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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

Crise global

A Latam não é a única: veja outras gigantes que estão em maus lençóis por causa do coronavírus

A pandemia mexeu diretamente com a economia global e encurralou algumas grandes empresas: Latam, Avianca, JCPenney e Hertz são apenas algumas que precisaram recorrer à recuperação judicia

Victor Aguiar
Victor Aguiar
7 de junho de 2020
12:00
Coronavírus crise
Imagem: Shutterstock

Que a crise do coronavírus está causando um estrago imenso na economia global, você já está cansado de saber: as medidas de isolamento social têm como efeito colateral a queda drástica no nível de atividade dos países. Nesse cenário, até mesmo gigantes como a Latam tiveram que adotar medidas drásticas para tentar sobreviver — mas há muitas outras companhias importantes que foram igualmente feridas.

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Desde março, quando o Covid-19 chegou com força ao Ocidente, muitas empresas de grande porte precisaram recorrer à recuperação judicial ou à algum outro mecanismo para renegociar suas dívidas e, assim, evitar uma eventual falência.

Mas, antes de passarmos à lista de companhias que estão em maus lençóis, cabe um adendo: um pedido de recuperação judicial não é um atestado de morte. Muitas empresas já precisaram recorrer a esse artifício no passado e deram a volta por cima — Delta e American Airlines, por exemplo, sobreviveram ao processo e continuam operando até hoje.

Um processo de recuperação judicial nada mais é que um 'tratamento de choque': a empresa reconhece as dificuldades financeiras e traça um plano para tentar reverter o jogo. As medidas podem incluir renegociações com credores, vendas de ativos, diminuição do escopo das atividades e muitas outras iniciativas.

Além disso, uma empresa nessas condições não deixa de operar: a ideia é manter a companhia atuando, em maior ou menor escala, para continuar gerando caixa e, assim, conseguir sair do buraco.

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Também é preciso deixar claro que um processo de recuperação judicial não necessariamente é rápido. Esse 'limbo' pode se arrastar por meses ou até anos antes que o destino da companhia seja selado — e a Oi é a melhor representante desse caso.

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Nesta matéria, vamos falar apenas de empresas que possuem capital aberto, no Brasil ou no exterior. Infelizmente, há um número muito grande de companhias — e dos mais diferentes portes — que estão em situação difícil e que lutam como podem para emergir vitoriosas dessa crise.

Latam

Avião da Latam

Talvez o caso mais chamativo até o momento seja o da Latam, a maior companhia aérea da América Latina. O grupo e suas afiliadas no Chile, Peru, Colômbia, Equador e EUA deram entrada no chamado 'Chapter 11' — o mecanismo de recuperação judicial da justiça americana.

As unidades da Latam na Argentina, no Paraguai e no Brasil não fazem parte do processo — por aqui, a empresa disse estar em discussão com o governo Bolsonaro para encontrar possíveis saídas para a crise.

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E qual o tamanho do problema da Latam? Bem, a empresa teve um prejuízo de US$ 2,1 bilhões no primeiro trimestre deste ano — ajustes contábeis relacionados ao coronavírus afetaram fortemente a companhia no período. A dívida em março somava US$ 7,6 bilhões.

Entre as medidas já anunciadas pela aérea para tentar reverter a situação, está a possível devolução de aeronaves — o que, obviamente, implica numa redução da malha. Nos últimos dias, a imprensa noticiou que a Latam poderá demitir até 700 pilotos no Brasil.

O setor aéreo é um dos mais afetados pela crise do coronavírus: o isolamento social e as restrições na circulação de pessoas provocaram uma queda massiva na demanda por voos, ao mesmo tempo que a valorização do dólar gerou um aumento nos custos do segmento.

E como ficaram as ações da Latam? Bem... é um comportamento curioso. A companhia deu entrada no pedido de recuperação judicial em 26 de maio e, imediatamente, seus papéis despencaram na bolsa de Santiago.

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Só que, desde então, houve uma recuperação firme, em paralelo ao rali global das bolsas. Esse salto foi tão expressivo que, na última sexta-feira (5), as ações da Latam já tinham recuperado toda a perda. Apenas na semana passada, os papéis dispararam mais de 80%, para 1.570 pesos chilenos.

Comportamento das ações da Latam na bolsa de Santiago (LTM) desde o começo de maio. Fonte: Bloomberg

Certamente, não é o comportamento esperado para as ações de uma empresa em recuperação judicial — e, para alguns, é mais uma prova de que o rali recente das bolsas estaria descolado dos fundamentos.

Hertz

Hertz locadora de veículos

Outra empresa associada ao setor de viagens e que atravessa momentos difíceis é a Hertz, uma das mais antigas companhias mundiais do setor de locação de veículos. A holding e as subsidiárias nos EUA e no Canadá entraram em recuperação judicial também no fim de maio.

"O impacto da Covid-19 na demanda por viagens foi súbito e dramático, causando uma queda abrupta na receita da companhia e nas reservas futuras", disse a companhia, na ocasião. "A incerteza permanece em relação a quando a receita voltará ao normal e ao momento em que o mercado de carros seminovos será reaberto, o que tornou necessária a recuperação judicial".

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Em termos financeiros, a empresa fechou o primeiro trimestre com um prejuízo de US$ 356 milhões, com Ebitda negativo de US$ 243 milhões. A dívida da locadora ultrapassava os US$ 18 bilhões ao fim de março. Vale lembrar que, no Brasil, as operações da Hertz foram compradas pela Localiza em 2017.

O fechamento de unidades e a venda de uma boa parte de sua frota de veículos usados está no radar da Hertz — uma tarefa que pode ser difícil, considerando que a demanda do setor automobilístico também está em baixa no mundo.

Quanto às ações da Hertz, temos um comportamento semelhante aos ativos da Latam: uma queda brusca logo após o pedido de recuperação judicial, acompanhada por uma disparada surpreendente nos últimos dias.

Comportamento das ações da Hertz na bolsa de Nova York (HTZ) desde o começo de maio. Fonte: Bloomberg

Somente ao longo da semana passada, os papéis da companhia mais que dobraram de valor, saindo de US$ 1,00 para US$ 2,57. Inusitado, para dizer o mínimo.

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JCPenney

JCPenney

Saindo um pouco do setor de viagens e turismo e indo para outro segmento diretamente afetado pelo coronavírus: o de varejo. A JCPenney, uma tradicional rede de lojas de departamento dos EUA, deu entrada num pedido de recuperação judicial no meio de maio.

A empresa já não andava bem das pernas e tentava encontrar uma maneira de reaquecer suas vendas, que vinham numa onda de queda há alguns anos. A pandemia, no entanto, impediu qualquer tipo de reação por parte da companhia, obrigando o fechamento de lojas por tempo indeterminado.

O modelo tradicional da JCPenney, dedicado à venda física de roupas, perfumes, joias e artigos para o lar, enfrentava dificuldades cada vez maiores para lidar com a concorrência crescente e o e-commerce, sobretudo no setor de eletrônicos. A dívida da varejista já ultrapassa os US$ 4 bilhões.

Assim como as outras ações citadas nessa companhia, as da JCPenney também passaram por uma onda de valorização nos últimos dias. Contudo, é importante ressaltar que os papéis da companhia são muito baratos — os chamados 'penny stocks', com o perdão do trocadilho.

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Esse tipo de ação é mais sujeita à especulação do mercado, não sendo de todo incomum uma onda súbita de alta. Na última semana, os papéis negociados em Nova York saltaram 52%, indo de US$ 0,21 para US$ 0,32.

Avianca Holdings

Avianca
Avianca

Outra gigante que já dava sinais de cansaço mesmo antes da pandemia é a colombiana Avianca Holdings, que também deu entrada no 'Chapter 11' em maio.

Desde 2019, a empresa vinha tentando renegociar sua dívida com diversos credores — assim, a entrada em recuperação judicial não foi exatamente uma surpresa para quem acompanha o setor. Essa, inclusive, é a segunda vez que aérea colombiana encara o processo: em 2008, ela conseguiu voltar ao jogo.

A dívida da Avianca somava cerca de US$ 8 bilhões ao fim de 2019. E, assim como a Latam e outras companhias aéreas do mundo, se viu numa situação bastante complexa com a crise do coronavírus.

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E, ao contrário das demais empresas citadas até agora, a Avianca não experimentou uma recuperação no mercado acionário. Os recibos de ações da companhia (ADRs) em Nova York, que estavam na casa de US$ 3,00 no começo de março, caíram para abaixo da linha de US$ 1,00 e não mais saíram dessa casa.

Outras gigantes

A lista de empresas notáveis que entraram com pedido de recuperação judicial desde o início da crise do coronavírus é imensa. Veja abaixo outros exemplos:

  • Companhias aéreas:
    • Virgin Australia
    • Flybe (Reino Unido)
    • Trans States Airlines (EUA)
  • Energia:
    • Diamond Offshore (EUA)
    • Ultra Petroleum (EUA)
    • Whiting Petroleum (EUA)
  • Varejo:
    • J. Crew (EUA)
    • Neiman Marcus (EUA)

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