Ibovespa contorna queda do PIB e fecha o dia em alta, mas dólar e juros refletem cautela do mercado com o futuro
A decepção com o PIB pode ter sido superada pelo Ibovespa, mas câmbio e juros sustentaram o ambiente de cautela.

O saldo final do Ibovespa pode ter até sido positivo, mas ele não muda a decepção que o mercado financeiro sentiu nesta quarta-feira (01). Foi um começo e tanto para o mês de setembro — com frustrações vindas de todos os lados, até de onde menos se esperava.
Durante a madrugada, a economia chinesa apresentou mais um dado que aponta para uma desaceleração do gigante asiático mais uma vez pressionando o setor de commodities. Pela manhã, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do segundo trimestre surpreendeu negativamente, e os dados da economia americana também vieram aquém do esperado.
A sopa de letrinhas é confusa. Sem saber se a recuperação da economia brasileira será em V, L, W ou U, a decepção do mercado com o recuo de 0,1% no PIB ante a expectativa de crescimento de 0,2% pôde ser sentida no câmbio e na curva de juros, que mais uma vez teve um dia de inclinação expressiva.
Além de a recuperação econômica e o cenário fiscal preocuparem, a inflação também não dá folga, com o novo aumento da tarifa de energia pressionando ainda mais as projeções para os índices de preços. Confira as taxas de fechamento dos principais vencimentos:
- Janeiro/22: de 6,74% para 6,83%
- Janeiro/23: de 8,47% para 8,59%
- Janeiro/25: de 9,53% para 9,63%
- Janeiro/27: de 9,93% para 10,02%
O dólar à vista até ensaiou uma queda de 0,57% após os dados abaixo do esperado nos Estados Unidos, mas não conseguiu manter o ímpeto e fechou em alta de 0,20%, a R$ 5,1849, na contramão do comportamento da divisa frente a outras moedas emergentes.
O Ibovespa subiu 0,52%, aos 119.395 pontos, mas, para os analistas, o comportamento do principal índice da bolsa brasileira é apenas uma recuperação diante das quedas recentes. As reformas seguem travadas, sem muita perspectiva de andamento e, agora, o mercado tem um crescimento econômico revisado para baixo para digerir.
Leia Também
No noticiário corporativo, o principal destaque fica com a Eletrobras, que deu mais um passo rumo à capitalização, mas tivemos mais novidades. A Jereissati fez uma nova proposta para a fusão com o Iguatemi, e a Oi anunciou o nome da sua nova diretora financeira e de relações com investidores.
O grande balde de água fria
Por aqui, o dia começou com um balde de água fria. Enquanto a mediana de expectativas do mercado era de um avanço de 0,2% no PIB do segundo trimestre, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou um recuo de 0,1%.
Ao comentar sobre o resultado do PIB, o ministro da economia, Paulo Guedes, não mostrou grande preocupação. Para ele, a queda de 0,1% mostrou estabilidade, e o país segue na trajetória de uma recuperação em V. Mas o mercado encara as coisas de outra forma, e a recepção negativa aos números logo no começo do pregão dão uma boa ideia disso.
Tendo em vista que o segundo trimestre foi marcado pelo afrouxamento das medidas de isolamento social para o combate à pandemia após a segunda onda da doença no país, o esperado era que a demanda reprimida e a maior oferta de bens e serviços puxassem a recuperação, o que poderia levar a um “V” no longo prazo. Mas não foi isso o que aconteceu.
Para Fabrício Voigt, especialista de investimentos da Warren, o desemprego alto - ainda que menor do que o projetado pelo mercado - e a variante delta trazem incertezas ao cenário, o que explica o grande volume de aplicações na poupança no período. Ou seja, a demanda seguiu reprimida.
O analista da Warren acredita que o cenário ainda não é tão preocupante, já que o desrepresamento da demanda pode se confirmar, levando a uma trajetória de crescimento com formato muito mais próximo ao de um U, ou um V, tão sonhado por Guedes. Mas o mercado já começa a revisar para baixo as expectativas de crescimento.
Já Alexandre Almeida, economista da CM Capital, é menos otimista. Ainda que a queda tenha sido na margem das expectativas, existiu uma piora considerável na qualidade da atividade econômica - principalmente quando se olha para o setor industrial, que não só sofreu com a falta de insumos, como deve encontrar um cenário mais complicado para realizar investimentos no futuro diante da alta dos juros.
Um dos pontos mais sensíveis para o PIB é o consumo das famílias, que apresentou variação nula no segundo trimestre. Segundo Almeida, ainda que a perspectiva de crescimento para este ano siga relevante, é preciso levar em consideração a situação inflacionária cada vez mais dramática.
“Mais importante do que saber se o formato da curva será um V ou W no longo prazo, é saber qual vai ser a qualidade desse crescimento. Não adianta nada o setor agrícola ir bem, a balança comercial ir bem, se a nossa indústria não apresentar um crescimento equivalente."
- Alexandre Almeida, CM Capital.
Pé no freio global
Importante termômetro para as empresas de commodities brasileiras, a economia chinesa também mostra sinais de enfraquecimento. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial recuou de 50,3 para 49,2, indicando uma contração da atividade.
No começo da semana, o PMI composto já havia mostrado uma desaceleração da economia chinesa. As perspectivas negativas, aliadas ao avanço das restrições à produção de aço no país, levaram o minério de ferro a cair mais de 6%. No mês passado, a commodity acumulou um tombo de 15%.
Nos Estados Unidos, alguns indicadores vieram abaixo do esperado, mas isso não altera significativamente a visão positiva que o mercado tem para a economia americana.
Mais cedo, o relatório da ADP, considerado uma prévia do payroll (que será divulgado na próxima sexta), mostrou que o setor privado americano gerou 374 mil novos postos de trabalho em agosto. O número veio abaixo das 600 mil vagas esperadas pelos analistas consultados pelo The Wall Street Journal. As bolsas americanas fecharam o dia com sinais mistos.
Sobe e desce do Ibovespa
Durante a maior parte do dia, as ações da Eletrobras lideraram as altas do Ibovespa, após o Conselho Nacional de Política Energética aprovar e confirmar o valor dos novos contratos de concessão da estatal que serão pagos após a conclusão do processo de capitalização. O passo era esperado para dar sequência à operação, que agora aguarda a avaliação do BNDES para definir os valores e como o processo de capitalização será feito.
Ao fim do dia, no entanto, os principais destaques ficaram com as empresas exportadoras, favorecidas pela alta do dólar, e as distribuidoras de energia, com a perspectiva de mais uma elevação na tarifa de energia elétrica. Confira as maiores altas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VAR |
| MRFG3 | Marfrig ON | R$ 21,42 | 4,54% |
| CPLE6 | Copel PN | R$ 7,10 | 3,80% |
| AMER3 | Americanas S.A | R$ 42,93 | 3,80% |
| BRFS3 | BRF ON | R$ 24,10 | 2,90% |
| CMIG4 | Cemig PN | R$ 13,88 | 2,74% |
Confira as maiores quedas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VAR |
| TIMS3 | Tim ON | R$ 12,07 | -3,13% |
| PRIO3 | PetroRio ON | R$ 18,62 | -2,87% |
| CIEL3 | Cielo ON | R$ 2,79 | -2,79% |
| HYPE3 | Hypera ON | R$ 34,60 | -2,73% |
| BIDI11 | Banco Inter unit | R$ 66,04 | -2,58% |
ESG
B3 realiza 2ª edição de toque de campainha dedicado à filantropia para levar a causa para dentro das empresas
20 de outubro de 2026 - 13:32DEPOIS DO TOMBO
Com queda de 30% em 2026, TRXF11 quer recomprar cotas, mas um ‘detalhe’ pode limitar a operação
20 de outubro de 2026 - 12:32MERCADOS HOJE
3 mil pontos em 13 minutos: o gatilho que disparou o Ibovespa antes da eleição
20 de outubro de 2026 - 12:04BILHÕES NO RALO
“O investidor trocou Vale por Petrobras”: a combinação que faz a mineradora perder R$ 24 bilhões enquanto o Ibovespa festeja
20 de outubro de 2026 - 10:29FOME RENOVADA
TRXF11 coloca maior centro de distribuição do Mercado Livre (MELI34) na carteira por R$ 250 milhões — mas volta atrás em outro negócio
19 de outubro de 2026 - 10:07'NÃO É HORA DE VENDER'
Ibovespa a 240 mil pontos? Inter explica por que ainda vê espaço para a bolsa subir
18 de outubro de 2026 - 15:30MOVIMENTOS TÁTICOS
Estrangeiros despejam R$ 19 bilhões na bolsa em outubro; desafio agora é transformar aposta eleitoral em fluxo permanente
17 de outubro de 2026 - 12:11RESUMO SEMANAL
Petrobras (PETR4) sobe mais de 6% e escapa do tombo do Ibovespa; veja o que movimentou a bolsa na semana
17 de outubro de 2026 - 9:58MUDANÇA DE ARES
Brasil é a melhor escolha na América Latina: BTG zera posição em Argentina e aposta em oito ações brasileiras
16 de outubro de 2026 - 19:27UM TEMPERO EXTRA
Não é só o rali eleitoral: BTG tem mais motivos para recomendar C&A (CEAB3), XP (XPBR31), Cyrela (CYRE3) e estas outras ações
16 de outubro de 2026 - 18:28DEPOIS DA FESTA
Ibovespa a 240 mil pontos? Mesmo após o rali eleitoral com Flávio Bolsonaro, Inter e Citi ainda veem espaço para a bolsa subir
16 de outubro de 2026 - 14:00TOUROS E URSOS #292
Juros altos vieram para ficar? Gestor da XP diz que investidor terá de reaprender a investir em um novo mundo
16 de outubro de 2026 - 12:17TARDE DEMAIS?
Casas Bahia (BHIA3) paga aluguel ao HSLG11, mas segue devendo ao FII; entenda como fica a ação de despejo
16 de outubro de 2026 - 10:38ALOCAÇÃO TÁTICA
Adeus ao CDI fácil: UBS rebaixa renda fixa pós-fixada e vê espaço para a bolsa brasileira saltar até 25%
15 de outubro de 2026 - 18:07TURNAROUND DA CARTEIRA
BC Fund (BRCR11) ganha força na bolsa com dividendos e mudanças no portfólio no radar; entenda os planos do FII
15 de outubro de 2026 - 17:30Conteúdo Empiricus
Opções: Como driblar o principal desafio deste mercado e buscar oportunidades com potencial de multiplicar o capital investido
15 de outubro de 2026 - 14:00MUDANÇAS EM CURSO
Os ETFs estão fazendo com os fundos o que os fundos fizeram com as ações há mais de 20 anos
15 de outubro de 2026 - 12:45TANQUE CHEIO NA BOLSA
Petrobras (PETR4) bate R$ 800 bilhões em valor de mercado pela primeira vez. O que está por trás do novo recorde?
14 de outubro de 2026 - 16:27O PÓDIO MUDOU
A Vale ficou para trás: BTG Pactual (BPAC11) toma o lugar de VALE3 no pódio das empresas mais valiosas da bolsa
14 de outubro de 2026 - 15:56DE OLHO NO AGRO