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A inveja é, sem dúvida alguma, uma das piores inimigas de um investidor – isso se não for a pior. E quando estamos em um bull market (mercado em alta) parece que temos que lidar o tempo todo com ela
A inveja é, sem dúvida alguma, uma das piores inimigas de um investidor – isso se não for a pior.
Quando os mercados estão em baixa, seja por um mês ou por vários anos, essa sensação fica adormecida. Desaparece.
Mas quando estamos em um bull market (mercado em alta), parece que temos que lidar o tempo todo com ela.
Em uma semana de fortes ganhos do Ibovespa, o YouTuber Zé_Trader ganha 200% em operações alavancadas com índice futuro e faz questão de esfregar na cara de todos os seus seguidores.
Na semana seguinte é o Twitteiro João_Buffett que ganha muita grana negociando ações a termo e printa a tela para todo mundo ver.
Depois, é a Maria_Holder que exalta em seu perfil do Instagram os lucros com opções de Cogna. E ainda grava um vídeo explicando como sua análise foi certeira.
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Com as redes sociais tomando conta da nossa vida, somos bombardeados o tempo por esses perfis bem-sucedidos, o que nos deixa com uma sensação de completa insatisfação.
Seu portfólio pode até estar se valorizando 20% nos últimos doze meses, o que normalmente seria um resultado a ser comemorado – como base de comparação, essa foi a valorização anual média com a qual Warren Buffett construiu sua fortuna. No entanto, a grama do vizinho continua parecendo mais verde que a sua.
A inveja é realmente perigosa. Por mais que seus retornos sejam iguais aos do maior investidor de todos os tempos, no bull market isso ainda parecerá um lixo perto dos ganhos dos supertraders de redes sociais.
Só que isso tem mudado nos últimos dias.
Apesar de a queda forte da bolsa não ser a melhor notícia para o seu portfólio no curto prazo, esse cenário pode ajudar muito aqueles que ainda se sentem invejosos do rendimento alheio.
Quando a bolsa está caindo, os tais traders geniais, que parecem ganhar fortunas todos os dias, simplesmente desaparecem.
A não ser que estejam tirando férias e gastando os milhões conquistados na bolsa em lugares paradisíacos – o que eu duvido muito – os seus resultados ficaram tão ruins que não vale a pena serem mostrados.
O que nos leva a uma outra conclusão.
Com a popularização das redes sociais, tem surgido o que os especialistas chamam de síndrome da vida perfeita.
Sabe aquelas pessoas que têm uma vida comum, às vezes até chata, mas nas redes sociais esbanjam momentos de pura alegria e riqueza como se suas vidas fossem perfeitas?
Pois bem, quem garante que os tais traders não fazem o mesmo?
Será que eles só têm decisões certeiras e ganhos enormes, ou o que acontece é que acabam compartilhando somente o lado bom da história?
Pode parecer uma simples besteira, mas esse comportamento tem se tornado perigoso para os investidores desavisados.
Da mesma forma que o Instagram tem levado milhões de pessoas à depressão por considerarem suas próprias vidas sem graça na comparação com os perfis de "pessoas perfeitas", a presença cada vez mais constante de perfis de investidores "bem-sucedidos" esfregando ganhos exorbitantes aos seus seguidores (mas escondendo prejuízos) tem levado muita gente a cometer loucuras em busca de lucros rápidos que acabam virando um tiro no pé.
Insatisfeitos mesmo com performances suficientes para construir um ótimo patrimônio no longo prazo, muitos começam a buscar atalhos e colocam muito ou tudo a perder em troca das promessas de retorno rápido e fácil.
O mais interessante é que a inveja nos investimentos não atrapalha apenas os investidores da era atual, na qual os ganhos podem ser estampados em qualquer rede social.
Benjamin Graham, pai do value investing, muito antes do Facebook e do Instagram surgirem, disse que "investir não se trata de vencer outros investidores no jogo deles. Mas sim, ter autocontrole para cuidar bem do seu próprio jogo".
Se você está conseguindo um retorno interessante sobre o capital investido, qual é o problema do seu vizinho estar ganhando 20% ou 30% a mais que você? Seu objetivo está sendo cumprido e você nem sabe que tipo de loucura ele pode estar fazendo para conseguir aqueles resultados superiores.
Outro que já fez questão de lembrar como a inveja nos investimentos é uma merda foi Charlie Munger, braço direito de Warren Buffett na Berkshire Hathaway:
“A inveja é realmente um pecado estúpido porque é o único no qual você nunca tem a possibilidade de se divertir. Há muita dor e nenhuma diversão.”
A verdade é que o recado de Munger sobre a inveja vai muito além dos investimentos. Serve para a vida.
Apesar da queda nas últimas semanas, entendemos que o cenário atual continua muito promissor para um grupo promissor de companhias da bolsa.
No Empiricus Best Ideas, a Cristiane Fensterseifer selecionou aquelas que são as melhores ideias de investimentos de todas as séries de ações da Empiricus, cujas quedas nos últimos dias acabaram se tornando uma rara oportunidade para aproveitar uma retomada.
Se quiser conferir a lista e aproveitar esta oportunidade, deixo aqui o convite.
Fato é que quando a bolsa retornar para os 120 mil pontos, os "gênios" vão aparecer novamente nas redes sociais e o seu vizinho vai voltar a contar vantagem sobre o último trade matador que ele conseguiu. Quando isso acontecer, lembre-se de se questionar onde estavam todos quando a bolsa estava derretendo.
Será que eles realmente são tão melhores que você ou estão apenas tentando vender a imagem de traders perfeitos, compartilhando ganhos de estratégias extremamente arriscadas quando o mercado está favorável, mas escondendo todas as perdas quando a maré joga contra?
Ter isso claro nos ajuda a conquistar retornos saudáveis no longo prazo e, principalmente, evitar seguir a manada nos momentos de euforia, quando o sentimento de inveja financeira vai empurrar a maioria das pessoas para instrumentos arriscados e/ou pouco conhecidos com o intuito de obter rentabilidade maior que os seus vizinhos, mas que normalmente termina em ruína.
Se livrar da inveja nos investimentos faz bem para o seu bem-estar e para o seu patrimônio.
Um grande abraço e até a próxima!
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