Um ano após Brumadinho, Morgan Stanley diz que Vale está ‘muito barata para ser ignorada’
Banco norte-americano aponta que um forte fluxo de caixa livre e uma melhoria nas práticas ambientais são razões para otimismo com as ações da mineradora
Pouco mais de um ano após o rompimento de uma barragem da Vale em Brumadinho (MG), o Morgan Stanley diz que a ADR da mineradora está "muito barata para ser ignorada". O banco recomenda a compra do recibo que representa ações na Bolsa de Valores de Nova York, estimando que eles podem chegar US$ 13,50 — uma alta de 31,45% em relação a cotação de ontem.
Com a avaliação, as ADRs sobem 3,12%, a US$ 10,59, por volta das 14h desta terça-feira (3), pelo horário de Brasília. As ações negociadas na bolsa brasileira avançam 2,83%, a R$ 47,67, naturalmente acompanhando a alta — as ADRs no Estados Unidos equivalem aos papéis de negociação brasileira.
Desde de 25 de janeiro do ano passado, quando o rompimento da Barragem 1 da Mina do Córrego de Feijão matou 257 pessoas, a Vale mergulhou em uma crise de imagem e registrou sucessivos prejuízos trimestrais. Até ontem, a desvalorização dos papéis era da ordem de 13% em relação ao dia anterior ao desastre de Brumadinho. Mas chegou a ser de mais de 20%.
Para o Morgan Stanley, há razões para acreditar que a empresa vai superar a crise na qual entrou. Eles apontam o forte fluxo de caixa livre (FCF) e uma melhoria nas práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) para reavaliar os papéis da mineradora com recomendação de compra.
Os analistas do banco dizem que o Capex (investimentos em capital fixo) e o nível de alavancagem da mineradora permanecem baixos. "Em nosso modelo, a companhia geraria um fluxo de caixa de cerca de US$ 10 bilhões nos próximos dois anos — o que representa 20% do seu valor de mercado".
Os especialistas mantêm a projeção mesmo assumindo que o preço do minério de ferro fique abaixo da estimativa do próprio Morgan Stanley — hoje em US$ 83/t em 2020, US$ 68/t em 2021 e US$ 61/t em 2022 vs. $84/t — e que a empresa desembolse US$ 7 bilhões entre este ano e 2022 com os acidentes de Brumadinho e Samarco.
Leia Também
"Nós acreditamos que a Vale deve manter a disciplina na alocação de capital focando no retorno ao acionista", dizem os analistas. Para eles, a companhia deve retornar US$ 9,6 bilhões em dividendos até 2022. "Nossas conversas com autoridades sugerem que elas não vão se opor a um retorno financeiro aos acionistas, se a empresa tiver dinheiro suficiente para cobrir Brumadinho".
A instituição americana acrescenta que espera uma melhora nas métricas de ESG da Vale em um ritmo mais rápido do que seus pares. "Além disso, a empresa continua melhorando a segurança de suas operações, e desenvolvendo alternativas seguras e sustentáveis de gerenciamento de rejeitos", diz o banco.
Reparação
Na segunda-feira (2), a Vale divulgou um relatório do Comitê Independente de Assessoramento Extraordinário de Apoio e Reparação. O documento não faz preço aos mercados, mas é uma nova peça de esclarecimento em relação ao que a empresa fez após o rompimento da barragem.
Segundo o relatório, do total de 84 recomendações ao conselho e 11 sugestões à diretoria da mineradora para reparar os acontecimentos de Brumadinho, apenas 7% foram concluídas até agora. As ações envolvem indenizações, cuidados humanitários e medidas em outras frentes.
O documento ainda aponta que 47% das ações propostas estão em andamento e 33% não começaram. Segundo o comitê, o maior progresso foram em ações emergenciais e de compromisso de não repetição de casos semelhantes.
Prejuízo
A Vale terminou o ano passado com um prejuízo líquido de US$ 1,7 bilhão — em 2018, a companhia obteve um lucro líquido de US$ 6,86 bilhões. As provisões e despesas ligadas à ruptura da barragem somaram US$ 7,4 bilhões ao longo do ano passado — essa quantia já inclui a descaracterização de estruturas e acordos de reparação.
A empresa também promoveu a paralisação em diversas barragens ao longo do ano, teve maiores despesas com segurança e manutenção e incertezas quanto ao ritmo de produção.
Do ponto de vista de administração de caixa e gestão do endividamento, a mineradora conseguiu mostrar evoluções importantes ao longo do ano passado.
A Vale gerou US$ 8,1 bilhões em fluxo de caixa livre em 2019, quantia que foi utilizada para pagar dívidas, recomprar compromissos futuros e aumentar o nível dos cofres da empresa, entre outros pontos.
Ao fim de 2019, a dívida líquida da mineradora era de US$ 4,88 bilhões, uma baixa de 8,3% em relação aos níveis vistos em setembro. Apesar disso, os níveis de alavancagem da Vale permaneceram inalterados em 0,5 vez.
A vez do PicPay: empresa dos irmãos Batista entra com pedido de IPO nos EUA; veja o que está em jogo
Fintech solicita IPO na Nasdaq e pode levantar até US$ 500 milhões, seguindo o movimento de empresas brasileiras como Nubank
GM, Honda e grandes montadoras relatam queda nas vendas nos EUA no fim do ano; saiba o que esperar para 2026
General Motors e concorrentes registram queda nas vendas no fim de 2025, sinalizando desaceleração do mercado automotivo nos EUA em 2026 diante da inflação e preços elevados
Passa vergonha com seu e-mail? Google vai permitir trocar o endereço do Gmail
Mudança, antes considerada impossível, começa a aparecer em páginas de suporte e promete livrar usuários de endereços de e-mail inadequados
Smart Fit (SMFT3) treina pesado e chega a 2 mil unidades; rede planeja expansão para 2026
Rede inaugura unidade de número 2 mil em São Paulo, expande presença internacional e prevê abertura de mais 340 academias neste ano
Como o Banco Master entra em 2026: da corrida por CDBs turbinados à liquidação, investigações e pressão sobre o BC
Instituição bancária que captou bilhões com títulos acima da média do mercado agora é alvo de investigações e deixa investidores à espera do ressarcimento pelo FGC
BTG Pactual (BPAC11) amplia presença nos EUA com conclusão da compra do M.Y. Safra Bank e licença bancária para atuar no país
Aquisição permite ao BTG Pactual captar depósitos e conceder crédito diretamente no mercado norte-americano, ampliando sua atuação além de serviços de investimento
Adeus PETZ3: União Pet, antigas Petz e Cobasi, estreia hoje novo ticker na B3
Os antigos acionistas da Petz passam a deter, em conjunto, 52,6% do capital social da União Pet; eles receberão novos papéis e pagamento em dinheiro
Tesla perde liderança para a BYD após queda nas vendas de veículos elétricos
As vendas da Tesla caíram 9% em 2025 e diminuíram 16% no quarto trimestre em comparação com o mesmo período do ano anterior
Antiga Cobasi conclui combinação de negócios com a Petz e ganha novo ticker; veja a estreia na B3
A transação foi realizada por meio de reorganização societária que resultou na conversão da Petz em subsidiária integral da União Pet
TCU determina inspeção de documentos do BC sobre a liquidação do Banco Master
A decisão do órgão ocorre em período de recesso da Corte de Contas e após o relator do caso solicitar explicações ao BC
Ao deixar cargo de CEO, Buffet diz que Berkshire tem chances de durar mais um século
“Acho que (a Berkshire) tem mais chances de estar aqui daqui a 100 anos do que qualquer empresa que eu possa imaginar”, disse Buffett em entrevista à CNBC
Azul (AZUL54) ganha aval do Cade para avançar em acordo estratégico em meio à recuperação judicial nos EUA
O órgão aprovou, sem restrições, a entrada de um novo acionista na Azul, liberando a aquisição de participação minoritária pela United Airlines. A operação envolve um aporte de US$ 100 milhões, ocorre no âmbito do Chapter 11 nos Estados Unidos
EMAE desiste de compra de debêntures da Light (LIGT3) e rescinde acordo com BTG Pactual; entenda o motivo
O acordo havia sido firmado em setembro de 2025, mas ainda dependia da aprovação prévia da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)
Prio (PRIO3) anuncia aumento de capital no valor de R$ 95 milhões após exercício de opções de compra de ações
Diluição dos acionistas deve ser pequena; confira os detalhes da emissão das novas ações PRIO3
Marisa (AMAR3) ganha disputa na CVM e mantém balanços válidos
Colegiado da CVM acolheu recurso da varejista, derrubou entendimento da área técnica e afastou a exigência de reapresentação de balanços de 2022 a 2024 e de informações trimestrais até 2025
Dasa (DASA3) quer começar o ano mais saudável e vende hospital por R$ 1,2 bilhão
A companhia anunciou a venda do Hospital São Domingos para a Mederi Participações Ltda, por cerca da metade do que pagou há alguns anos
Por R$ 7, Natura (NATU3) conclui a venda da Avon Internacional e encerra capítulo turbulento em sua história
A companhia informou que concluiu a venda da Avon Internacional para o fundo Regent LP. O valor pago pela operação da marca foi simbólico: uma libra, cerca de R$ 7
Cyrela (CYRE3) aprova aumento de capital de R$ 2,5 bilhões e criação de ações preferenciais para bonificar acionistas
Assembleia de acionistas aprovou bonificação em ações por meio da emissão de papéis PN resgatáveis e conversíveis em ações ordinárias, com data-base de 30 de dezembro
Ressarcimento pelos CDBs do Banco Master fica para 2026
Mais de um mês depois de liquidação extrajudicial do Banco Master, lista de credores ainda não está pronta.
Cosan (CSNA3): Bradesco BBI e BTG Pactual adquirem fatia da Compass por R$ 4 bilhões, o que melhora endividamento da holding
A operação substitui e renegocia condições financeiras da estrutura celebrada entre a companhia e o Bradesco BBI em 2022
