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Projeto de autonomia

Autonomia do BC está pronta para ser votada, diz Campos Neto

Nas últimas semanas, o projeto de lei sobre a autonomia do BC voltou a ser citado por líderes de partidos e pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), como uma das prioridades da Casa

20 de maio de 2020
20:45 - atualizado às 6:14
roberto Campos Neto – presidente do BC
O novo presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, durante cerimônia de transmissão de cargo. - Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta quarta-feira (20) que o projeto de autonomia da instituição está pronto para ser votado.

Nas últimas semanas, o projeto de lei sobre a autonomia do BC voltou a ser citado por líderes de partidos e pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), como uma das prioridades da Casa neste período de votações voltadas para o combate dos efeitos econômicos da pandemia do novo coronavírus.

Campos Neto afirmou ainda que o BC não está atrasando nenhum projeto em função da pandemia. "Seguimos com o projeto de open banking dentro do previsto". O presidente da instituição participa do evento virtual "Infra para crescer - Caminhos para superar a crise", organizado pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib).

Crise

O presidente do BC reafirmou que o dólar é flutuante e, se for necessário, pode elevar as atuações no mercado de câmbio brasileiro. "O FX (câmbio) é flutuante", disse Campos Neto. "Podemos aumentar a atuação se entendermos que é necessário", acrescentou.

Campos Neto avaliou há que "quase toda grande crise teve um trade-off (troca) entre ter sistema financeiro mais sólido e concentração". No caso da crise atual, provocada pela epidemia do novo coronavírus, Campos Neto afirmou que o BC não quer "estimular concentração bancária mais forte".

Campos Neto também citou medidas adotadas pelo BC na crise, até o momento, e reafirmou que a primeira "grande surpresa" foi "a velocidade de saída de fluxo (de dólares) da América Latina". "Inicialmente, pensou-se que (a crise) era um choque de oferta. Depois ficou claro que é choque de oferta e de demanda", acrescentou.

O presidente do BC pontuou ainda que, em países onde o lockdown (confinamento total) não foi adotado ou onde ele foi adotado, mas já foi flexibilizado, a volta do consumo de serviços "está lenta".

Para Campos Neto, a crise pode ser mais longa e o "desvio fiscal pode ser maior".

Questionado sobre qual seria o piso para a Selic (a taxa básica de juros), atualmente em 3% ao ano, Campos Neto pontuou que o tema do limite da política monetária (redução dos juros básicos) é dinâmico. "Depende um pouco do que está acontecendo no mundo - tivemos uma saída de recursos (dólares, do Brasil) - e temos a parte da condição interna", afirmou.

Segundo ele, há hoje no Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central "pessoas com visões diferentes sobre o limite da política monetária". Em seu último encontro, ocorrido no início de maio, o Copom reduziu a Selic em 0,75 ponto porcentual, para 3,00% ao ano, e sinalizou a possibilidade de novo corte de até 0,75 ponto em junho.

Um dos membros do colegiado, no entanto, chegou a argumentar que não há razão para a existência de um limite para a Selic. E dois membros ponderaram que poderia ser oportuno cortar a taxa de uma só vez, já em maio. O Copom é formado por Campos Neto e por oito diretores do BC.

"Há visão diferente do mundo acadêmico puro e de quem se dedicou mais ao mercado", afirmou, em referência aos membros do Copom. "O grande debate é se quero passar por uma desorganização para encontrar este limite. O processo de achar o equilíbrio (da Selic) tem um custo."

O presidente do BC, ao avaliar a questão do nível de juros, afirmou que os países com dívidas maiores encerram o processo de corte de juros com taxas "um pouco maiores também".

*Com Estadão Conteúdo

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