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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

FECHAMENTO

Eletrobras dá susto na reta final, mas Ibovespa segue se recuperando do tombo recente; dólar recua

Estatais seguem se recuperando do tombo recente e a bolsa brasileira também conta com uma ajudinha do exterior

Jasmine Olga
Jasmine Olga
24 de fevereiro de 2021
19:02 - atualizado às 20:02
mercados estatais
Imagem: Montagem Andrei Moraes/ Seu Dinheiro

Depois de alguns pregões frenéticos - para o bem ou para o mal -, o Ibovespa teve um dia de relativa paz, ainda que instável durante boa parte do dia e com surpresas na reta final desta quarta-feira (24). No entanto, o desempenho ainda não é suficiente para reverter as perdas recentes.

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Para limpar a barra após episódio de intervenção no comando da Petrobras, anunciado na noite de sexta-feira, o governo utilizou os últimos dias para sinalizar que o fato não significa um rompimento do “pacto liberal” feito com o mercado. Após aumentar as preocupações com ruídos sobre a possibilidade de uso político das estatais ao longo do fim de semana, o governo cedeu em diversos pontos. 

Primeiro, o presidente Jair Bolsonaro reforçou que a política de preços da companhia deve seguir independente. Depois, acompanhado do ministro da Economia, Paulo Guedes, entregou ao Congresso uma Medida Provisória que abre caminho para a tão esperada privatização da Eletrobras.

A sinalização de que o governo segue comprometido com as reformas veio também do presidente da Câmara, Arthur Lira, que ontem voltou a falar em prazos para a reforma tributária e da importância de se aprovar um auxílio emergencial levando em conta o compromisso fiscal,

Do outro lado da balança, pesou o fato de que a PEC Emergencial, que parecia já estar encaminhada e havia sido prometida para entrar em votação amanhã (25), parece ter subido no telhado após as críticas de diversos senadores, o que deve adiar a decisão sobre o auxílio emergencial para a semana que vem. Mais uma vez. 

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Sem maiores novidades no campo corporativo, restou ao Ibovespa seguir o balanço das ondas do mercado internacional. Lá fora, os investidores estavam atentos ao discurso de Jerome Powell, em meio a uma disparada dos juros mais longos americanos. 

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O presidente do Federal Reserve reforçou a importância dos estímulos fiscais e monetários e minimizou os temores de que uma escalada da inflação esteja no radar. Isso foi o suficiente para que as bolsas americanas fechassem o dia no azul.

Aliás, foram as bolsas americanas as responsáveis por refletir a instabilidade na bolsa brasileira, segundo Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura Investimentos. “O mercado externo ficou mais animado, depois de alguns pregões de queda, com receios com relação à taxa de juros. O petróleo e as commodities em geral continuaram subindo. Isso acabou jogando a bolsa para cima”.

A maior alta do dia ficou com o índice Dow Jones, que renovou máximas e avançou 1,44%. Já o S&P 500 e o Nasdaq subiram respectivamente 1,19% e 0,94%.

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O principal índice da bolsa brasileira teve um dia com uma alta mais modesta, de 0,38%, mas retomando o patamar dos 115 mil pontos, visto por muitos analistas como um ponto crítico para o índice, aos 115.667 pontos. O dólar seguiu sua trajetória global e o clima no exterior, recuando 0,40%, a R$ 5,4207. A Petrobras, grande algoz da bolsa na segunda-feira, teve alta superior a 1%.

Em meio às preocupações com o índice de inflação, os investidores também repercutiram, principalmente no câmbio e nos juros, o IPCA-15, divulgado pela manhã. Embora o número tenha vindo menor do que a mediana das expectativas do mercado, o índice, considerado uma prévia da inflação, teve alta de 0,48%, o maior nível para fevereiro desde 2017. O resultado foi pressionado principalmente pela alta dos combustíveis.

Com o resultado, e refletindo também o aumento dos juros longos do Tesouro americano, o mercado de juros seguiu pressionado, precificando a retomada de alta da taxa Selic, hoje em 2% ao ano, já na próxima reunião do Copom. Confira as taxas de fechamento dos principais contratos:

  • Janeiro/2022: de 3,45% para 3,51%
  • Janeiro/2023: de 5,19% para 5,28%
  • Janeiro/2025: de 6,82% para 6,97%
  • Janeiro/2027: de 7,49% para 7,67%

Subindo no telhado?

Ontem, a bolsa brasileira se recuperou pesando as sinalizações de que a intervenção do governo na Petrobras foi pontual e que a agenda de reformas e as pautas econômicas devem seguir caminhando. A apresentação da MP que permitirá a capitalização da Eletrobras foi a cereja do bolo. 

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No começo da noite, o texto foi entregue pelo presidente Jair Bolsonaro, que estava ao lado dos ministros da Economia, Paulo Guedes, de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos. Publicado em edição extra do Diário Oficial, o texto prevê que a União irá iniciar um processo de estudo para a capitalização da companhia, com a diluição da participação do governo por meio da emissão de ações. 

O estudo abrange todas as subsidiárias da Eletrobras, com exceção da Eletronuclear e da Itaipu Binacional. Com a medida, é dada a largada para possibilitar a contratação dos serviços técnicos necessários ao processo de desestatização.

As ações da companhia dispararam 13% ontem e passaram o dia entre as maiores altas do Ibovespa. Mas um “susto” no fim da tarde levou a companhia a figurar no campo negativo. 

Rumores de que a MP havia sido devolvida pelo presidente da casa, Rodrigo Pacheco, pesaram sobre os papéis preferenciais (ELET6), que chegaram a recuar quase 2%. No entanto, a informação foi desmentida pelo Senado. O que existe é uma pressão da oposição para que essa seja a postura adotada por Pacheco. Um pedido foi protocolado pelas lideranças das bancadas de PT, PSB, PCdoB, PDT, PSOL e Rede. Na nota, a defesa é de que a MP carece de urgência "sobretudo no momento atual com a pandemia de covid-19". 

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Mesmo com o encaminhamento da Medida Provisória, o analista Marcio Lórega, da Ativa Investimentos, ressalta que muitos agentes do mercado seguem céticos sobre a possibilidade de privatização, o que deve trazer uma volatilidade maior aos papéis até que haja maior clareza sobre o movimento.

Vale a pena ver de novo

O dia começou agitado, com a repercussão do que até parece notícia velha, de tanto que se repete. A votação da PEC Emergencial, que deve destravar a nova rodada do auxílio emergencial, deve mais uma vez ficar para a semana que vem.

A pauta estava prevista para ser votada na próxima quinta-feira (25), mas, devido às críticas, deve passar por alterações. No texto atual, o governo retira os gastos mínimos com saúde e educação, fazendo com que o montante total destinado a esses setores seja revisto todos os anos. Na leitura dos analistas da XP Investimentos, a proposta da PEC é positiva "dadas as condições de contorno". O risco fica justamente com a capacidade de aprovação do texto.

Existe também uma preocupação com a desidratação do texto, fazendo com que os parlamentares só aprovem o necessário para destravar o auxílio. Durante a tarde, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, confirmou que a pauta segue na agenda de quinta-feira, mas que pode, de fato, ser adiada para a semana que vem. 

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Powell em destaque

No exterior, o mercado ficou de olho em mais uma participação do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, na Câmara dos Representantes. Em meio à retomada das principais economias do globo, preocupa o estágio da inflação, o que pode obrigar os BCs a apertarem novamente suas políticas monetárias. Também causa preocupação a disparada dos títulos do Tesouro Americano, o que pressiona o câmbio e também o mercado de juros brasileiro.

Nesta manhã, os juros longos dos Estados Unidos alcançaram a máxima do ano, alimentados pela ideia de que os estímulos fiscais abundantes irão resultar em inflação. Em participação no Congresso, Powell voltou a sinalizar que, para uma economia forte, é preciso haver estímulos monetários e que não enxerga riscos para a inflação no longo prazo, que deve ficar ancorada em 2%.

Durante a madrugada, as bolsas asiáticas fecharam em queda. Refletindo um otimismo com números mais brandos da pandemia, o dia também foi positivo para os negócios na Europa.

Sobe e desce

A Braskem liderou as altas do dia, repercutindo a notícia de que a subsidiária mexicana da companhia está próxima de um acordo com o governo do México, o que permitira a retomada integral das atividades no país.

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Mesmo após o susto com a situação da MP, a Eletrobras também seguiu em destaque. Repercutindo a alta do minério de ferro, a Usiminas foi um dos destaques positivos. Já a Gerdau repercutiu dados positivos do seu balanço do quarto trimestre de 2020.

Confira as principais altas do dia:

CÓDIGONOME ULT VARIAÇÃO
BRKM5Braskem PNAR$ 33,1410,14%
USIM5Usiminas PNAR$ 17,249,53%
EMBR3Embraer ONR$ 13,106,07%
GGBR4Gerdau PNR$ 27,145,48%
ELET6Eletrobras PNBR$ 34,004,94%

Confira também as maiores quedas do dia:

CÓDIGONOME VALORVARIAÇÃO
CRFB3Carrefour Brasil ONR$ 19,80-2,61%
LREN3Lojas Renner ONR$ 37,32-2,46%
LAME4Lojas Americanas PNR$ 26,60-2,31%
SANB11Santander Brasil unitsR$ 39,44-2,18%
ENGI11Engie unitsR$ 46,13-1,64%

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