Hoje é dia de recorde, bebê: Ibovespa dispara e fecha acima dos 122 mil pontos, com brilho de commodities
Dólar fica próximo dos R$ 5,40 em sessão de valorização global

É hoje o dia da alegria... do Ibovespa!
Ou, como diria Christiane Torloni em uma longínqua entrevista no Rock in Rio, ecoando sua personagem Tereza Cristina, a vilã da novela Fina Estampa: hoje é dia de recorde, bebê!
O principal índice acionário da nossa bolsa de valores encerrou a sessão exibindo uma alta vigorosa e finalmente renovou a sua máxima histórica de fechamento. Ontem, o topo histórico do índice havia sido impedido pela invasão do Capitólio.
Hoje não houve invasão, a não ser a de um grande otimismo disseminado entre os investidores, principalmente com as ações de commodities.
Mas isso não é exatamente uma novidade, como falamos no nosso especial de Onde investir em 2021 sobre ações.
Com o dólar no patamar em que está e com a retomada da economia no radar, além de juros baixos, as matérias-primas ficam atrativas. E, se falamos de commodities, é claro que as empresas brasileiras são destaque.
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As ações da Vale, por exemplo, dispararam 7%, após o minério de ferro fechar em alta de 1,8% na China, aos US$ 171,69. Além disso, as ações de siderúrgicas também ficaram entre as principais altas — CSN ON avançou 6,2%, Gerdau PN, 5,6%, e Usiminas PN, 5,3%.
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Enquanto isso, as ações da Petrobras dispararam até 3,3%, em meio à percepção de que os preços do barril de petróleo continuarão em alta.
Papéis de bancos, pesos-pesados no índice, subiram e contribuíram com a pressão de alta — Banco do Brasil ON marcou ganhos de 4,1%.
Se as commodities ajudaram bastante, o ambiente externo não ficou atrás. A boa performance dos mercados de ações globalmente se deveu à certificação do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, pelo Congresso do país. Além disso, o presidente Donald Trump disse que a transição será pacífica.
Em Nova York, os principais índices acionários fecharam em novos recordes — o Nasdaq, de ações de tecnologia, disparou 2,6%.
Além disso, o número de pedidos de seguro-desemprego ficou em 787 mil, abaixo dos 800 mil previstos pelos analistas, na semana passada, o que inflou o sentimento dos agentes financeiros, embora o principal "driver" do movimento seja a perspectiva de estímulos fiscais graúdos com o controle democrata no Congresso.
Por aqui, a eficácia divulgada da Coronavac, a vacina desenvolvida pelo laboratório Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, foi de 78% em casos leves — em casos graves, ela mostrou proteção de 100%.
O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em coletiva de imprensa na tarde de hoje, confirmou que o governo assinou um acordo para comprar 100 milhões de doses do imunizante.
No fim do dia, o Ibovespa marcava alta de 2,76%, para 122.385,92 pontos. Não apenas esta é o maior nível de fechamento do índice, como houve também uma renovação da máxima intradiária: no topo do dia, avançou 3,02%, para 122.696,64 pontos.
Quem sobe, quem desce
Suzano ON e units da Klabin dispararam mais de 7,6% nesta sessão. A Suzano reajustou os preços para celulose de fibra curta, puxando as ações do setor, em meio a um cenário positivo para o mercado de papel e celulose globalmente.
A maior alta do dia no índice chegou a ser do Bradespar, holding que possui fatia na mineradora Vale. No fim das contas, o papel terminou a sessão com valorização superior a 8%, como o segundo maior ganho do Ibovespa.
Entre os bancos, as ações de Itaú, Santander e Bradesco avançaram 2,8%, no mínimo.
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| SUZB3 | Suzano ON | 62,49 | 8,64% |
| BRAP4 | Bradespar PN | 76,38 | 8,28% |
| KLBN11 | Klabin units | 28,13 | 7,61% |
| VALE3 | Vale ON | 102,32 | 7,02% |
| CSNA3 | CSN ON | 38,53 | 6,44% |
Após um 2020 incrível, ações de e-commerce voltaram a perder no começo do ano. Papéis da Via Varejo terminaram entre as principais desvalorizações do dia. Ações de B2W e Magazine Luiza caíram ao menos 1%.
Veja as principais baixas:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| CVCB3 | CVC ON | 19,56 | -3,65% |
| ENGI11 | Engie units | 47,58 | -3,57% |
| CPFE3 | CPFL Energia ON | 30,25 | -3,45% |
| VVAR3 | Via Varejo ON | 15,08 | -2,77% |
| VIVT3 | Telefônica Brasil ON | 43,90 | -2,44% |
Dólar marca valorização global e juros médios e longos têm forte alta
O dólar, por sua vez, fechou em forte alta, de 1,8%, para R$ 5,3990, em linha com a valorização da moeda contra divisas emergentes pares do real e também contra rivais fortes, como euro, libra e iene.
Do ponto de vista local, o presidente Jair Bolsonaro afirmou hoje que, caso não haja voto impresso em 2022, "vamos ter problema pior que os EUA", em reação à invasão do complexo do Capitólio de ontem à tarde.
Segundo Bolsonaro, houve "fraude" nas eleições americanas. Hoje, o presidente Donald Trump disse que haverá uma transição "pacífica" para o governo Biden.
No exterior, o dólar subiu contra rivais fortes acompanhando a alta dos juros dos Treasuries americanos, os títulos públicos emitidos pelo Tesouro do país, conforme indicado pelo Dollar Index (DXY).
As taxas (os chamados yields dos Treasuries) operam em alta com a perspectiva de um endividamento maior do país ao longo dos próximos anos e, deste modo, maiores necessidades de financiamento do governo.
Com isso, os juros futuros locais fecharam em alta ao longo de toda a curva, embora as taxas de prazos menores tenham tido avanços menos intensos, mantendo também os riscos de ordem fiscal no radar.
Os principais avanços foram vistos nas taxas para janeiro/2027, que avançaram 0,25 ponto percentual. Os juros para janeiro/2025 apontaram alta da ordem 18 pontos-base (quase 0,2 ponto), em meio à alta dos juros dos títulos americanos e do dólar ao redor do mundo.
Outra razão para o estresse foi a oferta do Tesouro Nacional de 17,5 milhões de LTNs (Letras do Tesouro Nacional), prefixados curtos, na qual conseguiu vender 16,8 milhões de títulos.
O fato de o lote completo não ter sido vendido elevou principalmente as taxas intermediárias e longas, indicando aumento da percepção de risco no mercado da capacidade do governo brasileiro se financiar, em um momento em que a dívida pública atinge níveis próximos de 100% do PIB.
Os vencimentos de LTNs ofertados eram para abril de 2022 (foram 10 milhões de títulos vendidos integralmente), janeiro de 2023 (4,8 milhões vendidos dos 5 milhões oferecidos) e julho de 2024 (2,03 milhões dos 2,5 milhões oferecidos).
De outro lado, o Tesouro vendeu integralmente a oferta de 1 milhão de LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), indexados à taxa Selic, e de 3,8 milhões de NTN-Fs (Notas do Tesouro Nacional Série F), prefixados longos.
Confira o fechamento dos juros dos principais vencimentos:
- Janeiro/2022: de 2,99% para 3,03%
- Janeiro/2023: de 4,47% para 4,61%
- Janeiro/2025: de 5,98% para 6,16%
- Janeiro/2027: de 6,70% para 6,95%
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