Iguatemi tem lucro líquido de R$ 43,6 milhões no 2º trimestre, queda de 23%
O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 114,9 milhões, recuo de 16,5% na mesma base de comparação

A rede de shoppings de luxo Iguatemi obteve lucro líquido de 43,6 milhões no segundo trimestre de 2020, queda de 23% em relação ao mesmo período de 2019.
O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 114,9 milhões, recuo de 16,5% na mesma base de comparação, com margem de 71,4%.
O FFO (lucro líquido excluindo depreciação, amortização e efeitos não caixa) alcançou R$ 83,8 milhões, queda de 8,8%. E a receita líquida totalizou R$ 160,9 milhões, baixa de 14,3%.
O encolhimento nos resultados do grupo é resultado direto da pandemia do coronavírus, que fechou os shoppings por uma boa parte do período. A companhia é sócia de 16 empreendimentos (14 shoppings de luxo e 2 outlets), dos quais apenas 12 já voltaram a funcionar e, ainda assim, com restrições no expediente.
Isso se traduziu em queda nas vendas e em perda de faturamento com locação de pontos comerciais e cobrança de estacionamento. A Iguatemi isentou o aluguel dos lojistas nos meses em que os shoppings ficaram fechados e vem concedendo descontos nesta reabertura parcial.
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A receita bruta totalizou R$ 160 milhões, queda de 25,3%. A receita de aluguel atingiu R$ 229,1 milhões, recuo de 11%, enquanto a receita de estacionamento foi de apenas R$ 5,6 milhões, uma baixa de 90,7%.
As vendas totais nos shoppings caíram 82,8%, para R$ 603,6 milhões. As vendas nas mesmas lojas (abertas há mais de um ano) diminuíram 70,6% no período, enquanto os aluguéis nas mesmas lojas tiveram retração de 79,1%
Efeito contábil
Os danos ao balanço no trimestre só não foram piores devido à adoção da prática contábil de linearização.
Essa é uma prática comum no setor de shoppings. Funciona assim: os valores dos contratos de locação dos pontos comerciais são divididos de uma forma equilibrada ao longo do seu período de vigência. Isso serve para o operador dos shoppings diminuir a volatilidade no reconhecimento da receita, que dispara em alguns períodos, como nas vendas de fim de ano.
Agora, porém, o efeito da linearização está sendo aplicado também nos valores dos descontos sobre os aluguéis, em conformidade com o direcionamento do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), segundo a Iguatemi. Ou seja, essa perda de receita "está sendo espalhada ao longo dos períodos de vigência dos contratos, diluindo os prejuízos originados no trimestre.
O lado bom para as empresas é que o prejuízo não fica tão feio agora. O lado ruim é que esses danos vão pesar nos balanços por muitos trimestres adiante.
Caixa
A dívida total da Iguatemi no fim do segundo trimestre ficou em R$ 2,8 bilhões, 12% acima do fim do primeiro trimestre, impulsionada pela captação de recursos no mercado, como a emissão de debêntures no montante de R$ 300 milhões.
A disponibilidade de caixa estava em R$ 1,2 bilhão, aumento de 24,7% na mesma base de comparação, levando a uma Dívida líquida de R$ 1,6 bilhão e uma alavancagem (dívida Líquida ante o Ebitda) de 2,66 vezes, ante 2,47 no fim do trimestre anterior.
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