Otimismo internacional esbarra em problemas fiscais, políticos e sanitários locais e Ibovespa recua 1%; dólar vai a R$ 5,71
Os problemas internos seguem pesando sobre o saldo dos mercados. Na semana, o Ibovespa teve um leve avanço, enquanto o dólar recuou.

Em um mundo mais próximo do normal e menos caótico, é comum que as bolsas americanas tenham grande influência sobre os mercados locais.
No Brasil, no entanto, essa raramente tem sido a regra nos casos positivos e isso fez com que o mês de abril começasse no vermelho. Posso explicar. Quando lá fora vemos um dia no vermelho, a probabilidade é que o Ibovespa acompanhe o movimento. Quando o dia é de alta, nem sempre nosso delicado quadro político, sanitário e fiscal permite que o mercado doméstico seja influenciado pelo otimismo alheio.
Foi mais ou menos essa dinâmica que tomou conta dos mercados nesta semana - que se encerra mais cedo, já que amanhã as bolsas globais ficam fechadas para a celebração da Sexta-feira Santa. Mesmo com a liquidez reduzida e o pé no freio que são característicos de véspera de feriado, o mercado internacional repercutiu de forma positiva a proposta de um novo pacote de estímulos nos Estados Unidos.
Estamos falando de uma nova injeção de dinheiro na economia. Cerca de 20 dias após a aprovação de um pacote de US$ 1,9 trilhão, o governo de Joe Biden apresentou um plano de socorro ao setor de infraestrutura que deve totalizar US$ 2 trilhões. O projeto tem suas polêmicas e pode ser difícil de ser aprovado no Congresso, mas, no curto prazo, ele promete movimentar (para cima) as bolsas globais.
Em um dia de alívio para o rendimento dos títulos públicos americanos, as bolsas americanas aproveitaram o fluxo e tiveram uma alta firme. O Nasdaq liderou os ganhos, ao subir 1,76% e na sequência tivemos o S&P 500 (1,18%, o que marcou um novo recorde para o índice) e o Dow Jones (0,52%)
No Brasil, o efeito foi bem mais limitado, ainda que o dia tenha sido de pouca movimentação. É que o quadro que já estava desenhado foi suficiente para que a aversão ao risco reinasse. O Ibovespa fechou o dia em uma queda de 1,18%, aos 115.253 pontos. O saldo da semana foi levemente positivo, com um avanço de 0,41%.
Leia Também
Multimercados em crise? CEO da Bradesco Asset vê ‘seleção natural’ e diz que uma nova onda de consolidação vem aí
B3 tira ação da Ambipar (AMBP3) das negociações regulares da bolsa por atraso; entenda
Tivemos um comportamento destoante do resto do mundo também no câmbio. Enquanto a moeda americana acompanhou o recuo dos juros futuros em escala global, por aqui terminamos o dia com o dólar à vista avançando 1,54%, aos R$ 5,7153, depois de uma queda de mais de 2% ontem. Na semana, o recuo da moeda foi de 0,45%.
No mercado de juros futuros, o dia foi de avanço nos principais contratos de médio e longo prazo, refletindo a cautela com o Orçamento de 2021, que ainda causa impasse, e a situação do coronavírus do país. O CEO da Apollo Investimentos, João Guilherme Penteado, aponta que a boa demanda por títulos prefixados em leilão do Tesouro realizado hoje mostra que o mercado começa a enxergar que a alta da Selic embutida nos juros futuros negociados na B3 pode estar exagerada. Confira as taxas de fechamento desta quinta-feira (01):
- Janeiro/2022: de 4,59% para 4,62%
- Janeiro/2023: de 6,41% para 6,47%
- Janeiro/2025: de 8,06% para 8,25%
- Janeiro/2027: de 8,70% para 8,75%
Não perca: Nossos repórteres comentam os melhores e piores investimentos de março no nosso canal do Youtube.
Somando trilhões
A grande pauta do dia é o pacote de incentivo à infraestrutura anunciado ontem pelo presidente Joe Biden e que deve movimentar cerca de US$ 2 trilhões, criando milhões de empregos nos próximos 10 anos. O prazo mais alongado foi escolhido para minimizar as possíveis pressões inflacionárias resultantes de mais uma injeção de dólares na economia norte-americana.
O mercado internacional recebeu bem a notícia, ainda que o valor esperado pelo pacote fosse mais elevado. No entanto, a questão promete causar certa polêmica. Para financiar as novas obras, o governo Biden pretende aumentar o imposto para as empresas - de 21% para 28%.
O movimento do governo democrata acontece pouco tempo após a aprovação do pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão, que foi uma verdadeira novela que se arrastou por meses. Agora, a situação deve ser muito parecida.
João Guilherme Penteado, da Apollo Investimentos, acredita que esse é um “remédio” para a economia que pode acabar saindo mais caro do que o esperado, ainda que leve a uma alta da bolsa e das estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) no curto prazo.
A leitura de que as injeções de estímulos podem levar a uma pressão inflacionária já rondam o mercado há algum tempo e vemos isso refletido principalmente na disparada dos juros futuros americanos. Um novo pacote de estímulos, na visão de Penteado, deve piorar a situação e é difícil que seja aprovado no Congresso. Além disso, o pacote também prevê um aumento de impostos corporativos, ponto que deve gerar um impasse.
“Lincar esse pacote de estímulos ao aumento de impostos pode fazer com que além de aumentar a dívida soberana que já é grande, os impostos sejam repassados gerando inflação. Esse quadro pressionaria ainda mais o Fed para aumentar juros em um momento de recuperação econômica. Pode inflar uma bolha, antecipar crescimento econômico do futuro e depois acabar causando distorções de preço e perda de PIB potencial”.
Assim como ocorreu com o pacote recém-aprovado, esse deve ser um assunto a movimentar os mercados pelos próximos meses. Na Ásia, os negócios fecharam no azul, com os investidores também repercutindo novos sinais de recuperação econômica. As bolsas europeias também tiveram um dia positivo, mesmo com novas medidas restritivas anunciadas na França.
Pressão total
No Brasil, a tensão fica por conta da repercussão dos números da produção industrial e a cautela com relação ao Orçamento de 2021, que segue causando polêmica.
Após nove meses de alta, a produção industrial frustrou o mercado. Segundo o IBGE, o setor recuou 0,7% em fevereiro, contra a expectativa de crescimento de 0,5% dos analistas.
Com relação ao orçamento, a tensão segue em torno da redução das despesas obrigatórias e o elevado número de emendas parlamentares, além de espaço para que o governo “manobre” as contas. Vale lembrar que o tema já se encontra com um atraso de cinco meses e pressiona ainda mais o quadro e percepção fiscal do país.
O assunto causa ainda mais desgaste entre o Executivo e o Congresso, ainda que nesta semana o aceno de Bolsonaro ao Centrão - com a entrega de uma das pastas ao controle do bloco em sua inesperada reforma ministerial - tenha apaziguado a situação.
E não é só desse quadro que a cautela nasce. Com quase quatro mil mortos diários e um processo de vacinação que engatinha, o quadro sanitário do país preocupa. Vale lembrar que na visão de economistas e especialistas, uma recuperação econômica plena só deve ocorrer após a imunização em massa da população. Enquanto isso, as perspectivas para o PIB devem seguir sendo reduzidas.
Prévia
A B3 divulgou nesta segunda-feira a prévia da sua carteira teórica que será válida do período de maio a agosto.
A novidade ficou por conta da inclusão da Locaweb, pouco mais de um ano após a estreia da companhia na bolsa. Com a notícia, as ações da companhia (LWSA3) dispararam mais de 5%.
Sobe e desce
Um otimismo maior com relação ao processo de vacinação no país e uma recalibragem de carteiras com o início do novo mês levaram os investidores a buscarem setores que acabaram ficando de lado com o agravamento da pandemia, como o de consumo e as empresas aéreas, buscando barganhas. Confira as maiores altas da semana:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO SEMANAL |
| EQTL3 | Equatorial ON | R$ 24,73 | 8,32% |
| CCRO3 | CCR ON | R$ 12,81 | 6,75% |
| MRFG3 | Marfrig ON | R$ 17,92 | 6,48% |
| BRKM5 | Braskem PNA | R$ 40,35 | 6,44% |
| JBSS3 | JBS ON | R$ 30,47 | 6,13% |
As ações da Qualicorp foram o principal destaque negativo da semana, após a divulgação dos resultados trimestrais da companhia. O setor financeiro também foi penalizado, em um movimento global que teve origem com problemas em um hedge fund americano. Confira também as maiores quedas da semana:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO SEMANAL |
| QUAL3 | Qualicorp ON | R$ 29,03 | -6,69% |
| SANB11 | Santander Brasil units | R$ 38,51 | -5,94% |
| SUZB3 | Suzano ON | R$ 68,94 | -5,02% |
| GNDI3 | Intermédica ON | R$ 81,00 | -4,69% |
| BBDC4 | Bradesco PN | R$ 25,85 | -3,54% |
RETOMADA À VISTA?
Mercado de capitais pode voltar a esquentar — e Itaú BBA indica esta ação para ganhar com a virada
31 de agosto de 2026 - 16:42RADAR DE FIIS
TRX dá mais um passo atrás e desiste de aquisição de cinco imóveis da Cyrela (CYRE3), incluindo prédio alugado pelo Nubank
31 de agosto de 2026 - 10:04TOUROS E URSOS #285
Nem bolsa, nem dólar: este é o ativo “à prova de balas” para atravessar as eleições 2026, segundo gestor do ASA
30 de agosto de 2026 - 11:03GRINGO COMPRA, BRASILEIRO FOGE
Ibovespa voltou com tudo? Bolsa brasileira atrai R$ 3,2 bilhões na semana e desbanca S&P 500, México e Coreia do Sul
28 de agosto de 2026 - 19:20TOUROS E URSOS #285
Lula ainda não ganhou e eleição segue em 50/50, diz CIO do ASA; veja como investir sem apostar em um candidato
28 de agosto de 2026 - 14:23FII
TRXF11 desiste de compra de imóveis de quase R$ 1 bilhão, incluindo ‘prédio do gramado’ na Faria Lima; cotistas comemoram
27 de agosto de 2026 - 19:40NA CONTRAMÃO?
UBS BB ignora debandada estrangeira na bolsa e vê salto de 17% para B3 (B3SA3); entenda a tese por trás da recomendação
27 de agosto de 2026 - 18:00FUGA DA INDÚSTRIA
TAG Investimentos: o que levou a gestora de R$ 18 bilhões a desistir totalmente dos fundos multimercados?
27 de agosto de 2026 - 17:01PODCAST TOUROS E URSOS
Eleições 2026: com disputa acirrada entre Lula e Flávio, é hora de fugir da bolsa e comprar dólar?
27 de agosto de 2026 - 15:31APÓS CAPTAÇÃO BILIONÁRIA
BTLG11 desembolsa R$ 375 milhões por galpão logístico em São Paulo e vê espaço para elevar aluguel; confira os detalhes da operação
27 de agosto de 2026 - 10:18ENTREVISTA EXCLUSIVA
EXES11 quer crescer: de olho na liquidez, FII faz oferta de cotas inusitada e sem diluição de cotistas
27 de agosto de 2026 - 10:04GANHANDO PESO
VISC11 quer mais caixa e menos alavancagem: entenda por que o FII de shoppings buscou uma ‘gordurinha extra’
27 de agosto de 2026 - 6:03NA FRENTE DE PETR4 E VALE3
Ambev (ABEV3) desbanca gigantes como a ação mais negociada da B3 por um grupo de investidores; descubra qual
25 de agosto de 2026 - 19:41A BOLSA NA LUPA
Fundos estão baratos na bolsa? BTG vê janela de oportunidades após queda e indica em quais investir
25 de agosto de 2026 - 16:01R$ 306 BILHÕES EVAPORARAM
É o fim da sangria? Por que ainda não é hora para otimismo com a bolsa brasileira, segundo especialistas
25 de agosto de 2026 - 13:06RANKING
Moody’s elege as gestoras mais consistentes nos últimos três anos: veja quem entregou resultado sem exagerar no risco
24 de agosto de 2026 - 19:42ELEIÇÕES 2026
Lula x Flávio Bolsonaro: como a disputa presidencial e o nó fiscal vão ditar o rumo dos investimentos
24 de agosto de 2026 - 17:03RECOMENDAÇÃO NEUTRA
UBS BB passa a tesoura no preço-alvo de Santander (SANB11) e desiste da recomendação de olho em OPA; o que aconteceu?
24 de agosto de 2026 - 15:22DESTAQUES DA BOLSA
Casamento à vista? Yduqs (YDUQ3) dispara 12% após confirmar conversas com dona da Afya (AFYA) para combinação de negócios
24 de agosto de 2026 - 11:27EM MEIO A UM "VALE DE DESEMPENHO"