Risco político empurra dólar de volta para a casa dos R$ 5,20 e Ibovespa sustenta os 125 mil pontos por um fio
Com as bolsas americanas voltando do feriado no vermelho, o Ibovespa ficou preso mais uma vez aos conflitos internos

Às vezes a queda pode ser tão rápida quanto a subida. Em apenas um mês, o dólar à vista saiu da casa dos R$ 5,20, encostou nos R$ 4,90 e voltou a ser negociado a R$ 5,20, zerando as perdas do ano.
O movimento não está restrito à sessão de hoje, mas ficou mais intenso nesta terça. Com o desgaste político do governo Bolsonaro monopolizando o noticiário, o avanço foi de 2,39%, a R$ 5,2092. Os fatores domésticos, no entanto, não jogaram sozinhos.
Lá fora, a zona do euro e os Estados Unidos divulgaram dados econômicos abaixo das expectativas, a variante delta do coronavírus segue trazendo dúvidas sobre o futuro e o impasse entre os membros da Opep+ pressionou o valor dos barris de petróleo, levando a Petrobras a fechar o dia em forte queda, o que contribuiu para o saldo negativo na bolsa.
[captacao]
Mas a cereja do bolo sem dúvida segue sendo Brasília. Ainda que as denúncias contra o presidente não saiam do campo dos "ruídos", o cenário é prejudicial. Para Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos, com um cenário político fragilizado, as reformas econômicas não saem do lugar, o que não agrada o mercado. “Por mais que a gente tenha fundamentos econômicos que beneficiariam a taxa de câmbio (como o fluxo), levando a um valor justo entre R$ 4,50 a R$ 4,70, a piora do risco político traz um prêmio para o câmbio”.

Os desdobramentos na capital federal também tiveram os seus reflexos na curva de juros que, além do cenário político, também monitora o aumento dos combustíveis e da tarifa de energia, fatores que devem elevar ainda mais o IPCA, o índice oficial de inflação. Confira:
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- Janeiro/22: de 5,74% para 5,78%
- Janeiro/23: de 7,17% para 7,27%
- Janeiro/25: de 8,23% para 8,35%
- Janeiro/27: de 8,60% para 8,75%
Óleo na pista
Ontem, em reportagem do portal UOL, a ex-cunhada de Jair Bolsonaro afirmou que o chefe do Executivo fazia parte do esquema que desviava recursos por meio da contratação de assessores, que ficou conhecido como "rachadinha". Na CPI da covid-19, os senadores investigam contratos superfaturados fechados pelo governo federal na aquisição das vacinas. Tudo isso em um momento em que a popularidade do presidente alcança os piores níveis.
Esses já seriam motivos suficientes para explicar a queda de 1,44%, aos 125.094 pontos, vista no Ibovespa hoje, mas tivemos mais óleo na pista. A queda expressiva do petróleo puxou para baixo as ações da Petrobras.
Na segunda-feira (05), a reunião da Opep+ que definiria os rumos da elevação da produção de petróleo foi cancelada pelo terceiro dia consecutivo, após os Emirados Árabes Unidos não concordarem com as propostas feitas pela Arábia Saudita - um aumento de produção de 400 mil barris por dia entre agosto e setembro.
No auge da crise do coronavírus e diante da queda da demanda, a Opep+ reduziu a sua produção em cerca de 9,7 milhões de barris por dia em 2020 e, com a melhora do cenário, vem lentamente buscando a normalização da oferta.
A situação tem impactado os preços do petróleo, que também observa de perto o potencial da variante delta voltar a limitar a demanda. Nesta terça-feira (06), o barril do petróleo Brent fechou em queda de 3,41%, a US$ 74,73. Já o barril WTI, caiu 2,38%, a US$ 73,37.
Segundo a Casa Branca, o governo americano monitora as negociações e autoridades americanas entraram em contato com os dois países envolvidos para entender o impasse. O presidente Joe Biden, no entanto, não deve se envolver por enquanto. O presidente russo, Vladimir Putin também afirmou que não pretende se reunir com a cúpula.
Uma nova reunião segue sem data marcada e até que um encontro ocorra, os investidores devem ficar atentos no que pode acontecer. Segundo Rafael Passos, sócio da Ajax Capital, se um acordo não for firmado e um quadro mais negativo com relação à demanda se confirmar, será possível que a alta nos preços das cotações pressione ainda mais a inflação americana.
Voltando do descanso
Depois de uma pausa para o feriado, as bolsas americanas voltaram a funcionar nesta terça-feira (05) e já tiveram que digerir números ruins logo cedo. O dado econômico mais relevante foi a divulgação do índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) americano do setor de serviços, que veio abaixo das expectativas - 60,1 em junho, três pontos abaixo da previsão.
O Nasdaq avançou 0,17%, mas o Dow Jones e o S&P 500 recuaram 0,60% e 0,20%, respectivamente.
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Sobe e desce
Apenas três empresas do Ibovespa fecharam o dia no azul:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VAR |
| BRAP4 | Bradespar PN | R$ 75,75 | 1,42% |
| VALE3 | Vale ON | R$ 113,77 | 0,53% |
| ENGI11 | Engie units | R$ 45,64 | 0,09% |
A queda expressiva do petróleo no mercado internacional puxou para baixo as ações das petroleiras. A PetroRio, que acumula uma alta de mais de 40% no ano, devolveu com mais força os ganhos. O câmbio pressionado impactou também as empresas do setor aéreo. Confira também as maiores quedas:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| PRIO3 | PetroRio ON | R$ 20,24 | -5,82% |
| AZUL4 | Azul PN | R$ 42,50 | -4,17% |
| PETR4 | Petrobras PN | R$ 27,67 | -4,09% |
| PETR3 | Petrobras ON | R$ 28,58 | -3,74% |
| CVCB3 | CVC ON | R$ 26,29 | -3,63% |
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