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Reviravolta política

Vem aí o Lula 3? Como a volta do ex-presidente ao xadrez político pesa nos seus investimentos

Ainda sob o impacto da notícia, eu conversei com gestores de fundos e analistas ao longo da tarde e da noite de ontem e trago cinco razões para o alvoroço dos investidores com a volta de Lula

Ex-presidente Lula
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Imagem: Ricardo Stuckert/Fotos Públicas

A estrela de Lula voltou a brilhar após a surpreendente decisão do ministro do Superior Tribunal Eleitoral (STF) Edson Fachin de anular as condenações que envolviam o ex-presidente na Lava Jato. Já no mercado financeiro, a possível liberação da candidatura do petista nas eleições de 2022 caiu como um meteoro.

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[captacao]

Poucos minutos depois da notícia, o Ibovespa ampliou as perdas do dia para amargar uma queda de 4% no fechamento. Na direção oposta, o dólar disparou 1,67%, para a casa dos R$ 5,77.

Mas por que a volta de Lula ao tabuleiro político pesou tanto na bolsa e no dólar? E o que isso representa para os seus investimentos? É claro que é cedo para dar qualquer veredicto — com o perdão do trocadilho.

O que é certo por enquanto é que teremos mais volatilidade adiante, com o noticiário político se sobrepondo mais uma vez à agenda econômica no desempenho da bolsa, do dólar e do rendimento dos títulos do Tesouro Direto.

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Vale lembrar que a decisão do STF sobre Lula chega no momento em que a sensibilidade dos investidores às movimentações de Brasília já estava à flor da pele, depois que o presidente Jair Bolsonaro decidiu trocar o comando da Petrobras.

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Então, se você tem baixa tolerância a fortes oscilações, talvez seja a hora de diminuir o risco da carteira — assim que a poeira assentar — e reforçar as clássicas proteções contra catástrofes, como o dólar e o ouro.

Ainda sob o impacto da notícia, eu conversei com gestores de fundos e analistas ao longo da tarde e da noite de ontem e trago a seguir cinco razões para o alvoroço dos investidores com a volta de Lula ao xadrez político:

1 - O mercado não gosta de Lula

Os movimentos da bolsa, principalmente os de curto prazo, são bem menos racionais do que gostariam os defensores da “soberania dos mercados”. Então pode-se dizer que houve uma certa dose de exagero na forte queda do Ibovespa ontem, enquanto que a corrida ao dólar é mais justificada diante de uma perspectiva de maior aversão ao risco.

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Feita essa ressalva, é justo dizer que o “tal” mercado não gosta do ex-presidente Lula, e isso também pesou nos movimentos de ontem.

A primeira imagem que vem à mente daqueles que operam nas bolsas de forma profissional ainda é a do político que prometia dar o calote na dívida e romper contratos, e não a do governante que acabou com a dependência do país do FMI — e sem dever nenhum centavo. O que nos leva ao segundo ponto.

2 - “Paz e amor” ou “Jararaca”?

Se o mercado desconfia de Lula, tem boas razões para tal. O ex-presidente possui pelo menos duas facetas conhecidas e antagônicas entre si.

A primeira é a do “Lulinha paz e amor”, que saiu vitorioso nas eleições de 2002 e, ao chegar ao poder, sustentou o tripé formado pelo ajuste fiscal, dólar flutuante e metas de inflação.

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A segunda versão é a “Jararaca”, uma referência ao famoso discurso do ex-presidente ao se ver acuado pelas acusações de corrupção levantadas pela operação Lava Jato e que o levou a ser condenado em três instâncias do Judiciário.

Na dúvida sobre qual Lula vai emergir em uma eventual campanha presidencial, os investidores preferem não correr o risco e acabam saindo de ativos mais voláteis como a bolsa.

3 - Aumento da polarização política

Seja qual for o Lula que pode enfrentar Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022, se o plenário do STF confirmar a anulação das condenações, a volta do petista deve aumentar o já conturbado cenário político.

A eventual presença de Lula deve aumentar a polarização política e praticamente dar fim às chances de uma terceira via na sucessão de Bolsonaro, que poderia ser desde um candidato mais à esquerda, como Ciro Gomes, ou nomes mais queridos do mercado, como os do apresentador Luciano Huck ou do governador de São Paulo, João Doria.

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4 - Antecipação do risco eleitoral

Ninguém esperava vida fácil para a bolsa no ano de eleições presidenciais. Mas o risco de que os impactos do calendário eleitoral chegassem ao mercado com mais de um ano de antecipação tampouco estava nos planos.

Com a entrada de Lula na disputa, as declarações sobre o rumo da política econômica a partir de 2023 já devem começar a ser incorporadas nos preços dos ativos a partir de agora.

5 - Aumento do “risco Bolsonaro”

Se para toda ação existe uma reação, o mercado passou a temer como Bolsonaro vai se comportar até as eleições com a perspectiva de enfrentar Lula em um eventual segundo turno.

Para um gestor de fundos com quem eu conversei, são dois os possíveis caminhos. O primeiro seria uma reconciliação do presidente com os ideais liberais na economia como forma demarcar uma distância do petista e apontá-lo como radical.

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O segundo — e mais provável — Bolsonaro que pode emergir com a volta do rival é sua versão mais populista. Com isso, novas medidas que envolvam um aumento desordenado dos gastos públicos e intervenções em estatais com o objetivo de conquistar votos tende a piorar ainda mais o humor dos investidores — e pesar sobre a bolsa e o dólar.

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