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Um bom gestor de fundos não é aquele que alcança o melhor resultado no mês ou no ano, mas aquele que consegue resultados consistentes em prazos dilatados
Caro leitor, o que você faria se descobrisse de uma hora para outra que a diferença entre um chimpanzé e o gestor das suas ações não passa de um vocabulário culto, um rosto barbeado e um laquê no cabelo?
Parece loucura, né?
Mas a verdade é que algumas vezes essa diferença é muito menor do que você poderia imaginar.
Vamos supor uma disputa de cara ou coroa entre 1.024 pessoas. Quem errar o lado da moeda perde e vai para a casa. Quem acertar, passa para a próxima rodada.
Como você deve saber, uma moeda não viciada tem 50% de chances de cair em cada um dos lados. Portanto, é de se esperar que as apostas em cara ou coroa também tenham praticamente o mesmo número de apostadores por rodada, o que significa que em cada rodada, metade dos apostadores vai acertar e metade vai para a casa.
Apostadores escolhidos e regras esclarecidas, é hora de começar o jogo.
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Na primeira semana, o resultado do lançamento é cara e as 512 pessoas que disseram "coroa" caem fora do jogo.
Enquanto os que erraram vão embora para a casa tristes, os outros 512 participantes continuam no jogo.
| Semana | Resultado | Continuam no jogo |
| #1 | cara | 512 |
Na segunda semana, o procedimento se repete. As apostas também ficam divididas igualmente, só que desta vez o resultado foi coroa, eliminando mais 256 pessoas do jogo.
| Semana | Resultado | Continuam no jogo |
| #1 | cara | 512 |
| #2 | coroa | 256 |
Você já entendeu que a cada rodada metade dos apostadores vai embora. Isso significa que o mesmo processo é repetido até que na décima semana sobram apenas dois jogadores, João e Maria.
Como você deve imaginar, acertar o lado que a moeda cai nove vezes seguidas não é nada fácil.
João e Maria sabem muito bem disso e depois de nove apostas certeiras eles provavelmente já estão convencidos de que realmente possuem um dom, alguma dádiva que os diferenciam do resto do mundo.
A esta altura, os dois já viraram celebridades. Provavelmente, já teriam ido a vários programas de televisão conversar sobre o seu dom especial, o que eles comem, bebem, e quais são as suas mandingas infalíveis antes de cravarem se cairá "cara" ou "coroa".
A questão é que o sucesso de João é Maria nada mais é do que fruto do acaso.
Eles não têm um dom especial para escolher o lado da moeda.
Mas este é um jogo de soma zero. Sempre precisa haver um vencedor para cada perdedor. E no final, um vencerá e apenas um.
Tanto faz se é João ou Maria. A esta altura, espero que você já tenha entendido que eles não são nada mais do que resultado da estatística.
Se a gente repetisse a mesma experiência com 1.024 macacos, depois de dez semanas também teríamos um vencedor, que provavelmente também teria virado celebridade e ido no programa do Faustão mostrar quais as técnicas primatas utilizou para adivinhar o lado das moedas.
O que tudo isso tem a ver com a Bolsa?
Pare para pensar como funcionam os mercados: não existe criação de dinheiro na Bolsa. Para cada R$ 1.000 que você perde, alguém ganha outros R$ 1.000.
Junte 1.024 gestores de ações e pergunte para eles durante doze meses seguidos para qual lado vai a Bolsa. Não é uma predição fácil de se fazer. Alguns gestores realmente geniais acertarão em cheio.
Mas é muito provável que alguns sortudos naquela enorme amostra consigam estar entre os acertadores por pura e simples questão de estatística.
Eu e você sabemos disso. O problema é que a maioria não sabe. Acha que um resultado superior em 12 meses somente pode ser fruto de pura competência.
E é por isso que nesta altura esses próprios gestores já terão virado celebridades, estarão convencidos de que são seres superiores, darão entrevistas sobre os seus métodos infalíveis de escolha de ações e, pior, terão atraído milhares de investidores para os seus fundos com iludidos pelos resultados que foram fruto muito mais de sorte do que de competência.
Toda a atenção é pouca na hora de escolher quem vai cuidar do seu dinheiro.
E escolher gestores apenas pela rentabilidade do último ano ou, pior ainda, do último mês, é uma estratégia tão boa quanto dar o seu dinheiro para o macaco das moedas. O fato de ele ter acertado o último lançamento da moeda não melhora em nada as chances de ele acertar o próximo.
Um bom gestor não é aquele que alcança o melhor resultado no mês ou no ano, mas aquele que consegue resultados consistentes em prazos dilatados. Dá uma olhada no gráfico abaixo:
Um retorno de mais de 18 mil por cento desde o início é muito mais importante do que estar entre os cinco melhores do mês ou do ano.
Aliás, esse é o histórico do Fundo Verde, do lendário gestor Luis Stuhlberger, que estava fechado há alguns anos, mas reabriu para captação ontem. Fica aqui o convite se quiser aproveitar essa janela de oportunidade única.
Mas histórico de rentabilidade também não é tudo, é preciso saber se esses resultados não estão sendo obtidos porque os gestores estão correndo riscos desnecessários.
Para saber como cada fundo cuida do dinheiro dos seus cotistas não tem muita alternativa: além da análise de resultados é preciso gastar muita sola de sapato para conhecer os gestores, entender a cabeça de cada um deles e as estratégias que utilizam.
Só assim é possível elaborar um filtro capaz de excluir os "iludidos pelo acaso" daqueles que realmente merecem o seu suado dinheirinho para gerir.
Bruno Mérola e sua equipe fazem justamente isso na série Melhores Fundos, e trazem uma lista completa de fundos para todos os gostos: Renda Fixa, Ações, Long&Short, Multimercado, Global, e por aí vai.
A Vitreo também tem um fundo inspirado na série do Mérola, o FoF Melhores Fundos, que você pode conhecer aqui.
Um grande abraço e até a próxima!
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