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Com Copom duro e a sinalização de uma possível elevação nas taxas de juros nos EUA, os principais contratos de DI dispararam. Na semana, o dólar recuou com o forte fluxo estrangeiro e a bolsa seguiu o ritmo das commodities (mais uma vez)
A pipoca estava pronta, o refrigerante no jeito e o público bem posicionado para o mais aguardado lançamento simultâneo dos últimos tempos: as decisões de política monetária dos Bancos Centrais dos Estados Unidos e do Brasil.
Embora o desfecho fosse previsível nos dois casos, eles vieram carregados de surpresas que deixam os investidores ávidos pela sequência. E, lá fora, nem foi preciso esperar muito por ela. Na Super Quarta, o Federal Reserve manteve a taxa básica de juros na faixa de 0 a 0,25% ao ano e, à primeira vista, reforçou o seu compromisso de manter os estímulos monetários até que a economia atinja o pleno emprego e se recupere plenamente dos efeitos do coronavírus.
Uma segunda olhada no comunicado e nas projeções dos membros do Fomc para o curto e médio prazo, no entanto, criou um nó na cabeça dos investidores, pois a conta não fecha. As atualizações trimestrais das projeções mostraram que a mediana das estimativas indica uma inflação acima de 3% em 2021, e boa parte dos dirigentes começa a prever uma elevação nos juros já em 2023, confirmando o temor dos mercados.
O susto foi grande na hora da decisão, mas ontem foi dia de esfriar a cabeça, e os rendimentos dos títulos do Tesouro americano até voltaram a recuar. Isso até James Bullard, presidente do Fed de St. Louis, afirmar que será preciso uma mudança na política monetária para que a inflação recue de fato, jogando por terra o alívio que os investidores haviam sentido com o discurso de Jerome Powell - juros futuros voltaram a disparar, o dólar engatou uma alta expressiva e as bolsas globais recuaram.
Esse cenário de tensão no exterior deve seguir trazendo volatilidade aos negócios, principalmente para os juros futuros. Por aqui, vale lembrar que o Comitê de Política Monetária do Banco Central brasileiro (Copom) de fato elevou a taxa Selic em 0,75 ponto percentual, a 4,25% ao ano, mas mostrou um discurso muito mais duro com relação à sua meta de ancorar as expectativas para a inflação de 2022.
Isso se refletiu em uma aposta mais ousada de alta na próxima reunião e no fim de 2021, levando os juros futuros a serem os grandes protagonistas da semana, com uma elevação expressiva em todos os vencimentos, impactando também alguns setores específicos da bolsa. Confira o fechamento dos principais contratos de DI:
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Nosso repórter Victor Aguiar comentou a alta da Selic e como ela influencia as ações nesse cenário:
O dólar à vista fechou a semana com um recuo expressivo de 1,05%, mas longe da cotação que faz os olhos de muitos brilharem — abaixo de R$ 5. A moeda americana chegou a tocar esse nível algumas vezes nos últimos dias e até mesmo hoje, na primeira parte do pregão, quando o ingresso de fluxo estrangeiro no país falou mais forte.
Mas isso foi antes de a fala de Bullard voltar a colocar uma pulga atrás da orelha do mercado. No fim, a divisa acompanhou a alta vista no exterior e o dólar à vista fechou o dia com uma alta de 0,92%, a R$ 5,0687.
Na bolsa, além da tensão pela definição dos juros, também tivemos dois movimentos que levaram o Ibovespa a encerrar a semana com um recuo de 0,80% — o desempenho negativo do setor de commodities e os entraves na apreciação da MP da Eletrobras no Senado.
A sexta-feira, no entanto, inverteu essa tendência. A aprovação da MP puxou as ações da Eletrobras para cima, o anúncio de dividendos bilionários fez a Vale avançar mais de 3%, e o setor de siderurgia teve um bom dia. Com isso, o Ibovespa se afastou do clima negativo visto no exterior e fechou com uma alta de 0,27%, aos 127.595 pontos.
Em Wall Street, não teve muito como escapar do vermelho. A tensão em torno da inflação e da futura atuação do Federal Reserve fizeram o VIX, considerado o índice do medo, disparar cerca de 19% no pior momento do dia. O Nasdaq se saiu melhor, com uma queda de 0,92%. Enquanto isso, o Dow Jones e o S&P 500 recuaram 1,58% e 1,31%, respectivamente.
O destaque do dia ficou com a repercussão da aprovação da MP que abre caminho para a privatização da Eletrobras. A pauta foi aprovada ontem, com um placar apertado, e deve voltar para a Câmara nos próximos dias, já que as mudanças feitas no Senado obrigam o texto a ser revisto pelos deputados.
O presidente da Casa, Arthur Lira, prometeu pautar o tema na segunda-feira (21), véspera da data limite para a apreciação do tema. As ações PNB e ON da companhia chegaram a subir mais de 9% pela manhã. Mesmo desacelerando a alta, os papéis acumularam um avanço de 5% no dia.
Para Bruno Madruga, head de renda variável da Monte Bravo Investimentos, o avanço da pauta da privatização pode fazer com que outras estatais federais listadas na bolsa destravem valor no futuro.
Um assunto que deve seguir dando o que falar e levando os principais bancos e casas de análise a revisarem as suas projeções de PIB (e inflação) para cima é o andamento da vacinação no país.
No último fim de semana, notícias positivas empolgaram os investidores locais. O estado de São Paulo anunciou que irá vacinar todos os adultos maiores de 18 anos até a primeira quinzena de setembro. O adiantamento do calendário tem sido promovido por diversos estados, quase que em uma disputa para ver quem garante o fim da pandemia mais cedo.
Para os analistas, a retomada expressiva e a reabertura econômica intensa vista e precificada no exterior ainda não havia passado pela bolsa brasileira, o que deve dar fôlego para que o principal índice da B3 siga buscando patamares acima dos 130 mil pontos conforme as metas são cumpridas.
O que pode atrapalhar essa trajetória empolgante é o Ministério da Saúde. Os cronogramas são montados de acordo com a previsão feita pela Pasta. Ainda que o governo de SP tenha afirmado que não estava contando com essas doses, as vacinas da Janssen previstas para chegar na última terça-feira tiveram a entrega adiada e ainda não se sabe quando o país receberá os imunizantes.
A perspectiva de alta da taxa básica de juros e retomada econômica movimentou o setor financeiro ao longo de toda a semana e as companhias do segmento se destacaram entre as maiores altas do período. Além do impulso dado pela revisão de expectativas positivas para os bancos, o Inter também teve forte alta após a divulgação dos detalhes da sua nova oferta de ações. Confira as maiores altas da semana:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| B3SA3 | B3 ON | R$ 17,38 | 7,75% |
| LWSA3 | Locaweb ON | R$ 27,09 | 7,67% |
| ENEV3 | Eneva ON | R$ 17,90 | 5,85% |
| SULA11 | SulAmérica units | R$ 35,78 | 5,64% |
| BIDI11 | Banco Inter unit | R$ 67,97 | 5,58% |
Confirmando que o mar não estava para peixe para as empresas ligadas ao minério de ferro na última semana, as siderúrgicas - e a Bradespar, grande acionista da Vale - ficaram na parte de baixo da tabela. Vale destacar também o desempenho negativo da Braskem, maior alta do Ibovespa no ano, que repercutiu novidades sobre a possibilidade de venda da fatia da antiga Odebrecht na empresa. Confira as maiores quedas da semana:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| GGBR4 | Gerdau PN | R$ 29,08 | -11,88% |
| CSNA3 | CSN ON | R$ 41,40 | -9,01% |
| GOAU4 | Metalúrgica Gerdau PN | R$ 13,66 | -7,64% |
| BRAP4 | Bradespar PN | R$ 66,99 | -5,79% |
| BRKM5 | Braskem PNA | R$ 54,06 | -5,65% |
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