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Novos tempos requerem uma nova mentalidade

Seria importante para a B3, que está cada vez mais diversificada; mas ainda há muito espaço para evoluir.

O analista de investimentos Max Bohm, hoje um dos mais renomados na área - Imagem: Empiricus

O ano de 2021 será marcado como a maior temporada de IPOs já vista no mercado de ações brasileiro.

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Em menos de dois meses, 15 empresas já debutaram na B3, atraindo bilhões de reais de investidores encantados por negócios diferentes e com grande potencial de crescimento.

Considerando que há mais de 30 companhias que protocolaram seus pedidos de oferta púbica inicial junto à CVM e uma grande expectativa de IPOs para o segundo semestre, tudo caminha para batermos o recorde de 2007, quando tivemos 64 novas empresas ingressando na Bolsa.

Será que vamos atingir a marca de 100 IPOs este ano? Seria importante para a B3, que está cada vez mais diversificada; mas ainda há muito espaço para evoluir.

Só para efeito de comparação, hoje temos um pouco mais de 400 empresas listadas; nos EUA, são 5.700 companhias na NYSE e na Nasdaq. O S&P, índice mais importante da Bolsa americana, possui 500 ações, cobrindo boa parte do PIB dos EUA. Nosso Ibovespa possui 67 empresas e está longe de ser uma boa proxy do PIB brasileiro.

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Muito concentrado em ações ligadas a commodities e bancos, o Ibovespa não espelha a diversidade da economia brasileira. No entanto, esses novos IPOs estão nos dando uma ponta de otimismo, já que, em um futuro não tão distante, poderemos ver o principal índice brasileiro renovado e mais plural.

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Dois setores despontam como aspirantes a ganhar espaço na Bolsa nos próximos anos. O primeiro deles é o setor de tecnologia. Várias empresas ligadas a esse segmento da nossa economia lançaram suas ações recentemente, como Mosaico (MOSI3), Neogrid (NGRD3), Méliuz (CASH3), Enjoei (ENJU3) e as varejistas online Mobly (MBLY3) e Westwing (WEST3).

Todas elas apresentam três características que vêm soando como música aos ouvidos dos investidores: modelos de negócio escaláveis, amplo potencial de crescimento e tecnologia/inovação.

Outro setor que pode despontar como um dos protagonistas nesta nova onda de IPOs e ganhar mais jardas na Bolsa brasileira é o agronegócio. Por muito tempo, SLC Agrícola (SLCE3), São Martinho (SMTO3), BrasilAgro (AGRO3) e Terra Santa (TESA3) brilharam sozinhas como as representantes do setor na B3. Muito pouco para um segmento tão importante e que nos últimos anos vem sendo o motor da nossa economia, carregando o nosso PIB nas costas há dez anos pelo menos.

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Novas empresas do agronegócio estão chegando, como Agrogalaxy, Boa Safra Sementes, Vittia Fertilizantes e CTC (Centro de Tecnologia Canavieira). Esta última, que apresenta forte crescimento de receita, margens altas e acionistas de peso, é bem promissora.

A B3 está fazendo a sua parte, atraindo novas companhias que buscam no mercado de capitais formas de financiar o seu crescimento.

Mas será que os investidores estão fazendo a sua parte? Ou o oba-oba em torno dos IPOs está cegando boa parte deles, em busca de ganhos rápidos, mas que podem ser efêmeros?

Muitas empresas estão chegando e chegarão à Bolsa. Isso é muito positivo. No entanto, a separação do joio do trigo se faz cada vez mais necessária.

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Assim, tenho algumas dicas importantes na hora de fazer esta seleção de ações e decidir em qual IPO você deve apostar as suas fichas:

Acionista vendedor está saindo de boa parte do negócio? Se sim, sinal amarelo para a companhia.
Empresa sentiu fortemente o ano de 2020 com a pandemia? Receita teve queda expressiva e margens ficaram muito comprimidas? Se sim, talvez falte ao negócio resiliência ou capacidade e velocidade de adaptação.

A companhia está usando os recursos captados no IPO para pagar dívidas ou distribuir dividendos para acionistas? Pode ser um histórico de má gestão do capital e de falta de governança corporativa.

Há uma consistência clara na evolução dos resultados nos últimos anos, mostrando expansão de Ebitda e lucro? Ou “enfeitaram a noiva” recentemente para o IPO?

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A empresa foi transparente com o uso dos recursos, mostrou-se solícita no road show e está comprometida com os melhores padrões de governança?
Fazendo-se essas perguntas e obtendo as respostas, você analisará o negócio, adquirindo a confiança de investir naquela empresa não para um mês, mas para um horizonte de pelo menos um ano.

Esta é a mudança de mentalidade que eu gostaria de ver nos investidores pessoas físicas. Muitos só querem lucros imediatos, sem ter a devida paciência para acompanhar a tese de investimento e ser sócio daquele negócio.

Você não vai ficar rico em um IPO. Cada vez mais, o sistema impede a festa dos “flippers” (que vendem a ação no primeiro dia de negociação), instituindo o lock-up de 40 dias, que dá ao investidor que optou por esse modelo predileção na alocação da oferta.

Corretamente, as companhias estão interessadas em quem acreditou nelas e quer acompanhá-las em seu crescimento. A jornada é longa. Investimento em ações requer paciência e foco no longo prazo.

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Damos as boas-vindas às novas empresas da Bolsa. Precisamos de um mercado mais desenvolvido, porém aproveite o momento especial para desenvolver também a sua mente como investidor.

Menos especulação e mais investimento. Tenha isso sempre em mente na hora de decidir em qual IPO entrar.

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