🔴 MELHORES MOMENTOS DO MACRO SUMMIT BRASIL 2024 – ASSISTA AQUI

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Diretor de redação do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA, trabalhou nas principais publicações de economia do país, como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances O Roteirista, Abandonado e Os Jogadores
Comprar ou vender, eis a questão

Brasil vira mercado “inoperável” com “risco Bolsonaro” e ameaças ao teto de gastos, dizem gestores de fundos

O cenário piorou com a intervenção nas estatais e o risco fiscal, mas nos patamares atuais fica muito arriscado apostar contra o país, segundo gestores de fundos

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
4 de março de 2021
6:01 - atualizado às 20:59
Bolsonaro Mercados Baixa Petrobras Banco do Brasil Eletrobras
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Uma grande oportunidade ou um grande caso perdido? Essa é a pergunta que gestores de fundos e analistas do mercado financeiro se fazem neste momento em relação à perspectiva para os ativos brasileiros.

É consenso que o cenário para investir no Brasil piorou — e muito — após a decisão do governo de trocar o comando da Petrobras, que colocou definitivamente o chamado “risco Bolsonaro” na pauta dos investidores.

Ao mesmo tempo, a frágil situação fiscal do país em meio aos sucessivos furos no teto de gastos torna a economia brasileira suscetível a qualquer abalo externo.

Tudo isso indicaria um momento perfeito para apostar contra o Brasil, por exemplo com a clássica aposta de comprar dólares e ficar “tomado” no mercado de juros, que ganha com a alta da Selic.

Foi exatamente o que o mercado fez nas últimas semanas, com a queda da bolsa e a disparada da moeda norte-americana e dos juros futuros. O problema é que o Brasil ficou “barato demais” nos patamares atuais.

Isso significa que, embora a situação sempre possa piorar, a chance de perda de quem estiver na ponta contrária é enorme se o barco liberal do governo não virar e o cenário externo ajudar.

Quem resumiu da melhor forma o atual momento dos mercados locais foi Fabio Akira, sócio e economista-chefe da BlueLine Asset Management. “Está impossível operar Brasil”, ele me disse, em uma entrevista ontem à tarde.

Diante da total falta de visibilidade — para o bem ou para o mal — a gestora mantém hoje suas principais posições de risco nos mercados internacionais.

Akira disse que o país ultrapassou linhas importantes ao flertar com intervencionismo setorial e o risco fiscal, justamente no momento em que lá fora os mercados passam por uma turbulência provocada pela alta das taxas de juros de longo prazo nos Estados Unidos.

“Se eu tivesse certeza de que o Brasil iria degringolar, operava short [vendido], mas o preço está tão deprimido que no caso de qualquer alento os ativos podem ter uma melhora rápida” — Fabio Akira, BlueLine Asset Management

Um exemplo da baixíssima visibilidade nos mercados se deu justamente durante a minha entrevista com Akira, quando o Ibovespa saiu do patamar dos 107 mil para a casa dos 112 mil pontos. Tudo isso em menos de meia hora.

O motivo para a súbita melhora foi a sinalização do presidente da Câmara, Arthur Lira, de que o Bolsa Família não ficará de fora da regra do teto de gastos.

Sonho ou pesadelo?

O mais irônico nessa história é que o momento atual nos mercados globais em tese é favorável ao país. O tal do “reflation trade”, movimento em que os investidores apostam em ativos que ganham com a alta da inflação, impulsionou vários mercados exportadores de commodities, enquanto o país mais uma vez ficou para trás.

“Se você sonhasse com um cenário incrível para o Brasil não teria imaginado algo tão bom quanto agora”, me disse Sylvio Castro, sócio da Grimper Capital.

Baseado apenas no cenário atual dos mercados, os ativos brasileiros deveriam estar hoje em patamares muito mais altos, segundo o gestor. “A preocupação dos investidores deveria ser se a bolsa não estaria cara demais, e não o contrário como agora.”

Com a indefinição no cenário brasileiro, Castro prefere surfar na onda da valorização das commodities diretamente nesses ativos ou via outros países produtores.

Mas o gestor também não embarca na aposta contra os ativos locais. “Os preços poderiam estar ainda piores depois do que aconteceu nas últimas semanas. Mas é difícil 'shortear' [vender] Brasil.”

Leia também:

Valor relativo

Com 17 anos de mercado, a Neo Investimentos está habituada às incertezas relacionadas à economia brasileira. Ao contrário de outras gestoras, a maior parte da exposição do principal fundo multimercado da casa permanece no país.

Mas para sobreviver — e ganhar dinheiro — em meio aos solavancos típicos do nosso mercado, a Neo aposta no chamado "valor relativo", o que torna os retornos do fundo menos dependentes do cenário econômico.

Mas o que isso quer dizer em relação ao Brasil de hoje? Para Mario Schalch, sócio-fundador da gestora, o mercado hoje embute uma perspectiva de alta muito acelerada da Selic, diante do risco fiscal e da inflação.

A chamada curva de juros indicava a possibilidade de uma alta de 7 pontos percentuais na Selic, o que levaria os juros brasileiros para 9%. “Temos a curva mais inclinada do mundo até três anos, e a menos inclinada depois desse período.”

Nesse contexto, o fundo se posiciona vendido no mercado de juros curto prazo, com a visão de que as taxas devem subir menos do que o projetado, e comprado nos prazos mais longos. O retorno vem do saldo entre as duas posições. “Mesmo que eu não esteja certo, consigo montar posições que trazem uma boa margem de manobra”, disse o gestor.

Compartilhe

TOUROS E URSOS

O enigma da Petrobras (PETR4): entre dividendos e “risco Lula”, vale a pena ter ações da estatal?

14 de abril de 2024 - 7:45

Ruído da intervenção do governo impede a Petrobras de negociar no patamar de companhias como Chevron e Exxon, segundo analista

TEMPESTADE PERFEITA

Como a escalada das tensões no Oriente Médio derruba as ações da Azul (AZUL4) e da Gol (GOLL4) na B3

12 de abril de 2024 - 16:10

A crise geopolítica pressiona as cotações do petróleo e do dólar, o que afeta os negócios das companhias aéreas

RISCO GLOBAL

Dólar bate em R$ 5,14  e atinge maior nível em seis meses — e aqui estão três motivos para a disparada da moeda norte-americana hoje 

12 de abril de 2024 - 13:25

O dólar também se valoriza ante as divisas globais; as cotações do petróleo e do ouro renovam máximas históricas

VEJA O QUE DIZ A COMPANHIA

Ações da JHSF (JHSF3) tombam 7% na B3; empresa se pronuncia após embargo do Complexo Boa Vista

12 de abril de 2024 - 12:12

A companhia afirmou, em comunicado enviado à CVM mais cedo, que seus advogados avaliam o “sentido e alcance” da liminar expedida na última quinta-feira

DESTAQUES DA BOLSA

Plano & Plano (PLPL3) despenca mais de 7% e registra maior queda da bolsa após prévia operacional; veja os números que desagradaram o mercado

12 de abril de 2024 - 11:33

O forte recuo é uma reação a números considerados neutros por parte dos analistas das principais casas brasileiras

NOVO FOCO DE INCÊNDIO

O cabo de guerra na Petrobras (PETR4) já tem um vencedor? Justiça suspende presidente do conselho de administração — e a estatal promete recorrer da decisão 

12 de abril de 2024 - 10:11

A suspensão de Pietro Mendes enfraquece o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que é um dos pivôs da crise no comando da petroleira

MERCADOS HOJE

Bolsa hoje: Ibovespa entra no barril de pólvora do Oriente Médio e cai mais de 1%; dólar vira abrigo e fecha a R$ 5,12

12 de abril de 2024 - 6:45

RESUMO DO DIA: Não bastasse a semana agitada por dados de inflação, os mercados acionários entraram em modo de alerta com a escalada das tensões no Oriente Médio — e o Ibovespa não conseguiu ignorar o tom negativo do dia.  O principal índice da bolsa brasileira fechou em queda de 1,14%, aos 125.946 pontos. Na […]

DINHEIRO NOVO

Americanas (AMER3) chama acionistas para aprovar injeção de capital bilionária liderada por Lemann e bancos credores

11 de abril de 2024 - 10:07

Acionistas vão aprovar aumento de capital que pode chegar a R$ 41 bilhões. Lemann e bancos se comprometeram a colocar R$ 24 bilhões na varejista

MERCADOS HOJE

Bolsa hoje: Dólar fecha a R$ 5,09, o maior nível em um ano; Ibovespa cai com petróleo e juros nos EUA no radar

11 de abril de 2024 - 6:48

RESUMO DO DIA: As ondas da inflação nos Estados Unidos continuaram agitando os mares dos mercados com a incerteza sobre a trajetória dos juros da maior economia do mundo e abalou o navio brasileiro mais uma vez. O Ibovespa fechou em queda de 0,51%, aos 127.396 pontos. Já o dólar se fortaleceu e terminou a […]

MERCADOS HOJE

Bolsa hoje: Dólar sobe mais de 1% e Ibovespa recua após inflação acima do esperado nos EUA

10 de abril de 2024 - 6:52

RESUMO DO DIA: A ‘Super Quarta’ da inflação finalmente chegou e deu o tom negativo aos mercados, em dia de alta das commodities. O Ibovespa fechou em baixa de 1,41%, aos 128.053 pontos. Já o dólar zerou as perdas da semana e terminou o dia a R$ 5,0784, com alta de 1,41% no mercado à […]

Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies