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Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Diretor de redação do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA, trabalhou nas principais publicações de economia do país, como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances O Roteirista, Abandonado e Os Jogadores
Balanço fraco

Os números que fizeram as ações da SulAmérica despencarem na bolsa

Ações da seguradora lideraram as quedas do Ibovespa após apresentar lucro bem abaixo do esperado no primeiro trimestre. O que esperar daqui para frente?

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
14 de maio de 2020
13:03 - atualizado às 18:14
SulAmérica
Imagem: Divulgação

As ações da SulAmérica foram o principal destaque de queda entre as empresas do Ibovespa nesta quinta-feira (14), depois que a seguradora apresentou números bem ruins no balanço do primeiro trimestre deste ano.

A empresa registrou lucro líquido de R$ 79,8 milhões, o que representa uma redução de 64,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Para você ter uma ideia, a projeção média dos analistas apontava para um resultado de R$ 250 milhões no período.

Diante da frustração com os números, os recibos de ações (units) da SulAmérica (SULA11) fecharam em baixa de 6,91%, a R$ 37,87, e lideraram as quedas do Ibovespa — na mínima, chegaram a cair13,62%, a R$ 35,14. Leia também nossa cobertura completa de mercados hoje.

O que aconteceu?

O balanço da SulAmérica era bastante aguardado porque os resultados da companhia – que tem a maior parte da receita no negócio de seguro saúde –são influenciados diretamente pela pandemia do coronavírus.

A receita operacional da seguradora até que foi bem e aumentou 7,2% em relação ao primeiro trimestre do ano passado, para R$ 5,6 bilhões.

O problema é que a sinistralidade aumentou nos três primeiros meses do ano e derrubou a margem da SulAmérica. No ramo de saúde e odonto, o índice subiu 3 pontos, para 82,5%, o pior para o trimestre desde 2015.

O resultado financeiro também ajudou a derrubar o lucro da companhia, com uma queda de 77,1% em consequência da desvalorização da parcela da carteira aplicada em ações no fatídico mês de março.

Impactos do coronavírus

O resultado sem dúvida foi ruim, mas qual a perspectiva para as ações da SulAmérica daqui para frente com o agravamento da pandemia do coronavírus no país?

No relatório que acompanhou o balanço, a SulAmérica informou que até o dia 13 de maio, 1.610 beneficiários foram internados com confirmação de covid-19, com 713 destes precisando de cuidados em UTI. “Desse total, 1.031 segurados já se recuperaram e receberam alta e registramos 91 óbitos.”

Para o BTG Pactual, a queda dos papéis da SulAmérica hoje representa uma oportunidade de compra. Em relatório, o banco apontou que as medidas de isolamento social devem resultar em uma melhora nos índices de custos com procedimentos médicos no balanço do segundo trimestre.

Os analistas também esperam que a conclusão da venda do negócio de seguro de automóveis para a alemã Allianz ajude a "destravar" valor da SulAmérica.

Já para o UBS, que tem recomendação neutra para as ações, a queda nos custos que a seguradora deve ter no curto prazo com a redução de outros procedimentos médicos durante a fase mais aguda da pandemia deve ser compensada após a fase de quarentena.

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