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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

MERCADOS HOJE

Com emoção! Bolsa vira para alta após novo parecer da PEC Emergencial, mas dólar segue pressionado

As bolsas pelo mundo operam em movimento de realização de ganhos, o que é uma péssima notícia para o Brasil, que também tem que lidar com os próprios demônios

Renan Sousa
Renan Sousa
2 de março de 2021
10:32 - atualizado às 17:51
Dólar em alta
Imagem: Shutterstock

O exterior está colhendo os frutos do pregão de altas da segunda-feira (1º), optando por um movimento de realização de lucros, enquanto por aqui os investidores repercutem mais um capítulo da novela de Bolsonaro e os combustíveis. 

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Longe da euforia que tomou conta dos mercados ontem, mas também afastado das mínimas do dia, o Ibovespa virou para alta há pouco, e operava com um avanço de 0,51%, aos 110.896 pontos, puxado principalmente por uma melhora nos papéis do setor financeiro e a apresentação de um novo parecer da PEC Emergencial. No pior momento do dia, a bolsa chegou a recuar mais de 2,7%.

Há pouco, o senador Marcio Bittar, relator da PEC Emergencial, apresentou um novo texto que deve ser discutido amanhã. Foram retirados do texto a desvinculação dos gastos com saúde e educação, que causaram polêmica na semana passada, e foram mantidos os gatilhos para contenção de gastos no futuro.

Mas isso não significa que o cenário tenha mudado significativamente. Para o economista-chefe da Órama Investimentos, Alexandre Espírito Santo, os ruídos que preenchem o dia de negócios não ajudam em nada e essa melhora pontual se trata mais de uma correção do que uma mudança de cenário. "A gente ainda não tem nem orçamento aprovado e já estamos em março. Então, enquanto a gente não caminha, o mercado vai embutir um prêmio de risco por qualquer ruído", completa.

A cautela que pesou nos mercados hoje tem um reflexo ainda mais forte no dólar à vista, que operava com uma valorização de 1,46%, aos R$ 5,6813 no mesmo horário, mesmo após duas intervenções do Banco Central no câmbio. Ao todo, o BC vendeu mais de US$ 2 bilhões.

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A saga dos combustíveis

O presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou que editará um decreto para isenção de impostos do diesel por dois meses e do gás de cozinha indefinidamente. A notícia, a princípio, parece positiva.

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Mas o presidente apresentou como fará a compensação para retirar esses tributos: aumentar os impostos sobre carros para pessoas com deficiência (PCD), indústria química e instituições financeiras. E isso não é tão positivo.

O CSLL passará de 20% para 25% até 31 de dezembro de 2021, como mostra a edição extra do Diário Oficial da União (DOU), publicada na noite de ontem. Também haverá um aumento de 15% para 20% para distribuidoras de valores mobiliários, corretoras de câmbio, sociedades de crédito, financiamento e investimentos, administradoras de cartões de crédito, sociedades de arrendamento mercantil e associações de poupança e empréstimo.

Existe também um descontentamento cada vez maior com a PEC Emergencial, que não deve trazer um alívio ao cenário fiscal para financiar uma nova rodada do auxílio emergencial, pressionando ainda mais a situação em Brasília, e pode até mesmo ser deixada para a semana que vem (mais uma vez).

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Tempestade perfeita

Jefferson Rugik, diretor superintendente de câmbio da Correparti, explica que o ambiente que observamos hoje no mercado de câmbio pode ser traduzido como uma tempestade perfeita, com o cenário interno falando muito mais alto do que o externo.

Ainda que os bancos e instituições financeiras tenham reduzido a queda e puxam uma recuperação do Ibovespa, cabe ao dólar refletir essa desconfiança do mercado. Com a intervenção estatal, a insegurança volta a rondar os investidores, já que o governo havia prometido não mexer com impostos durante a pandemia. "Isso traz a preocupação de que ele pode aumentar outro tipo de imposto toda vez que sentir um aperto nas contas públicas", explica Rugik.

Segundo o diretor da Correparti, o aumento do número de casos da covid-19 e a adoção de lockdowns em diversos estados também preocupam. "O investidor olha da seguinte forma: o Brasil vai demorar para crescer, porque devo continuar por aqui? Isso levou a uma saída intensa dos investidores estrangeiros, que nem o Banco Central conseguiu segurar".

Para Espírito Santo, da Órama Investimentos, nessa hora de um cenário altamente especulativo, é preciso ter prudência. Para o economista, o patamar de R$ 5,70 para o dólar já precifica um cenário com todas as incertezas que rondam o mercado. "Para mim, a faixa dos R$ 5,40 a R$ 5,60 seria algo muito melhor precificado".

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Confira também o comportamento do mercado de juros futuros, que tem mais um dia de alta expressiva:

  • Janeiro/2022: de 3,88% para 3,94%
  • Janeiro/2023: de 5,80% para 5,90%
  • Janeiro/2025: de 7,47% para 7,59%
  • Janeiro/2027: de 7,07% para 8,24%

Cobertor curto

A informação do aumento de impostos para as instituições financeiras já havia desacelerado os ganhos da bolsa ontem e, sem o exterior positivo, será difícil manter o índice no azul no pregão de hoje. Em relatório, a XP Investimentos afirma que a reação dos bancos foi exagerada, e mantém suas recomendações de investimento em bancos, tendo em vista que a medida é temporária e ainda precisa ser aprovada pelo Congresso.

Para Márcio Lórga, analista da Ativa investimentos, o não faz sentido transferir a conta para outro setor. "Ainda mais em um momento que o governo precisa de arrecadação, essa exoneração não faz sentido", afirma. Ele lembra que a pressão fiscal pode ser ainda maior por causa do auxílio emergencial, mesmo com a PEC emergencial. "O cobertor é curto", lembra ele.

Guedescast

Em entrevista ao podcast Primocast, o ministro da Economia Paulo Guedes afirmou que “é demissível em 30 segundos”, mas que tem a confiança do presidente Jair Bolsonaro. “Se ele confia no meu trabalho, eu consigo executar meu trabalho, está bem”, afirmou. “Se ele não confiar, eu sou demissível em 30 segundos”. 

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Entre outros pontos, Guedes citou dois motivos que fariam com ele abandonasse o cargo: a "perda da confiança" de Bolsonaro e "ir para o caminho errado". No mesmo programa, o ministro falou em “enjaular a besta” dos gastos com a PEC Emergencial, em referência ao auxílio emergencial.

Lá fora

Enquanto isso, as bolsas americanas aumentaram o movimento de realização de lucros nas últimas horas. Por volta das 15h20, os principais índices operavam em queda de cerca de 1%, com exceção do S&P 500, que recua apenas 0,1%.

Destaques da bolsa

Maiores altas

Depois do susto inicial, os bancos se recuperam das perdas registradas na tarde de ontem, após a decisão de Bolsonaro de aumentar a carga tributária para o setor, o que alivia todo o índice em um efeito dominó. As commodities seguem brilhando, principalmente aquelas com exposição ao minério de ferro. Confira as maiores altas do dia:

CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
ITUB4Itaú Unibanco PNR$ 25,56 3,19%
BRAP4Bradespar PNR$ 66,17 2,46%
USIM5Usiminas PNAR$ 17,24 2,31%
VALE3Vale ONR$ 100,84 2,30%
MRFG3Marfrig ONR$ 14,63 2,24%

Maiores baixas

A Braskem recua de forma acentuada nesta tarde, após o governo anunciar a retirada dos estímulos tributários para o setor petroquímico. Na sequência, temos também a Via Varejo, refletindo uma piora na situação da pandemia. Confira as maiores quedas do dia:

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CÓDIGONOME VALORVARIAÇÃO
BRKM5Braskem PNAR$ 30,27 -4,75%
VVAR3Via Varejo ONR$ 11,62 -4,05%
YDUQ3Yduqs ONR$ 27,71 -3,55%
GNDI3Intermédica ONR$ 86,52 -3,52%
UGPA3Ultrapar ONR$ 18,09 -3,52%

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