investidores chamam outubro de “uptober”, quando a criptomoeda costuma registrar as maiores altas. 

Os ETFs estrearam em momentos diferentes para as criptomoedas, e isso explica boa parte da diferença de retorno entre eles. Ainda assim, todos acumulam  alta na casa dos dois dígitos desde a estreia.

O campeão de retorno até o momento é o QBTC11, com alta de 117,1% A lanterna fica como o HASH11. Mas vale também fazer a comparação em períodos semelhantes.

Nos últimos 30 dias, o ETF campeão de rentabilidade na B3 também é o QBTC11, que acompanhou a alta de 33% do bitcoin no último mês. Na outra ponta, o ETH11 avançou apenas 8,45% no mesmo período.

TickerLançamentoPreço de lançamentoPreço do último fechamento (sexta-feira, 15)Variação desde a estreia (%)Variação acumulada nos últimos 30 dias (%)
HASH1126 de abrilR$ 52,00R$ 58,6712,83%23,76%
QBTC1123 de junhoR$ 10,00R$ 21,71🥇 117,1%🥇33,54%
BITH115 de agostoR$ 50,43R$ 82,4863,55%25,86%
QETH1110 de agostoR$ 10,00R$ 15,1351,30%12,20%
ETHE1118 de agostoR$ 50,00R$ 61,4422,88%8,45%

Bônus: Como investir em ETF

Investir em um ETF não é muito diferente de comprar uma ação na bolsa. Para comprar uma cota é preciso apenas ter conta em uma corretora comum e procurar pelo ticker de negociação do fundo.

Entretanto, vale ressaltar que o mundo das criptomoedas é extremamente volátil e os ETFs de criptomoedas são considerados ativos de alto risco. 

Ter uma carteira equilibrada é essencial antes de investir em criptomoedas. Apesar de os resultados saltarem aos olhos, os riscos também são bem elevados.

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