Bank of America: Com foco em saúde, ação da SulAmérica está barata e tem perspectiva positiva
Para o banco, a companhia opera 70% abaixo do potencial e tem espaço para crescer e se aproximar dos outros players do mercado de saúde

Com a venda de seus braços de seguros de automóvel e de ramos elementares para a Allianz, a SulAmérica (SULA11) caminha para se tornar uma empresa com o foco total na área de saúde. Para o Bank of America, a mudança na direção dos rumos do negócio deve se refletir também na forma como a empresa é avaliada.
Em relatório assinado pelos analistas Giovanna Rosa, Mario Pierry, Antonio Ruette e Ernesto Gabilondo, e que marca a retomada da cobertura da empresa por parte do banco, o BofA defende que a SulAmérica seja comparada com outras companhias do segmento de saúde e justifica sua perspectiva positiva para os papéis.
Tá barato
Na visão do banco, quando utilizada essa base de comparação, a operadora apresenta um desconto expressivo com relação aos outros players do segmento e com grande oportunidade para crescer e ter um desempenho acima da média de mercado. Por isso, o BofA retomou a cobertura da companhia com a recomendação de compra (outperform) e um preço-alvo de R$ 60, 16% acima do fechamento desta terça-feira (24).
Na comparação com outras empresas de saúde, os analistas levam em consideração aspectos particulares que incidem sobre a seguradora, como despesas tributárias características e o perfil de crescimento focado em expansão orgânica, ao contrário da estratégia de fusões e aquisições adotada pelas operadoras de saúde. "Isso mostra a resiliência do modelo de negócios da SulAmérica e sua capacidade de aumentar sua receita organicamente, que acreditamos que deve continuar".
Na avaliação do banco, hoje a seguradora opera com um desconto de 70% se comparado a operadoras como Hapvida e NotreDame Intermédica. O crescimento orgânico forte deve ser uma das características que deve estreitar as diferenças existentes entre as companhias hoje, principalmente no valor de mercado.
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Recentemente a SulAmérica anunciou que vai distribuir ações aos acionistas, após o conselho aprovar o aumento do capital social mediante a capitalização de parte do saldo da conta de reserva estatutária, no valor de R$ 300 milhões.
Força para crescer
Não são só a força do crescimento da sua base e o valor descontado que seduzem os analistas do Bank of America.
A expectativa é que, com a melhora da pandemia do coronavírus, o quadro econômico se recupere e se reflita no crescimento do prêmio — no radar estão o reajuste dos planos (adiado pela Agência Nacional de Saúde) e a perspectiva de um crescimento no número de beneficiários.
Com relação à gestão da companhia, o BofA também destaca a estratégia da SulAmérica de focar no desenvolvimento de produtos mais populares, como o SulAmérica Direto, o que pode impulsionar o ganho de mercado da seguradora.
Durante a crise, a administração aproveitou para reforçar o caixa da companhia, aumentando as reservas técnicas, o que se refletiu em um balanço classificado como forte pelo banco. Segundo cálculos dos analistas, a medida pode se traduzir em um crescimento de 9% a 18% na receita em 2021.
No terceiro trimestre, já contabilizando a venda para a Allianz, a SulAmérica teve um lucro líquido de R$ 1,727 bilhão, um crescimento de 603,8% em relação ao ano passado.
Bank of America: Valor de mercado atrativo e balanço forte
Recomendação: Compra
Preço-alvo: R$ 50 (16% acima da última cotação)
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