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2021-02-09T19:55:47-03:00
Jasmine Olga
Jasmine Olga
É repórter do Seu Dinheiro. Cursa jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
FECHAMENTO

BC tenta segurar dólar, mas preocupação fiscal fala mais alto; Ibovespa recua 0,19%

A moeda americana chegou a disparar mais de 1,3% antes da atuação do Banco Central, que anunciou dois leilões de swap. Na bolsa, o dia foi de alta volatilidade, e a cautela falou mais alto

9 de fevereiro de 2021
19:29 - atualizado às 19:55
Dólar subindo
Imagem: Shutterstock

A sessão desta terça-feira (09) foi daquelas imprevisíveis e cheias de alta volatilidade. Mas, ao contrário do que os gráficos parecem dizer, o noticiário não se moveu com a mesma intensidade. Isso porque o motivo que balançou os mercados hoje estava servido à mesa desde o início do dia: a tensão em Brasília e o desconforto com o cenário fiscal.

Depois de um dia de cabo de guerra entre as pressões positivas e negativas, o saldo final foi marginal — tanto no câmbio (onde nem mesmo o Banco Central conseguiu virar o jogo) quanto na bolsa. No entanto, fique atento. Esse devem continuar sendo os focos de atenção dos próximos dias. 

Time vermelho

Não é mais segredo que os congressistas pressionam o governo para que novas medidas de auxílio à população sejam pautadas. Quanto mais a situação da pandemia se mantém em níveis preocupantes, mais inevitável são as novas rodadas de pagamento do auxílio emergencial — por isso cada notícia sobre o andamento da vacinação importa.

Sem conseguir fugir de um novo benefício, o mercado espera que o governo encontre formas de financiar a medida sem que o teto fiscal seja pressionado. Na semana passada, com a eleição de Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, os investidores haviam precificado um aceno ao equilíbrio fiscal, mas alguns comentários do novo presidente da Câmara deixaram o mercado desconfortável. 

Rodrigo Pacheco afirmou ontem que não vê a necessidade de atrelar as novas parcelas do auxílio emergencial às PECs que já estão no Congresso. Em resumo, isso significa a falta de uma contrapartida ao financiamento, o que não são boas notícias para os cofres públicos, mesmo que o governo venha preparando o terreno ao dizer que a parcela deverá ser de no máximo R$ 200 e atenderá um número menor de pessoas.

A posição vai na contramão do que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o ministro da Economia, Paulo Guedes, vêm dizendo. Mais cedo, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, também se mostrou contra a falta de contrapartidas para manter o cenário fiscal controlado. O senador Roberto Rocha, presidente da comissão mista da reforma tributária do Congresso, chegou a ventilar como possibilidade uma possível volta da CPMF, o controverso imposto sobre movimentação financeira, de forma limitada, como forma de financiar o auxílio.

Além de toda a preocupação com o quadro fiscal, temos também a desconfiança do mercado com relação a Petrobras ainda fazendo preço. A desconfiança com relação à falta de transparência da estatal ainda não foi dissolvida. Os papéis ordinários e preferenciais da companhia até tentaram uma recuperação e chegaram a subir no início do pregão, mas acabaram fechando o dia em queda de mais de 2%, o que pressiona negativamente o Ibovespa. 

Time azul

Do outro lado do mercado, tivemos alguns elementos que influenciaram de forma positiva os negócios. 

Logo cedo, foi a inflação oficial que surpreendeu. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA),registrou uma alta de 0,25% em janeiro, segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Essa foi a menor leitura desde agosto e veio abaixo do consenso de mercado, que era de alta de 0,30%. Ainda assim, analistas acreditam que a leitura de que o Banco Central deve voltar a elevar a taxa de juros já na próxima reunião deve se manter inalterada. Ainda assim, a curva do mercado de juros repercutiu o número. 

Ainda falando em Brasília, as expectativas positivas ficaram por conta da votação da autonomia do Banco Central, no fim do dia.

As bolsas no exterior operaram a maior parte do dia de forma mista e assim seguiram até o fechamento, pesando as expectativas com a aprovação do pacote fiscal e a tensão em torno do julgamento do impeachment de Donald Trump no Senado. O Nasdaq renovou o seu topo histórico mais uma vez, ao subir 0,14%, mas o Dow Jones e o S&P 500 recuaram respectivamente 0,03% e 0,11%. 

Segundo Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora de Câmbio, o cenário doméstico é o que segue estressando o dólar, que hoje chegou a bater R$ 5,44 na máxima, o Banco Central entrou em ação e anunciou não um, mas dois leilões de swap. No primeiro, foram oferecidos 20 mil contratos. Em seguida, um saldo remanescente de 5 mil contratos foi comercializado, totalizando US$ 1 bilhão. 

Saldo do dia

O dólar à vista chegou a zerar os ganhos do dia e até ceder, seguindo o comportamento da moeda frente a maioria das outras moedas, mas foi insuficiente. No fim do dia, a divisa teve leve alta de 0,19%, a R$ 5,3829. 

Os leilões realizados pelo Banco Central e a reação do mercado aos números do IPCA ajudaram os mercados de juros futuros com vencimentos mais longos a fecharem em alta, enquanto o médio e longo prazo ficaram próximos da estabilidade. Confira as taxas de fechamento do dia:

  • Janeiro/2022: estável em 3,40%
  • Janeiro/2023: de 4,95% para 5,00%
  • Janeiro/2025: de 6,38% para 6,48%
  • Janeiro/2027: de 7,04% para 7,12%

Enquanto o dólar avançou 0,19%, a bolsa brasileira recuou o mesmo porcentual, a 119.471,62 pontos, depois de ter caído mais de 1,20%.

Enquanto a maior pressão negativa veio das ações da Petrobras, o setor financeiro subiu em bloco, o que beneficiou o saldo final. 

Sobe e desce

As ações da Sabesp operam com o melhor desempenho do dia, após a  Agência Reguladora de Serviços Públicos de São Paulo (Arsesp) anunciar uma proposta de revisão tarifária, que foi muito bem recebida pelo mercado. 

As companhias com exposição ao minério de ferro também seguem acompanhando a valorização da commodity e apareceram entre os destaques. Já a Ultrapar segue repercutindo a aquisição da Biosev, anunciada ontem. Confira as principais altas do dia:

CÓDIGONOME VALORVARIAÇÃO
SBSP3Sabesp ONR$ 42,567,10%
CSNA3CSN ONR$ 35,452,43%
UGPA3Ultrapar ONR$ 24,392,22%
BBSE3BB Seguridade ONR$ 28,581,74%
SANB11Santander Brasil unitsR$ 40,861,62%

Descolando da alta do petróleo no mercado internacional temos a PetroRio e a Petrobras na ponta negativa. Além disso, o setor aéreo, que deve seguir sendo prejudicado pela pandemia, também marca presença. Confira as principais quedas do dia:

CÓDIGONOME VALORVARIAÇÃO
PRIO3PetroRio ONR$ 77,74-4,13%
EZTC3EZTEC ONR$ 36,84-3,36%
JHSF3JHSF ONR$ 7,35-3,03%
GOLL4Gol PNR$ 25,00-2,95%
PETR3Petrobras ONR$ 27,71-2,60%
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