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A pandemia mexeu diretamente com a economia global e encurralou algumas grandes empresas: Latam, Avianca, JCPenney e Hertz são apenas algumas que precisaram recorrer à recuperação judicia
Que a crise do coronavírus está causando um estrago imenso na economia global, você já está cansado de saber: as medidas de isolamento social têm como efeito colateral a queda drástica no nível de atividade dos países. Nesse cenário, até mesmo gigantes como a Latam tiveram que adotar medidas drásticas para tentar sobreviver — mas há muitas outras companhias importantes que foram igualmente feridas.
Desde março, quando o Covid-19 chegou com força ao Ocidente, muitas empresas de grande porte precisaram recorrer à recuperação judicial ou à algum outro mecanismo para renegociar suas dívidas e, assim, evitar uma eventual falência.
Mas, antes de passarmos à lista de companhias que estão em maus lençóis, cabe um adendo: um pedido de recuperação judicial não é um atestado de morte. Muitas empresas já precisaram recorrer a esse artifício no passado e deram a volta por cima — Delta e American Airlines, por exemplo, sobreviveram ao processo e continuam operando até hoje.
Um processo de recuperação judicial nada mais é que um 'tratamento de choque': a empresa reconhece as dificuldades financeiras e traça um plano para tentar reverter o jogo. As medidas podem incluir renegociações com credores, vendas de ativos, diminuição do escopo das atividades e muitas outras iniciativas.
Além disso, uma empresa nessas condições não deixa de operar: a ideia é manter a companhia atuando, em maior ou menor escala, para continuar gerando caixa e, assim, conseguir sair do buraco.
Também é preciso deixar claro que um processo de recuperação judicial não necessariamente é rápido. Esse 'limbo' pode se arrastar por meses ou até anos antes que o destino da companhia seja selado — e a Oi é a melhor representante desse caso.
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Nesta matéria, vamos falar apenas de empresas que possuem capital aberto, no Brasil ou no exterior. Infelizmente, há um número muito grande de companhias — e dos mais diferentes portes — que estão em situação difícil e que lutam como podem para emergir vitoriosas dessa crise.

Talvez o caso mais chamativo até o momento seja o da Latam, a maior companhia aérea da América Latina. O grupo e suas afiliadas no Chile, Peru, Colômbia, Equador e EUA deram entrada no chamado 'Chapter 11' — o mecanismo de recuperação judicial da justiça americana.
As unidades da Latam na Argentina, no Paraguai e no Brasil não fazem parte do processo — por aqui, a empresa disse estar em discussão com o governo Bolsonaro para encontrar possíveis saídas para a crise.
E qual o tamanho do problema da Latam? Bem, a empresa teve um prejuízo de US$ 2,1 bilhões no primeiro trimestre deste ano — ajustes contábeis relacionados ao coronavírus afetaram fortemente a companhia no período. A dívida em março somava US$ 7,6 bilhões.
Entre as medidas já anunciadas pela aérea para tentar reverter a situação, está a possível devolução de aeronaves — o que, obviamente, implica numa redução da malha. Nos últimos dias, a imprensa noticiou que a Latam poderá demitir até 700 pilotos no Brasil.
O setor aéreo é um dos mais afetados pela crise do coronavírus: o isolamento social e as restrições na circulação de pessoas provocaram uma queda massiva na demanda por voos, ao mesmo tempo que a valorização do dólar gerou um aumento nos custos do segmento.
E como ficaram as ações da Latam? Bem... é um comportamento curioso. A companhia deu entrada no pedido de recuperação judicial em 26 de maio e, imediatamente, seus papéis despencaram na bolsa de Santiago.
Só que, desde então, houve uma recuperação firme, em paralelo ao rali global das bolsas. Esse salto foi tão expressivo que, na última sexta-feira (5), as ações da Latam já tinham recuperado toda a perda. Apenas na semana passada, os papéis dispararam mais de 80%, para 1.570 pesos chilenos.

Certamente, não é o comportamento esperado para as ações de uma empresa em recuperação judicial — e, para alguns, é mais uma prova de que o rali recente das bolsas estaria descolado dos fundamentos.

Outra empresa associada ao setor de viagens e que atravessa momentos difíceis é a Hertz, uma das mais antigas companhias mundiais do setor de locação de veículos. A holding e as subsidiárias nos EUA e no Canadá entraram em recuperação judicial também no fim de maio.
"O impacto da Covid-19 na demanda por viagens foi súbito e dramático, causando uma queda abrupta na receita da companhia e nas reservas futuras", disse a companhia, na ocasião. "A incerteza permanece em relação a quando a receita voltará ao normal e ao momento em que o mercado de carros seminovos será reaberto, o que tornou necessária a recuperação judicial".
Em termos financeiros, a empresa fechou o primeiro trimestre com um prejuízo de US$ 356 milhões, com Ebitda negativo de US$ 243 milhões. A dívida da locadora ultrapassava os US$ 18 bilhões ao fim de março. Vale lembrar que, no Brasil, as operações da Hertz foram compradas pela Localiza em 2017.
O fechamento de unidades e a venda de uma boa parte de sua frota de veículos usados está no radar da Hertz — uma tarefa que pode ser difícil, considerando que a demanda do setor automobilístico também está em baixa no mundo.
Quanto às ações da Hertz, temos um comportamento semelhante aos ativos da Latam: uma queda brusca logo após o pedido de recuperação judicial, acompanhada por uma disparada surpreendente nos últimos dias.

Somente ao longo da semana passada, os papéis da companhia mais que dobraram de valor, saindo de US$ 1,00 para US$ 2,57. Inusitado, para dizer o mínimo.

Saindo um pouco do setor de viagens e turismo e indo para outro segmento diretamente afetado pelo coronavírus: o de varejo. A JCPenney, uma tradicional rede de lojas de departamento dos EUA, deu entrada num pedido de recuperação judicial no meio de maio.
A empresa já não andava bem das pernas e tentava encontrar uma maneira de reaquecer suas vendas, que vinham numa onda de queda há alguns anos. A pandemia, no entanto, impediu qualquer tipo de reação por parte da companhia, obrigando o fechamento de lojas por tempo indeterminado.
O modelo tradicional da JCPenney, dedicado à venda física de roupas, perfumes, joias e artigos para o lar, enfrentava dificuldades cada vez maiores para lidar com a concorrência crescente e o e-commerce, sobretudo no setor de eletrônicos. A dívida da varejista já ultrapassa os US$ 4 bilhões.
Assim como as outras ações citadas nessa companhia, as da JCPenney também passaram por uma onda de valorização nos últimos dias. Contudo, é importante ressaltar que os papéis da companhia são muito baratos — os chamados 'penny stocks', com o perdão do trocadilho.
Esse tipo de ação é mais sujeita à especulação do mercado, não sendo de todo incomum uma onda súbita de alta. Na última semana, os papéis negociados em Nova York saltaram 52%, indo de US$ 0,21 para US$ 0,32.

Outra gigante que já dava sinais de cansaço mesmo antes da pandemia é a colombiana Avianca Holdings, que também deu entrada no 'Chapter 11' em maio.
Desde 2019, a empresa vinha tentando renegociar sua dívida com diversos credores — assim, a entrada em recuperação judicial não foi exatamente uma surpresa para quem acompanha o setor. Essa, inclusive, é a segunda vez que aérea colombiana encara o processo: em 2008, ela conseguiu voltar ao jogo.
A dívida da Avianca somava cerca de US$ 8 bilhões ao fim de 2019. E, assim como a Latam e outras companhias aéreas do mundo, se viu numa situação bastante complexa com a crise do coronavírus.
E, ao contrário das demais empresas citadas até agora, a Avianca não experimentou uma recuperação no mercado acionário. Os recibos de ações da companhia (ADRs) em Nova York, que estavam na casa de US$ 3,00 no começo de março, caíram para abaixo da linha de US$ 1,00 e não mais saíram dessa casa.
A lista de empresas notáveis que entraram com pedido de recuperação judicial desde o início da crise do coronavírus é imensa. Veja abaixo outros exemplos:
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