Magazine Luiza (MGLU3), Via (VIIA3) e Americanas (AMER3): as piores ações do Ibovespa em 2021
O Magazine Luiza (MGLU3) desaba quase 75% no ano; Via (VIIA3), Americanas (AMER3), IRB (IRBR3) e Cogna (COGN3) completam o ranking

Com o fim do ano cada vez mais próximo, muitos já começam a criar as resoluções para 2022 — mas, em paralelo, também é hora de fazer um balanço do que foi bom e o que foi ruim em 2021. Na bolsa, há muito o que digerir no lado negativo, com o Ibovespa amargando perdas de mais de 10%. Mas, até mais chamativa que essa perda, é o ranking das piores ações do índice, com Magazine Luiza (MGLU3), Via (VIIA3) e Americanas (AMER3), as gigantes do varejo, encabeçando a lista.
Pois é: o Magalu, sempre tão celebrado por sua história de forte crescimento na última década, amargou uma desvalorização de quase 75% em 2021, fechando o pregão da última quinta-feira (23) a R$ 6,20 e, com isso, retornando ao patamar de preço de meados de 2019.
Pois é: as ações do Magazine Luiza (MGLU3) voltaram aos níveis pré-pandemia. Lembram do otimismo dos investidores quanto ao avanço do e-commerce por causa das restrições sociais impostas pelo Covid? Bem, todos os ganhos relacionados a essa tese foram apagados.
O caso do Magazine Luiza salta aos olhos justamente pelo sucesso acachapante da empresa na bolsa nos anos recentes. É claro que, ao pegarmos um horizonte de tempo mais amplo, os papéis MGLU3 ainda têm um saldo positivo; mas, independente disso, uma queda de 75% em um ano é uma correção muito severa.
O Magalu, no entanto, não está sozinho nessa. Via (VIIA3), com perdas de 71%, e Americanas (AMER3), com desvalorização de 57%, completam o top 3 das piores ações do Ibovespa em 2021, deixando claro que o ano foi terrível para as grandes varejistas online.
Mas, afinal, o que aconteceu?
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A tempestade perfeita do varejo
Há muito o que se pesar na balança. Em primeiro lugar, há o próprio comportamento da economia brasileira, com inflação alta e juros cada vez mais elevados: é uma combinação que desestimula o consumo e afeta especialmente o varejo de itens não essenciais.
Comida, por exemplo, é um produto obrigatório — você precisa se alimentar para viver, afinal. Assim, redes de supermercado e atacarejo, como GPA (PCAR3), Carrefour (CRFB3) e Assaí (ASAI3) não sentem tanto o baque da inflação e da Selic nas alturas. Mas, num contexto em que é preciso fazer escolhas, os eletroeletrônicos, roupas e artigos para o lar ficam para depois.
Essa fraqueza macroeconômica afeta as varejistas de duas maneiras. Por um lado, havia a expectativa de retomada das vendas nas lojas físicas com o avanço na vacinação, mas esse efeito ficou aquém do esperado no terceiro trimestre; por outro, a curva de crescimento do e-commerce tende a ficar menos intensa, dada a reabertura do comércio — e isso sim foi verificado.
Ou seja: os resultados de empresas como Magazine Luiza (MGLU3) e Via (VIIA3) ficaram bastante abaixo das expectativas no trimestre ente julho e setembro, jogando um balde de água fria nos investidores. A galinha dos ovos de ouro começou a dar sinais de cansaço?
Há, ainda, o fator competição: Mercado Livre e Amazon, dois grandes players globais, representam oponentes duros na batalha pela preferência do consumidor. E, ao longo dos últimos meses, grandes sites asiáticos de e-commerce, como Aliexpress, Shoppee e Shein aumentaram sua presença no país, com esforços crescentes de marketing.
Magazine Luiza (MGLU3): corrigindo o valuation
Dito isso, chama a atenção de as três grandes varejistas online da bolsa estarem sofrendo de maneira mais ou menos parecida, apesar das particularidades operacionais e financeiras de cada uma.
Comecemos pela análise de MGLU3: o fato de ela ter se valorizado tanto nos últimos anos a colocou num patamar de preço considerado por muitos como distorcido — o valuation dos papéis encontrava-se em níveis comparados aos das big techs americanas, empresas de grande potencial de crescimento no futuro.
Em março deste ano, por exemplo, as ações do Magalu eram negociadas com um múltiplo de preço/lucro superior a 400 vezes; hoje, o indicador está ao redor de 60 vezes. O EV/Ebitda também passou por uma correção brusca, saindo de 100 vezes para algo próximo de 23 vezes.
Se, por um lado, o valuation de MGLU3 era realmente elevado, por outro esse movimento nos leva a um questionamento fundamental: qual, afinal, é o preço justo para as ações? Se os níveis vistos no primeiro trimestre eram altos demais, será que os patamares atuais não são demasiadamente baixos?
Afinal, por mais que os resultados do terceiro trimestre tenham sido decepcionantes — e que a própria administração do Magazine Luiza tenha admitido que o curto prazo trará enormes desafios ao setor —, fato é que, hoje, a empresa é muito maior que em 2019. Sendo assim, as ações valerem o mesmo que há três anos pode parecer estranho.
No fim, tudo é uma questão de crença na tese de investimento: se você vê potencial para uma continuidade da expansão do Magalu, ainda que em ritmo mais lento, o preço atual pode parecer convidativo. Mas, se você acha que o setor parece arriscado demais no futuro próximo, oferecendo mais riscos que retornos... bem, aí é hora de ficar de fora.
Via (VIIA3) e Americanas (AMER3): olhando com lupa
No caso da Via (VIIA3), também pesou muito o fato de a empresa ter anunciado mais uma provisão bilionária relacionada a questões trabalhistas — essa não é a primeira vez que a companhia faz um movimento do tipo. Quem esperava que os problemas deixados por administrações passadas estivessem sanados, levou um duro golpe.
Mas a mesma lógica do Magazine Luiza se aplica à Via: por mais que o futuro pareça nebuloso e que os itens extraordinários no balanço causem uma corrosão na confiança dos investidores, também é fato que a dona das Casas Bahia e do Ponto Frio cresceu muito nos últimos anos, conquistando terreno no campo das vendas digitais.
Com as perdas acumuladas no ano, VIIA3 está cotada a R$ 4,50, voltando aos níveis de preço de março de 2020, no auge das incertezas da pandemia. Em termos de valuation, ela é negociada com um EV/Ebitda de cerca de 43 vezes.
Já Americanas (AMER3) é um caso bastante sui generis: em linhas gerais, essas ações equivalem às da B2W (BTOW3), o braço de e-commerce do grupo. Além de todas as questões já citadas, há ainda a reorganização societária da Lojas Americanas: o plano é unificar a base acionária com a de LAME4 e LAME3, simplificando a estrutura da empresa.
Enquanto isso não acontece, os investidores mostram-se receosos com as ações de um player 'puro' de varejo digital, considerando a perspectiva de menor demanda pelas vendas on-line com a reabertura do comércio. Cotados a R$ 30,73, os papéis AMER3 também estão nos níveis de 2019, assim como MGLU3; seu EV/Ebitda, hoje, gira em torno de 22 vezes.
Magazine Luiza e as outras perdedoras do ano
Mas nem só de varejo vive a ponta negativa do Ibovespa. Completando o ranking, aparecem IRB (IRBR3), com perdas de 51%, e Cogna (COGN3), com baixa de 50% desde o começo do ano.
O IRB vive um inferno astral há tempos: desde que um embate com a gestora Squadra resultou em perda de credibilidade por parte da empresa — e, como desdobramento, desencadeou uma série de revisões negativas nos balanços — a resseguradora vem sofrendo para ganhar terreno novamente.
A Cogna, por sua vez, se viu numa situação complexa com a pandemia e o fechamento dos campus de faculdades. Amplamente dependente das aulas presenciais, a empresa teve que se adaptar rapidamente às aulas remotas — e essa transição não tem sido muito suave.
Veja abaixo o top 10 das piores ações do Ibovespa em 2021, de acordo com dados da B3:
| Empresa | Código | Setor | Preço (23/12) | Variação no ano |
| Magazine Luiza | MGLU3 | Varejo | 6,20 | -73,97% |
| Via | VIIA3 | Varejo | 4,50 | -71,02% |
| Americanas | AMER3 | Varejo | 30,73 | -57,32% |
| IRB | IRBR3 | Serviços financeiros | 3,91 | -51,13% |
| Cogna | COGN3 | Educação | 2,41 | -50,00% |
| EZTec | EZTC3 | Construção e incorporação | 20,03 | -49,82% |
| Qualicorp | QUAL3 | Saúde | 15,87 | -49,51% |
| Natura | NTCO3 | Varejo | 25,68 | -49,37% |
| Cyrela | CYRE3 | Construção e incorporação | 15,11 | -45,03% |
| Ecorodovias | ECOR3 | Infraestrutura | 7,34 | -43,28% |
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