Vale segue tendo despesas com Brumadinho, mas lucra US$ 239 milhões no primeiro trimestre
Apesar da queda nas receitas, a Vale conseguiu fechar o trimestre no azul e reverteu parte das perdas reportadas há um ano, quando a mineradora foi fortemente afetada pelo rompimento da barragem em Brumadinho

O rompimento da barragem I na mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), continua trazendo desdobramentos financeiros à Vale. A empresa divulgou nesta terça-feira (28) seu balanço referente ao primeiro trimestre de 2020 e, embora tenha fechado o período no azul, segue reportando despesas referentes à tragédia.
A mineradora contabilizou um lucro líquido de US$ 239 milhões entre janeiro e março deste ano, revertendo parte das perdas de US$ 1,642 bilhão registradas no mesmo intervalo de 2019 — os dados do primeiro trimestre do ano passado, contudo, foram fortemente impactados pelo desastre em Brumadinho, ocorrido em 25 de janeiro.
Os ganhos da Vale nos primeiros três meses de 2020 poderiam ter sido maiores, mas a empresa ainda precisou lançar uma despesa de US$ 159 milhões ligada ao rompimento da barragem — a mineradora ressalta que não foram feitas provisões adicionais desde o fim de 2019.
"Os esforços para mitigar os impactos do Covid-19 não competem com as iniciativas da Vale para a reparação de Brumadinho", diz a companhia, em mensagem aos acionistas, afirmando ainda que os acordos de indenização e pagamentos emergenciais ligados ao rompimento da barragem já somam cerca de R$ 3,6 bilhões.
E, falando no surto de coronavírus: a mineradora afirma em seu balanço que a pandemia tem tido impacto limitado em suas operações, embora admita que, no futuro, poderá sentir efeitos mais firmes na produção de minério de ferro.
Tanto é que a Vale já havia anunciado, na semana passada, um corte em suas projeções operacionais para 2020: a produção de minério de ferro, agora, deverá ficar na faixa de 310 a 330 milhões de toneladas — originalmente, a meta estava entre 340 e 355 milhões de toneladas.
Leia Também
Receita em queda
Por mais que a Vale ressalte que suas operações ainda não foram afetadas de maneira significativa pela Covid-19, o mesmo não pode ser dito de suas vendas: a desaceleração da economia global ao longo do primeiro trimestre afetou diretamente a receita líquida da companhia.
Ao todo, a Vale reportou uma receita de US$ 6,969 bilhões nos três primeiros meses de 2020, uma queda de 15% em relação ao mesmo período de 2019 — uma retração mais intensa que a da linha de custos e outras despesas, que caiu 7% na mesma base de comparação.
Com a receita mais fraca e os gastos relacionados a Brumadinho, a Vale sentiu um 'efeito cascata' em seu balanço: o Ebitda ajustado — ou seja, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — ficou em US$ 2,882 bilhões no primeiro trimestre de 2020.
O número é bastante superior ao visto nos três primeiros meses de 2019, quando o Ebitda ajustado da Vale ficou negativo em US$ 652 milhões por causa do efeito Brumadinho. Assim, uma comparação mais justa seria com a do quarto trimestre do ano passado — e, na ocasião, a linha somou US$ 3,536 bilhões.
Dívida controlada
As notícias mais animadoras para a Vale vêm do front do endividamento e da geração de caixa: a mineradora fechou o trimestre com uma dívida líquida de US$ 4,808 bilhões, inferior aos US$ 4,88 bilhões vistos no término de 2019 e dos US$ 12 bilhões registrados em março do ano passado.
Entre janeiro e março deste ano, a empresa reportou uma geração de fluxo de caixa livre de US$ 380 milhões, o que contribuiu para manter a dívida líquida nos menores patamares desde 2008. A posição de caixa da Vale soma US$ 12,267 bilhões.
A alavancagem da mineradora — isto é, a relação entre a dívida líquida e o Ebitda ajustados nos últimos 12 meses — também permanece em níveis bastante baixos. Ao fim do trimestre, estava em apenas 0,3 vez, abaixo do patamar de 0,5 vez reportado em dezembro de 2019.
Perspectivas
Em termos de visão de mercado, a Vale mostra-se preocupada com o curto prazo, dadas as incertezas ligadas aos efeitos do coronavírus para a cadeia produtiva.
"Espera-se que o setor industrial europeu retome suas atividades em maio. No entanto, há incertezas quanto ao nível de recuperação, como resposta à recuperação da demanda e dos fluxos de comércio", diz a empresa, lembrando que os diferentes estágios de retomada econômica representam uma dificuldade adicional.
DE A PARA B
Entre JBS e J&F: o xadrez financeiro dos irmãos Batista na B3
21 de setembro de 2026 - 19:37PREPAREM O BOLSO
Dividendos e JCP: empresas anunciam mais de R$ 600 milhões aos acionistas; saiba quem paga e quando receber
21 de setembro de 2026 - 19:13SINERGIAS
Fusão com a Afya pode turbinar lucro da Yduqs (YDUQ3) e deixar ação mais barata, segundo Itaú BBA; veja o possível prêmio
21 de setembro de 2026 - 17:41A PENEIRA DOS BANCÕES
Itaú, Bradesco ou Banco do Brasil: BofA escolhe seu favorito na B3 — e deixa uma ação de escanteio
21 de setembro de 2026 - 15:57ALÉM DAS FRONTEIRAS
Petrobras acena com descobertas de gás na Colômbia. Aonde a estatal quer chegar?
21 de setembro de 2026 - 14:04ACESSO AO MERCADO DE CAPITAIS
J&F, dos irmãos Batista, pede registro de companhia aberta na CVM: entenda o plano da gigante para ser mais que uma holding
21 de setembro de 2026 - 11:04MAIS UM PASSO
Braskem (BRKM5) vai deixar a B3? CVM dá sinal verde para OPA. Saiba o que isso significa para os acionistas minoritários da petroquímica
21 de setembro de 2026 - 10:42MARGEM EQUATORIAL
Petrobras (PETR4) e MPF entram em briga pela exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Qual é o impasse?
21 de setembro de 2026 - 10:29ENTREVISTA EXCLUSIVA
Bradesco (BBDC4) está prestes a receber R$ 10 bilhões para crescer, mas não vai acelerar: “Não queremos voo de galinha”, diz CFO
21 de setembro de 2026 - 6:15COMPRA OU VENDER
Vale (VALE3) no olho do furacão? CEO da mineradora abre o jogo; Citi e Itaú BBA dizem o que você deve fazer com a ação
20 de setembro de 2026 - 13:33MERCADO USA A RÉGUA ERRADA?
Citi sobe o preço-alvo de BTG Pactual (BPAC11) e vê espaço para ação se descolar dos bancões
19 de setembro de 2026 - 16:55VAI PINGAR POR AÍ?
Porto (PSSA3), Totvs (TOTS3) e Fleury (FLRY3) colocam R$ 636 milhões em JCP no radar; veja quem tem direito
19 de setembro de 2026 - 15:47QUEM ESCOLHE QUEM FISCALIZA?
Perto do dono, longe da autonomia? O dilema da independência nos conselhos das empresas da bolsa
19 de setembro de 2026 - 12:38POR DENTRO DO NEGÓCIO
Cheque bilionário do Itaú (ITUB4) para a Eztec (EZTC3) deve impactar mercado de escritórios em São Paulo
18 de setembro de 2026 - 18:34PISOU NO FREIO
A maré virou para os bancões? Safra corta preço-alvo de Itaú, Bradesco e Banco do Brasil. Ainda vale apostar em alguma dessas ações?
18 de setembro de 2026 - 16:46LOJA COMPLETA
Assaí (ASAI3) enche o tanque com a compra de postos por R$ 80 milhões; entenda o que isso significa para o investidor
18 de setembro de 2026 - 14:03VOLTA AO PRESENCIAL?
Itaú (ITUB4) quer ocupar mais espaço em SP: banco aluga 100% de empreendimento da Eztec (EZTC3); entenda a estratégia
18 de setembro de 2026 - 10:18POTE DE OURO
O ‘trade’ de Vivara (VIVA3) que poucos perceberam: ouro comprado na baixa agora ajuda a turbinar o caixa
18 de setembro de 2026 - 6:07DISTRIBUIÇÃO DE PROVENTOS
Dividendos e JCP: Lojas Renner (LREN3), TIM (TIMS3), Cemig (CMIG4) e B3 (B3SA3) pagam juntas mais de R$ 2 bilhões aos acionistas
17 de setembro de 2026 - 18:34COMPROMISSO AMBIENTAL