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A decepção com o PIB pode ter sido superada pelo Ibovespa, mas câmbio e juros sustentaram o ambiente de cautela.
O saldo final do Ibovespa pode ter até sido positivo, mas ele não muda a decepção que o mercado financeiro sentiu nesta quarta-feira (01). Foi um começo e tanto para o mês de setembro — com frustrações vindas de todos os lados, até de onde menos se esperava.
Durante a madrugada, a economia chinesa apresentou mais um dado que aponta para uma desaceleração do gigante asiático mais uma vez pressionando o setor de commodities. Pela manhã, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do segundo trimestre surpreendeu negativamente, e os dados da economia americana também vieram aquém do esperado.
A sopa de letrinhas é confusa. Sem saber se a recuperação da economia brasileira será em V, L, W ou U, a decepção do mercado com o recuo de 0,1% no PIB ante a expectativa de crescimento de 0,2% pôde ser sentida no câmbio e na curva de juros, que mais uma vez teve um dia de inclinação expressiva.
Além de a recuperação econômica e o cenário fiscal preocuparem, a inflação também não dá folga, com o novo aumento da tarifa de energia pressionando ainda mais as projeções para os índices de preços. Confira as taxas de fechamento dos principais vencimentos:
O dólar à vista até ensaiou uma queda de 0,57% após os dados abaixo do esperado nos Estados Unidos, mas não conseguiu manter o ímpeto e fechou em alta de 0,20%, a R$ 5,1849, na contramão do comportamento da divisa frente a outras moedas emergentes.
O Ibovespa subiu 0,52%, aos 119.395 pontos, mas, para os analistas, o comportamento do principal índice da bolsa brasileira é apenas uma recuperação diante das quedas recentes. As reformas seguem travadas, sem muita perspectiva de andamento e, agora, o mercado tem um crescimento econômico revisado para baixo para digerir.
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No noticiário corporativo, o principal destaque fica com a Eletrobras, que deu mais um passo rumo à capitalização, mas tivemos mais novidades. A Jereissati fez uma nova proposta para a fusão com o Iguatemi, e a Oi anunciou o nome da sua nova diretora financeira e de relações com investidores.
Por aqui, o dia começou com um balde de água fria. Enquanto a mediana de expectativas do mercado era de um avanço de 0,2% no PIB do segundo trimestre, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou um recuo de 0,1%.
Ao comentar sobre o resultado do PIB, o ministro da economia, Paulo Guedes, não mostrou grande preocupação. Para ele, a queda de 0,1% mostrou estabilidade, e o país segue na trajetória de uma recuperação em V. Mas o mercado encara as coisas de outra forma, e a recepção negativa aos números logo no começo do pregão dão uma boa ideia disso.
Tendo em vista que o segundo trimestre foi marcado pelo afrouxamento das medidas de isolamento social para o combate à pandemia após a segunda onda da doença no país, o esperado era que a demanda reprimida e a maior oferta de bens e serviços puxassem a recuperação, o que poderia levar a um “V” no longo prazo. Mas não foi isso o que aconteceu.
Para Fabrício Voigt, especialista de investimentos da Warren, o desemprego alto - ainda que menor do que o projetado pelo mercado - e a variante delta trazem incertezas ao cenário, o que explica o grande volume de aplicações na poupança no período. Ou seja, a demanda seguiu reprimida.
O analista da Warren acredita que o cenário ainda não é tão preocupante, já que o desrepresamento da demanda pode se confirmar, levando a uma trajetória de crescimento com formato muito mais próximo ao de um U, ou um V, tão sonhado por Guedes. Mas o mercado já começa a revisar para baixo as expectativas de crescimento.
Já Alexandre Almeida, economista da CM Capital, é menos otimista. Ainda que a queda tenha sido na margem das expectativas, existiu uma piora considerável na qualidade da atividade econômica - principalmente quando se olha para o setor industrial, que não só sofreu com a falta de insumos, como deve encontrar um cenário mais complicado para realizar investimentos no futuro diante da alta dos juros.
Um dos pontos mais sensíveis para o PIB é o consumo das famílias, que apresentou variação nula no segundo trimestre. Segundo Almeida, ainda que a perspectiva de crescimento para este ano siga relevante, é preciso levar em consideração a situação inflacionária cada vez mais dramática.
“Mais importante do que saber se o formato da curva será um V ou W no longo prazo, é saber qual vai ser a qualidade desse crescimento. Não adianta nada o setor agrícola ir bem, a balança comercial ir bem, se a nossa indústria não apresentar um crescimento equivalente."
- Alexandre Almeida, CM Capital.
Importante termômetro para as empresas de commodities brasileiras, a economia chinesa também mostra sinais de enfraquecimento. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial recuou de 50,3 para 49,2, indicando uma contração da atividade.
No começo da semana, o PMI composto já havia mostrado uma desaceleração da economia chinesa. As perspectivas negativas, aliadas ao avanço das restrições à produção de aço no país, levaram o minério de ferro a cair mais de 6%. No mês passado, a commodity acumulou um tombo de 15%.
Nos Estados Unidos, alguns indicadores vieram abaixo do esperado, mas isso não altera significativamente a visão positiva que o mercado tem para a economia americana.
Mais cedo, o relatório da ADP, considerado uma prévia do payroll (que será divulgado na próxima sexta), mostrou que o setor privado americano gerou 374 mil novos postos de trabalho em agosto. O número veio abaixo das 600 mil vagas esperadas pelos analistas consultados pelo The Wall Street Journal. As bolsas americanas fecharam o dia com sinais mistos.
Durante a maior parte do dia, as ações da Eletrobras lideraram as altas do Ibovespa, após o Conselho Nacional de Política Energética aprovar e confirmar o valor dos novos contratos de concessão da estatal que serão pagos após a conclusão do processo de capitalização. O passo era esperado para dar sequência à operação, que agora aguarda a avaliação do BNDES para definir os valores e como o processo de capitalização será feito.
Ao fim do dia, no entanto, os principais destaques ficaram com as empresas exportadoras, favorecidas pela alta do dólar, e as distribuidoras de energia, com a perspectiva de mais uma elevação na tarifa de energia elétrica. Confira as maiores altas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VAR |
| MRFG3 | Marfrig ON | R$ 21,42 | 4,54% |
| CPLE6 | Copel PN | R$ 7,10 | 3,80% |
| AMER3 | Americanas S.A | R$ 42,93 | 3,80% |
| BRFS3 | BRF ON | R$ 24,10 | 2,90% |
| CMIG4 | Cemig PN | R$ 13,88 | 2,74% |
Confira as maiores quedas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VAR |
| TIMS3 | Tim ON | R$ 12,07 | -3,13% |
| PRIO3 | PetroRio ON | R$ 18,62 | -2,87% |
| CIEL3 | Cielo ON | R$ 2,79 | -2,79% |
| HYPE3 | Hypera ON | R$ 34,60 | -2,73% |
| BIDI11 | Banco Inter unit | R$ 66,04 | -2,58% |
Trégua no Oriente Médio alivia temores sobre energia, derruba o petróleo e impulsiona ativos de risco. Ibovespa avançou mais de 3%, aos 181.931 pontos; o dólar à vista caiu. 1,29%, a R$ 5,2407; Prio foi a única queda
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