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2021-03-10T10:09:24-03:00
Jasmine Olga
Jasmine Olga
É repórter do Seu Dinheiro. Cursa jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
FECHAMENTO

Otimismo com PEC Emergencial e NY em alta falam mais alto, e bolsa tem dia de recuperação – mas a cautela reflete no dólar

Lá fora, o bom desempenho das ações da Tesla, aliada a uma queda dos juros futuros americanos, puxaram as bolsas americanas e acabou refletindo positivamente também no Ibovespa

9 de março de 2021
19:19 - atualizado às 10:09
Congresso Mercados Gráfico
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Se você está esperando ler sobre mais um dia de reviravoltas e surpresas no mercado financeiro brasileiro pode ficar um pouco decepcionado com as movimentações desta terça-feira (09). Comparado com ontem, as últimas horas foram bem menos emocionantes.

Um dia após serem pegos no contrapé pela notícia de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve os seus direitos políticos restaurados - pesando ainda mais o conturbado cenário doméstico e antecipando os burburinhos em torno da corrida presidencial de 2022 - os investidores optaram por um movimento de recuperação parcial. 

As notícias que alimentaram esse movimento foram as bolsas americanas em um dia fortemente positivo e reafirmações em Brasília de que a PEC emergencial não será desidratada, o que aliviou o temor fiscal do mercado. 

Ainda que o saldo do dia tenha sido positivo, o dia foi mais uma vez de alta volatilidade - como tem sido a norma - e, segundo os analistas, deve seguir assim por mais um bom tempo. A bolsa brasileira variou de uma alta de 1,73% até uma queda de 1,75%, fechando o dia em alta de 0,65%, aos 111.330 pontos - desempenho insuficiente para apagar a queda de 4% registrada ontem, no calor da emoção. 

A cautela com o cenário de incertezas recaiu então sobre a valorização do dólar perante o real - o que costuma ser um bom termômetro do risco que os investidores estão dispostos a encarar. A moeda americana também teve um dia alta volatilidade, indo de uma queda de 0,15% até uma alta de 1,66%. No fim, a moeda americana avançou 0,33%, aos R$  5,7974, na contramão do exterior. Lá fora, a divisa teve um dia de queda perante outras moedas emergentes. 

O Credit Default Swap (CDS) de 5 anos, outro indicador importante de risco-país, também desacelerou a alta com a melhora no exterior e a sinalização com o compromisso fiscal. O mercado de juros futuros, que operava em forte alta, também passou por um alívio. Ainda assim, a curva de juros já precifica uma Selic próxima de 6% ao fim de 2021. Confira o fechamento das principais taxas de hoje:

  • Janeiro/2022: de 3,99% para 4,00%
  • Janeiro/2023: de 5,78% para 5,78%
  • Janeiro/2025: de 7,40% para 7,35%
  • Janeiro/2027: de 8,01% para 7,99%

Um olho no peixe...

Desde o começo das negociações os investidores ficaram monitorando principalmente o clima em Brasília, já que ontem o presidente Jair Bolsonaro falou sobre uma possibilidade de desidratação da PEC emergencial. Além disso, o caos no sistema de saúde, com o agravamento da pandemia, também preocupa - há pouco foi divulgado um boletim com 70.764 novos casos e 1.972 óbitos.

O Ibovespa, que abriu o dia em queda, só ganhou força quando os primeiros sinais de que as vontades do presidente não iriam prevalecer no texto final começaram a aparecer. Primeiro foi uma fala do deputado Daniel Silveira, relator da PEC Emergencial na Câmara, que disse que o texto que será votado amanhã (10) deve ser "exatamente o que veio do Senado". 

Ontem, o presidente Jair Bolsonaro gerou mais ruídos ao dizer que uma PEC paralela poderia ser criada e que a pauta só passaria pela Câmara se houvesse a retirada de três dispositivos. O movimento tinha o apoio da bancada da segurança pública na Câmara, já que um desses trechos liberaria a progressão e promoção de servidores públicos em novas situações de crise. 

Mais tarde, o presidente da Câmara, Arthur Lira, confirmou que a PEC não será desidratada. Lira afirmou que o relator da PEC deve manter a "ideia base" do texto aprovado pelo Senado, após reunião com líderes governistas para convencer o relator a não desidratar o texto com a proposta feita por Jair Bolsonaro e manter uma "previsibilidade das ações".

As declarações aliviaram a tensão do mercado com relação ao cenário fiscal, que poderia ficar ainda pior sem os gatilhos propostos pelo texto para balancear as despesas com o auxílio emergencial, comprometendo o ajuste fiscal, tema sensível que tem persistido durante toda a crise do coronavírus. 

… E outro no gato!

A reação hoje pode ter sido mais comportada, mas o mercado ainda está de olho nos desdobramentos da ordem do ministro do Superior Tribunal Eleitoral (STF) Edson Fachin que foi tomada ontem (08) e que anulou todas as decisões tomadas pela 13ª Vara Federal de Curitiba que envolviam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Lava Jato, devolvendo assim os seus direitos políticos.

Com o retorno de Lula ao cenário político, o mercado teme uma guinada populista na agenda do presidente Jair Bolsonaro, o que pode comprometer a saúde fiscal do país em um momento de crise. A polarização e a antecipação do cenário eleitoral também podem acabar atrapalhando o andamento de temas prioritários no Congresso - como as reformas.

Fábio Galdino, sócio da Vero Investimentos, acredita que ainda é muito cedo para julgar os efeitos da decisão sobre Lula ou afirmar uma tendência para a bolsa brasileira, mas é possível destacar a influência de todas essas incertezas quando observamos o dólar. “A reação do mercado é sempre um pouco exagerada com notícias políticas. Hoje a bolsa reagiu da forma que deveria reagir: não corrigindo toda a queda de ontem, mas com uma mudança de humor importante”.

De carona com Elon Musk

Em meio a tantas incertezas locais, o mercado financeiro doméstico recebeu com alívio os ventos positivos que chegaram de Nova York. 

Em dia de trégua na alta dos rendimentos dos títulos públicos americanos, e que contou com leilões do Tesouro, as bolsas em Wall Street aproveitaram para engatar uma recuperação. Além disso, existe a expectativa de que o pacote de US$ 1,9 trilhão seja aprovado na Câmara dos Representantes nos próximos dias. 

O Nasdaq, que vem sendo bem castigado nas últimas semanas, pegou carona no desempenho de gala registrado pelas ações da Tesla nesta tarde e registrou ganhos de 3,69%. Enquanto isso, o Dow Jones teve uma alta de 0,10% e o S&P 500 avançou 1,42%. 

As ações da empresa do bilionário Elon Musk subiram mais de 19% após sinais de que a companhia vem ganhando mercado na China. Os papéis amargam perdas significativas nas últimas semanas.

Sobe e desce

A cotação do dólar impulsionou as ações dos frigoríficos e também da Suzano. Além disso, o setor de proteínas tem registrado uma série de balanços trimestrais fortes.

A Totvs confirmou há pouco a compra da empresa de marketing digital RD Station por R$ 1,8 bilhão. Confira as maiores altas do dia:

CÓDIGONOME VALORVARIAÇÃO
BEEF3Minerva ONR$ 10,20 6,14%
BRFS3BRF ONR$ 24,65 5,98%
SUZB3Suzano ONR$ 79,18 5,06%
BRKM5Braskem PNAR$ 31,49 4,27%
TOTS3Totvs ONR$ 29,52 4,05%

Na ponta contrária, o destaque negativo fica com o setor de varejo e o de construção, que refletem o temor com as novas medidas de isolamento social e a progressão da pandemia em solo brasileiro. Além disso, Lojas Americanas e B2W apresentaram resultados que não agradaram o mercado recentemente. Confira as maiores quedas:

CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
LAME4Lojas Americanas PNR$ 21,00 -5,70%
BTOW3B2W ONR$ 63,14 -5,25%
VVAR3Via Varejo ONR$ 10,98 -4,85%
HGTX3Cia Hering ONR$ 14,40 -4,06%
EZTC3EZTEC ONR$ 28,87 -3,93%
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