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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

Resultado operacional forte

Marfrig fecha o 1º trimestre no vermelho, mas tem expansão na receita e nas margens

A Marfrig teve desempenhos recordes nas operações da América do Norte e do Sul. No entanto, a pressão no resultado financeiro fez a empresa terminar o trimestre com prejuízo

Frigorífico Marfrig JBS BRF carne
Imagem: Shutterstock

Uma das grandes exportadoras de carne bovina do país, a Marfrig fechou o primeiro trimestre deste ano com um prejuízo líquido de R$ 137 milhões, revertendo o lucro de R$ 4 milhões reportado há um ano. Isso, no entanto, não quer dizer que o desempenho da empresa tenha ficado aquém do esperado.

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Boa parte dessas perdas pode ser explicada pela maior pressão na linha de resultado financeiro: com a forte alta do dólar entre janeiro e março, a empresa viu as despesas relacionadas ao saldo do endividamento aumentarem — a Marfrig possui uma parcela de suas dívidas denominada na moeda americana.

Mas, deixando essa questão de lado e olhando apenas para o lado operacional, é possível ver que a companhia teve um trimestre mais forte: a receita líquida, o Ebitda — ou seja, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — e as margens aumentaram em um ano.

A receita, por exemplo, avançou 26,5% em relação ao primeiro trimestre de 2019, totalizando R$ 13,5 bilhões — tanto as operações da América do Norte quanto as da América do Sul tiveram bons resultados, com expansão no valor das vendas.

E, com esse bom desempenho operacional, o Ebitda da Marfrig saltou 76,6% em um ano, para R$ 1,168 bilhão — em bases ajustadas, que desconsideram despesas não recorrentes, o Ebitda avançou 109,3%, para R$ 1,223 bilhão, com margem subindo de 5,5% para 9,1%.

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Se estendermos esse critério ao resultado líquido, a Marfrig teve um lucro de R$ 32 bilhões no trimestre, um resultado que superou as expectativas dos analistas: a média das projeções compiladas pela Bloomberg era de perda ajustada de R$ 92,25 bilhões.

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Fortalecimento

As operações da Marfrig na América do Norte, sozinhas, geraram uma receita de US$ 2,18 bilhões entre janeiro e março deste ano, alta de 7% em relação aos primeiros três meses de 2019 — um resultado recorde para um único trimestre.

Convertendo esse montante para reais, chegamos à cifra de R$ 9,736 bilhões — com isso, as cinco plantas nos EUA foram responsáveis por 72% da receita total da companhia. E o crescimento não foi só no lado do valor vendido: o volume total aumentou 19,2%, para 502 mil toneladas.

Segundo a companhia, esse bom desempenho se deve à maior disponibilidade de gado no período, o que aumentou o abate e elevou o rendimento das unidades americanas. Além disso, houve uma demanda sólida por carne bovina nos EUA no período e um crescimento nas vendas de produtos diretamente ao consumidor.

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"Neste contexto desafiador a diversidade geográfica das operações da Marfrig localizadas na América do Sul e do Norte se confirmou como uma grande força estratégica da companhia" — Marfrig, em mensagem aos acionistas

Na América do Sul, a receita líquida avançou 26,1% na mesma base de comparação, chegando a R$ 3,766 bilhões — a divisão conta com três unidades no Brasil, três na Argentina e uma no Uruguai. Em termos de volume, foram 240 mil toneladas comercializadas entre janeiro e março, alta de 2,1%.

Aqui, o segredo foi o aumento nas exportações: segundo a Marfrig, o volume de vendas das plantas na América do Sul para fora aumentaram em 64,5%, com um crescimento de 30,4% no preço praticado. A maior demanda pro produtos processados também ajudou a fortalecer o desempenho da divisão.

Custos sobem, mas nem tanto

O bom desempenho operacional da Marfrig também diz respeito ao aumento contido nas despesas no trimestre: os custos dos produtos vendidos chegaram a R$ 11,8 bilhões, alta de 21,7% em um ano — um crescimento inferior ao da receita.

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Assim, o lucro bruto da companhia disparou 76% na base anual, chegando a R$ 1,676 bilhão, e a margem bruta saltou de 8,9% para 12,4%. As despesas com vendas, gerais e administrativas também tiveram uma expansão não tão intensa: alta de 15%, para R$ 757 milhões.

O grande problema, assim, ficou com o resultado financeiro líquido: entre janeiro e março, a linha ficou negativa em R$ 1,183 bilhão, um saldo muito pior que o reportado há um ano, quando a linha esteve negativa em R$ 380 milhões.

Dívida sobe

Quanto ao endividamento, a Marfrig fechou o mês de março com uma divida líquida de US$ 3,729 bilhão, alta de 12,9% em relação ao nível visto no fim de 2019.

As métricas de alavancagem, contudo, não foram fortemente afetadas, uma vez que o Ebitda da Marfrig cresceu de maneira intensa neste trimestre. A relação entre a dívida líquida e o Ebitda acumulado nos últimos 12 meses estava em 2,84 vezes ao término do primeiro trimestre, pouco acima dos 2,74 vezes registrados em dezembro de 2019.

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