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Ivan Ryngelblum
Ivan Ryngelblum
Jornalista formado pela PUC-SP, com pós-graduação em Economia Brasileira e Globalização pela Fipe. Trabalhou como repórter no Valor Econômico, IstoÉ Dinheiro e Agência CMA.
calma, gente

XP considera exagerada reação do mercado à alta de impostos sobre bancos

Analistas ponderam impacto que alta do tributo terá no lucro e no valuation e mantêm recomendação de compra para Bradesco e BB

2 de março de 2021
11:51 - atualizado às 18:56
Bancos - Itaú - Santander - Bradesco - Banco do Brasil
Imagem: Montagem Andrei Morais / Estadão Conteúdo / Shutterstock

A decisão do presidente Jair Bolsonaro de zerar os impostos federais sobre o diesel e o gás de cozinha, compensando a renúncia fiscal por meio do aumento de tributos sobre bancos pegou mal nos mercados ontem.

Hoje, as ações dos principais bancões registraram recuperação na B3 desde o início do pregão. As units do Santander (SANB11) fecharam em alta de 3,14%, as ações do Banco do Brasil (BBAS3) fecharam com ganho de 3,84%, s papéis preferenciais do Bradesco (BBDC4) tiveram valorização de 2,68% e os do Itaú Unibanco (ITUB4) avançaram 4,04%.

Os bancos sofreram ontem (1º) com a possibilidade de o governo federal aumentar a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das instituições financeiras para conseguir zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre a comercialização e a importação do óleo diesel e do gás liquefeito de petróleo (GLP) de uso residencial.

Enquanto a alta dos tributos era ainda rumor (o governo anunciou oficialmente a decisão à noite), os investidores já precificaram a decisão, com as ações dos bancos caindo em média 2,7%.

Não só os bancos sofreram. O Ibovespa como um todo sentiu o peso da decisão. Ainda que tenha subido 0,27%, fechando aos 110.334 pontos, o índice poderia ter fechado em uma pontuação ainda maior não fosse a medida.

Mas para os analistas da XP Investimentos, a reação foi exagerada.

Não é para tudo isso

Os analistas Marcel Campos e Paulo Gama fizeram algumas contas e constataram que um aumento permanente de 5% na CSLL teria um impacto sobre o lucro e o valuation dos bancos de aproximadamente 3,7%. 

Esse efeito não muda o cenário base deles, porque eles já consideravam a possibilidade de a CSLL dos bancos ser reajustada em junho de 2020, quando isso foi cogitado como uma forma para o governo lidar com os gastos provocados pela pandemia de covid-19.

Eles também destacaram que é preciso ponderar três questões na hora de analisar a decisão do governo federal:

  • o imposto só deve passar a valer a partir de julho;
  • o impacto é limitado para 2021; e
  • o Congresso ainda tem que aprovar a medida.

“Sendo assim, reiteramos nossa recomendação de compra para Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3) e neutra para Itaú (ITUB4) e Santander (SANB11)”, diz trecho do relatório.

Não é só a XP...

A reação dos mercados contra a decisão do governo também foi vista como exagerada por André Pimentel, sócio da consultoria Performa Partners.

Para ele, a alta da CSLL proposta não deve trazer consequências negativas para os resultados dos bancos, com base na decisão que o governo apresentou.

"Olhando para a dimensão do lucro dos bancos nos últimos trimestres, é uma parcela pequena desse lucro. Portanto, não vejo condições de esse aumento trazer algum tipo de impacto no custo de captação ou de empréstimo dos bancos", disse ele em áudio enviado ao Seu Dinheiro.

Ele admite a possibilidade de queda na rentabilidade, mas ainda assim os bancos vão continuar apresentando um desempenho "muito acima dos pares em outros países".

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