Marfrig fecha o 1º trimestre no vermelho, mas tem expansão na receita e nas margens
A Marfrig teve desempenhos recordes nas operações da América do Norte e do Sul. No entanto, a pressão no resultado financeiro fez a empresa terminar o trimestre com prejuízo

Uma das grandes exportadoras de carne bovina do país, a Marfrig fechou o primeiro trimestre deste ano com um prejuízo líquido de R$ 137 milhões, revertendo o lucro de R$ 4 milhões reportado há um ano. Isso, no entanto, não quer dizer que o desempenho da empresa tenha ficado aquém do esperado.
Boa parte dessas perdas pode ser explicada pela maior pressão na linha de resultado financeiro: com a forte alta do dólar entre janeiro e março, a empresa viu as despesas relacionadas ao saldo do endividamento aumentarem — a Marfrig possui uma parcela de suas dívidas denominada na moeda americana.
Mas, deixando essa questão de lado e olhando apenas para o lado operacional, é possível ver que a companhia teve um trimestre mais forte: a receita líquida, o Ebitda — ou seja, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — e as margens aumentaram em um ano.
A receita, por exemplo, avançou 26,5% em relação ao primeiro trimestre de 2019, totalizando R$ 13,5 bilhões — tanto as operações da América do Norte quanto as da América do Sul tiveram bons resultados, com expansão no valor das vendas.
E, com esse bom desempenho operacional, o Ebitda da Marfrig saltou 76,6% em um ano, para R$ 1,168 bilhão — em bases ajustadas, que desconsideram despesas não recorrentes, o Ebitda avançou 109,3%, para R$ 1,223 bilhão, com margem subindo de 5,5% para 9,1%.
Leia Também
Se estendermos esse critério ao resultado líquido, a Marfrig teve um lucro de R$ 32 bilhões no trimestre, um resultado que superou as expectativas dos analistas: a média das projeções compiladas pela Bloomberg era de perda ajustada de R$ 92,25 bilhões.
Fortalecimento
As operações da Marfrig na América do Norte, sozinhas, geraram uma receita de US$ 2,18 bilhões entre janeiro e março deste ano, alta de 7% em relação aos primeiros três meses de 2019 — um resultado recorde para um único trimestre.
Convertendo esse montante para reais, chegamos à cifra de R$ 9,736 bilhões — com isso, as cinco plantas nos EUA foram responsáveis por 72% da receita total da companhia. E o crescimento não foi só no lado do valor vendido: o volume total aumentou 19,2%, para 502 mil toneladas.
Segundo a companhia, esse bom desempenho se deve à maior disponibilidade de gado no período, o que aumentou o abate e elevou o rendimento das unidades americanas. Além disso, houve uma demanda sólida por carne bovina nos EUA no período e um crescimento nas vendas de produtos diretamente ao consumidor.
"Neste contexto desafiador a diversidade geográfica das operações da Marfrig localizadas na América do Sul e do Norte se confirmou como uma grande força estratégica da companhia" — Marfrig, em mensagem aos acionistas
Na América do Sul, a receita líquida avançou 26,1% na mesma base de comparação, chegando a R$ 3,766 bilhões — a divisão conta com três unidades no Brasil, três na Argentina e uma no Uruguai. Em termos de volume, foram 240 mil toneladas comercializadas entre janeiro e março, alta de 2,1%.
Aqui, o segredo foi o aumento nas exportações: segundo a Marfrig, o volume de vendas das plantas na América do Sul para fora aumentaram em 64,5%, com um crescimento de 30,4% no preço praticado. A maior demanda pro produtos processados também ajudou a fortalecer o desempenho da divisão.
[captacao]
Custos sobem, mas nem tanto
O bom desempenho operacional da Marfrig também diz respeito ao aumento contido nas despesas no trimestre: os custos dos produtos vendidos chegaram a R$ 11,8 bilhões, alta de 21,7% em um ano — um crescimento inferior ao da receita.
Assim, o lucro bruto da companhia disparou 76% na base anual, chegando a R$ 1,676 bilhão, e a margem bruta saltou de 8,9% para 12,4%. As despesas com vendas, gerais e administrativas também tiveram uma expansão não tão intensa: alta de 15%, para R$ 757 milhões.
O grande problema, assim, ficou com o resultado financeiro líquido: entre janeiro e março, a linha ficou negativa em R$ 1,183 bilhão, um saldo muito pior que o reportado há um ano, quando a linha esteve negativa em R$ 380 milhões.
Dívida sobe
Quanto ao endividamento, a Marfrig fechou o mês de março com uma divida líquida de US$ 3,729 bilhão, alta de 12,9% em relação ao nível visto no fim de 2019.
As métricas de alavancagem, contudo, não foram fortemente afetadas, uma vez que o Ebitda da Marfrig cresceu de maneira intensa neste trimestre. A relação entre a dívida líquida e o Ebitda acumulado nos últimos 12 meses estava em 2,84 vezes ao término do primeiro trimestre, pouco acima dos 2,74 vezes registrados em dezembro de 2019.
REAÇÃO AO RESULTADO
Santander (SANB11) afunda mais de 5% após resultado fraco, mas analistas revelam ‘trunfo’ que pode salvar as ações da queda
28 de outubro de 2026 - 11:54OS BASTIDORES DA OPERAÇÃO
Por dentro da Shopee: 150 mil tipos de produtos, muitas mãos e uma corrida para fazer cada pedido chegar à sua casa
28 de outubro de 2026 - 10:46BALANÇO
Santander Brasil (SANB11) frustra no 3T26: lucro tomba 28% e ROE cai a 11,9%; veja os destaques do balanço
28 de outubro de 2026 - 6:16POTENCIAL DE ALTA
Maré favorável? Citi inicia cobertura da OceanPact (OPCT3) e vê espaço para alta de 48%
27 de outubro de 2026 - 17:06PRÉVIA DO BALANÇO
Lucro menor, calotes no radar e recuperação adiada: o que esperar do balanço do Santander Brasil (SANB11) no 3T26
27 de outubro de 2026 - 13:28FACA AFIADA
Citi manda vender Banco do Brasil (BBAS3) após eleições; veja o que colocar no lugar
27 de outubro de 2026 - 13:09SD ENTREVISTA
Agência com cara de hotel? A aposta do Bradesco (BBDC4) para atrair clientes endinheirados
27 de outubro de 2026 - 12:03APOSTA NO LUXO
Massagem, hotéis Fasano e descontos: a nova cartada do Itaú (ITUB4) e da JHSF (JHSF3) para conquistar os clientes ricos
27 de outubro de 2026 - 8:33VAI DE BOLSA
Após SpaceX (SPCX), Anthropic quer entrar no grupo do ‘IPO do trilhão’ com documento enviado à SEC
26 de outubro de 2026 - 14:45AQUISIÇÃO BILIONÁRIA
Itaú (ITUB4) desembolsa R$ 2,925 bilhões para comprar NeoSpace e fortalecer operação de inteligência artificial
26 de outubro de 2026 - 9:12AGORA VAI?
Oncoclínicas (ONCO3) avança em reestruturação e apresenta novo plano para renegociar R$ 5,7 bilhões em dívidas
23 de outubro de 2026 - 19:43MAIS UM RECORDE
Embraer (EMBJ3) tem novo recorde na carteira de pedidos, que totalizou US$ 35,7 bilhões no 3T26; veja os números
23 de outubro de 2026 - 16:48BARATA DEMAIS?
Petz Cobasi (AUAU3) quer recomprar até 17,6 milhões de ações; o que isso significa para o acionista?
23 de outubro de 2026 - 16:21Conteúdo Empiricus
A Warner vale US$ 110 bilhões? Entenda por que saber o preço justo da sua empresa pode fazer a diferença em uma negociação
23 de outubro de 2026 - 14:00DEPOIS DO RESULTADO....
Crédito sob pressão: CEO do Bradesco (BBDC4) defende qualidade da carteira, mas mercado teme perda de ritmo
23 de outubro de 2026 - 11:46BALANÇO
Lucro do Bradesco (BBDC4) sobe 14% no 3T26, a R$ 7,1 bilhões; calotes podem frear a virada?
22 de outubro de 2026 - 18:07NEGÓCIO EM ANDAMENTO
CSN (CSNA3): Agora vai? Venda da CSN Cimentos deve sair nas próximas 2 semanas, mas sem exclusividade, diz jornal
22 de outubro de 2026 - 17:58O QUE PESOU NO 3T26?
A conta chegou para a WEG (WEGE3): custos e tarifas dos EUA pressionam margens; veja o que diz a empresa
22 de outubro de 2026 - 17:18ALTA DE 22% EM DÓLAR
Petrobras (PETR4) supera gigantes globais e emplaca a maior valorização do setor em outubro. Além do petróleo, o que está por trás?
22 de outubro de 2026 - 16:42O QUE DIZEM OS ANALISTAS?