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Não faz muito tempo que usei este mesmo espaço para lembrá-lo de como o mercado não gosta de incertezas e a falta de uma leitura clara sobre o futuro acaba prejudicando os negócios na B3.
O dia de hoje veio para provar que, mesmo em meio às incertezas, ter uma noção mais clara do caminho que será seguido abre espaço para um respiro de alívio — e uma recuperação dos ativos domésticos.
Passado o 7 de Setembro, a pauta mais quente no Congresso era o pagamento dos R$ 89 bilhões em precatórios em 2022. O governo daria um calote técnico? O Legislativo aceitaria furar o teto de gastos? O Judiciário colaboraria com a mudança nas regras?
Num dia em que os holofotes deveriam estar sobre a Evergrande e a cautela pré-Copom, foram os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, que deram fôlego para a recuperação.
Após uma reunião, as lideranças do Congresso anunciaram um acordo para encaminhar a pauta dos precatórios. E Lira tem pressa, projetando que a comissão especial da Câmara para encaminhar o tema seja eleita já nesta quarta-feira.
A proposta costurada por Executivo e Legislativo tem como objetivo respeitar o teto de gastos. Dos R$ 89 bilhões previstos no Orçamento para pagamento dos precatórios, quase metade do saldo restante seria pago em 2023 e não mais parcelado, como a ideia original propunha.
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Analistas apontam que a boa recepção do mercado ao tema se dá porque, com o acordo, o valor a ser pago não só preserva o teto de gastos, como também deixa uma folga para os programas sociais do governo. Além disso, o projeto inicial era uma espécie de calote, muito mais complexo, e dava margem para a leitura de uma pedalada fiscal.
Lira e Pacheco também falaram sobre a importância de garantir que o Auxílio Brasil, novo programa social do governo, entre em vigor ainda em 2021, para auxiliar as famílias carentes. O total destinado ao aumento do Bolsa Família virá da arrecadação com a elevação do Imposto sobre Transações Financeiras (IOF).
Com uma possível solução para uma das maiores dores de cabeça da saúde fiscal brasileira, a bolsa local aproveitou para subir com mais força do que Wall Street, que fechou com sinais mistos após muita volatilidade. O Ibovespa recuperou os 110 mil pontos, ao subir 1,29%, a 110.249 pontos, depois de ter recuado mais de 2% na véspera. O dólar à vista recuou 0,84%, a R$ 5,2863.
Isso não quer dizer que os problemas de insolvência com a gigante incorporada chinesa Evergrande são assunto superado. Muito pelo contrário. Amanhã o dia é de decisão de política monetária tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, mas os investidores monitoram de perto se o calote das dívidas irá se concretizar ou se o governo chinês virá ao resgate da companhia.
Com o problema fiscal endereçado e caminhando, os investidores ampliaram o alívio na curva de juros em plena véspera do Copom. A melhora do quadro fiscal indica que o fim do ciclo de normalização da Selic pode ser abaixo do que o mercado precifica. Na semana passada, os DIs futuros projetavam uma Selic de 10% em setembro de 2022.
Veja tudo o que movimentou os mercados nesta terça-feira, incluindo os principais destaques do noticiário corporativo e as ações com o melhor e o pior desempenho do índice.
A BRIGA DAS VAREJISTAS
Análise: Via (VIIA3) dispara com crescimento do marketplace, mas ainda está longe dos volumes do Magazine Luiza (MGLU3). A Via (VIIA3) comemora os 100 mil vendedores no marketplace, marca semelhante à do Magazine Luiza (MGLU3). Mas há diferenças entre as rivais.
DEU QUÍMICA
Braskem (BRKM5) pode subir 40%, diz BofA, que retoma cobertura da ação com recomendação de compra. Instituição norte-americana considera que expectativa de bons resultados deve sustentar valorização dos papéis da petroquímica brasileira.
RENDE MAIS QUE O TESOURO DIRETO
Fundo de renda fixa libera acesso a investidores em geral e passa a pagar dividendos isentos de IR todo mês. Com retorno corrigido pela inflação e superior ao dos títulos públicos, fundo de debêntures incentivadas Kinea Infra (KDIF11) não será mais restrito a investidores qualificados e passará a distribuir dividendos mensais.
ESTREIA MARCADA
Comerc, holding de energia, pode levantar R$ 1,6 bilhão em IPO na B3. Valor considera o meio da faixa indicativa, que vai de R$ 16,87 a R$ 18,56; empresa definiu para 8 de outubro o dia da precificação dos papéis, com ticker “COMR3”.
EXILE ON WALL STREET
Período de incerteza nos mercados? Entenda como o investidor deve se proteger. O temor relacionado às consequências sistêmicas da quebra de uma incorporadora tão grande pesou sobre os mercados e evidenciou a importância de ter proteções na carteira. Leia na coluna da Larissa Quaresma, analista da Empiricus.
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