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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

FECHAMENTO

Bolsa, dólar e juros terminam o dia no vermelho com repercussão do Orçamento e novo plano Biden

Plano de Biden de aumentar impostos não agradou o mercado e a perspectiva de nova injeção de estímulos puxou para baixo o dólar. Já os juros futuros recuaram de olho na sanção do Orçamento

Jasmine Olga
Jasmine Olga
22 de abril de 2021
18:45 - atualizado às 19:52
tudo em queda, bolsa, dólar e juros
Imagem: Shutterstock

Em um movimento pouco frequente, a volta do feriado foi marcada por tudo no vermelho. Focando em pautas distintas, bolsa, dólar e juros fecharam o dia em queda - os dois últimos com uma movimentação mais expressiva do que a do Ibovespa. 

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Ontem a bolsa estava fechada, mas os mercados internacionais tiveram um dia positivo. Por aqui, até começamos a sessão nos ajustando aos ganhos da véspera, mas não foi possível manter o ritmo. Conforme os negócios em Nova York se deterioraram, o leve otimismo com a sanção do Orçamento e com o discurso neutro de Bolsonaro na Cúpula do Clima deu lugar à cautela. 

O que afundou o dólar à vista e as bolsas globais nesta quinta-feira (22) foi o plano do presidente Joe Biden de aumentar drasticamente o imposto sobre ganho de capital. A medida deve ajudar a financiar os pacotes trilionários de estímulos que já foram anunciados e também reforçar um novo plano de estímulos às famílias americanas que deve ser anunciado na próxima semana e que também deve ser orçado na casa dos trilhões. 

Desde o começo da crise, injeção de dólar é o que não falta no mercado. A perspectiva de uma nova enxurrada da moeda acelera a depreciação da divisa perante os seus pares. Após o anúncio de Biden, o dólar à vista encerrou o dia em queda expressiva de 1,73%, a R$ 5,4546 - nível mais baixo desde fevereiro.

Na bolsa, a primeira parte do dia foi de alta volatilidade, mas a cautela passou a dominar com o temor de um leão mais voraz nos Estados Unidos. Com isso, o Ibovespa encerrou o dia em queda de 0,58%, aos 119.371 pontos. 

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Leão voraz

Antes mesmo da corrida presidencial norte-americana ganhar corpo, um democrata no poder era visto pelo mercado como um risco para a elevação de impostos. Desde que assumiu a Casa Branca, Joe Biden não tem decepcionado. 

Leia Também

Para financiar os trilhões de dólares dos pacotes de estímulos, Biden já havia anunciado planos para mexer nos impostos corporativos. Hoje foi a vez de “atacar” os cidadãos mais abastados do país. Na próxima semana, é esperado o anúncio de mais US$ 1 trilhão para socorrer as famílias americanas. Desde o começo da crise, mais de US$ 4 trilhões já inundaram o mercado americano, o que leva a um enfraquecimento da moeda. 

Como financiar tudo isso? O imposto sobre ganho de capital deve sair da casa dos 20% e superar os 43%, com o objetivo de arrecadar cerca de US$ 170 bilhões em 10 anos. O governo democrata afirma que famílias que recebem menos de US$ 400 mil por ano não devem se preocupar, mas é possível que outros impostos também acabem sendo alterados. 

“Esses trilhões de dólares não entram no mercado do dia pra noite, mas o mercado vive de expectativas”, pontua Bruno Musa, economista e sócio da Acqua Investimentos. Isso ajuda a explicar a queda acentuada do dólar hoje e a cautela que predominou nas bolsas. As bolsas americanas fecharam com um recuo próximo de 1%. O Dow Jones caiu 0,94%, o S&P 500 recuou 0,92% e o Nasdaq teve queda de 0,94%. 

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Nem mesmo a recuperação do mercado de trabalho americano animou. O número de pedidos de auxílio desemprego caiu para 547 mil na última semana - o menor nível desde o início da pandemia de coronavírus. Os índices em Wall Street chegaram a ensaiar uma recuperação, mas o aumento de impostos no horizonte falou mais alto.

Panorama global

As bolsas da Ásia fecharam majoritariamente em alta durante a madrugada, mesmo com alguns países da região voltando a encarar uma nova onda do coronavírus. Na Europa, os principais índices operam no azul, após o Banco Central Europeu (BCE) manter a sua política monetária inalterada, como já era esperado. 

Capítulo final

Eu sei que nas últimas semanas tenho dito repetidamente que a novela do Orçamento está chegando ao fim. É que as coisas (mais uma vez) não andaram no ritmo que o mercado estava esperando. Mas, dessa vez, o tema finalmente deve parar de obstruir as pautas no Congresso. 

Hoje termina o prazo para o presidente da República, Jair Bolsonaro, sancionar o projeto de Lei Orçamentária para 2021, uma novela que se arrasta há mais de cinco meses. Até a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2022 já foi apresentada sem que tivéssemos um orçamento aprovado. 

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O acordo que abriu caminho para que o texto seja sancionado (com cinco meses de atraso) trouxe um misto de sentimentos ao mercado. Por um lado, a ideia de deixar pelo menos R$ 125 bilhões fora do teto de gastos agrava a situação fiscal do país.

Por outro, os investidores estão aliviados com o fato de que a história finalmente teve um desfecho. Por melhor ou pior que seja, o Brasil precisava de um orçamento aprovado. O importante é tirar o risco de responsabilidade fiscal do radar e não comprometer a meta do déficit primário, ainda que o texto traga outras consequências no futuro.

Paulo Guedes é um dos descontentes, mas afirmou que, pelo menos agora, o Orçamento para 2021 é “exequível”. Os gastos que ficaram fora do teto incluem uma nova rodada do benefício para trabalhadores que tiverem os salários cortados (BEm) ou contratos suspensos e uma nova linha de crédito para micro e pequenas empresas (Pronampe). 

Vivendo de expectativas

Na expectativa de que o fim da novela do Orçamento destrave a agenda de reformas, os juros futuros encararam mais um dia de alívio expressivo - o que vem sendo uma tendência na última semana. 

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O economista da Acqua Investimentos aponta, no entanto, que o arrefecimento do risco fiscal com a eventual sanção do orçamento é sim uma das razões para o movimento, mas é preciso notar que os juros vêm em uma alta absurda desde o começo do ano, principalmente após fevereiro e as sinalizações de que a Selic inicia o seu ciclo de normalização. 

Assim que um acordo começou a ser costurado entre Executivo e Congresso, as principais taxas refletiram essas expectativas. Com a sanção no radar, abriu-se um espaço para mais uma correção. Confira as taxas do dia:

  • Janeiro/2022: de 4,69% para 4,62%
  • Janeiro/2023: de 6,38% para 6,19%
  • Janeiro/2025: de 7,98% para 7,72%
  • Janeiro/2027: de 8,63% para 8,37%

“A gente acha que as quedas recentes são expressivas, mas esquecemos que no ano os juros longos andaram mais ou menos 40%. A gente está tendo uma correção de cerca de 6% em 5 dias, mas ainda tem muito espaço para corrigir se houver uma melhora no quadro fiscal” - Bruno Musa, economista

Limpando a barra

A participação do Brasil na Cúpula do Clima, evento convocado pelo presidente americano Joe Biden, vem sendo acompanhada de perto pelos investidores. A forma como a questão ambiental vem sendo administrada no país é motivo de tensão, e a atuação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, é criticada em todo o mundo.

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Buscando limpar a imagem do país lá fora e incentivar o investimento estrangeiro no país, Bolsonaro fez um discurso que foi considerado neutro e sem novidades pelos analistas. Durante o pronunciamento, o presidente Jair Bolsonaro falou sobre os esforços brasileiros para reduzir os efeitos do aquecimento global, prometeu reduzir a emissão de gases até 2050 e eliminar o desmatamento ilegal. O presidente também falou em cobrança de "juro e remuneração pelos nossos serviços ambientais" e pediu ajuda internacional para financiar novas medidas. 

João Guilherme Penteado, CEO da Apollo Investimentos, aponta que a sinalização de maior rigor ambiental e aderência às políticas de conservação são positivas para a visão de outros países sobre o Brasil, mas o histórico atual do governo joga contra esse discurso. “Para maior previsibilidade sobre o impacto disso no mercado, antes precisamos ver se haverá medidas práticas a esse respeito.” 

Sobe e desce

Em um ajuste positivo após o feriado e na expectativa de números fortes do primeiro trimestre, as siderúrgicas subiram em bloco, favorecendo o desempenho do Ibovespa. Na sequência, tivemos Azul e Gol, empresas que se beneficiam do recuo do dólar e da expectativa de chegada de novas doses de vacinas contra o coronavírus - o Instituto Butantan anunciou o início da produção de mais cinco milhões de doses. Confira as maiores altas do dia:

CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
USIM5Usiminas PNAR$ 22,305,79%
CIEL3Cielo ONR$ 3,865,75%
CSNA3CSN ONR$ 48,894,78%
GOLL4Gol PNR$ ,134,10%
GGBR4Gerdau PNR$ 33,393,47%

Seguindo o movimento visto no começo da semana, os papéis das Lojas Renner seguiram em forte queda, repercutindo a possível aquisição da Dafiti com os recursos da nova oferta de ações. As ações da Hapvida e da Intermédica recuam após a primeira ter anunciado o valor do seu follow on, com um desconto de quase 2% nas ações. Confira também as maiores quedas do dia:

CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
LREN3Lojas Renner ONR$ 41,05-5,41%
SUZB3Suzano ONR$ 69,60-3,72%
MULT3Multiplan ONR$ 23,20-3,05%
HAPV3Hapvida ONR$ 14,86-2,75%
LAME4Lojas Americanas PNR$ 22,13-3,15%

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