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Num cenário de queda da demanda por causa do surto de coronavírus, a Gol anunciou um plano de redução da oferta de voos até junho
O surto de coronavírus tem trazido um efeito devastador ao setor aéreo global. Em meio à queda na demanda por viagens e às restrições de tráfego aéreo entre diversos países, quase todas as empresas do segmento têm atravessado momentos de extrema dificuldade — e a Gol acabou de dar uma dimensão do desafio que enfrentará adiante.
A companhia brasileira admitiu que, por causa da deterioração do cenário global e dos riscos associados à doença, precisará cortar sua capacidade total em cerca de 60% a 70% até junho — no segmento doméstico, a diminuição será de 50% a 60%, mas, no internacional, o corte será quase total: de 90% a 95%.
"Estamos nos colocando à inteira disposição para auxiliar as autoridades brasileiras no atendimento às necessidades da população", disse o presidente da Gol, Paulo Kakinoff, em comunicado ao mercado. Segundo a empresa, o surto de Covid-19 não causou uma queda relevante na demanda por viagens, mas o cenário mudou radicalmente a partir de março.
O cenário cada vez mais desafiador para as empresas aéreas se reflete no desempenho das ações dessas companhias na bolsa. Gol PN (GOLL4), por exemplo, já acumula perdas de mais de 75% desde o começo do ano; no mesmo período, Azul PN (AZUL4) tem baixa de cerca de 72%.
Na manhã desta segunda-feira, a Azul também anunciou medidas para adequação da malha: a companhia suspendeu os voos internacionais e reduziu a capacidade de 20% a 25% já em março. Representantes do setor aguardam eventuais incentivos do governo, de modo a ajudar as empresas neste momento delicado.
No exterior, o clima é igualmente difícil: com o fechamento das rotas entre Estados Unidos e Europa, as principais companhias aéreas do mundo têm passado por enormes problemas — e suas ações também despencam nas bolsas globais.
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A American Airlines — que já anunciou a suspensão dos voos para o Brasil e os demais países da América do Sul — vê seus papéis (AAL) desabarem 44,49% no ano; United Airlines (UAL) despenca 59,7% e a Delta (DAL) tem queda de 38,77%.
Na Europa, a Air France-KLM (FR:AF) acumula perda de 56,5% desde o começo de 2020; outra gigante europeia, a Lufthansa (XE:LHA) tem queda de 47,25%.
No Brasil, as companhias aéreas ainda têm mais um fator de estresse a ser considerado: a disparada do dólar — nesta segunda-feira, a moeda americana fechou em alta de 4,90% no segmento à vista, cotada a R$ 5,0523.
O câmbio é importante para empresas como Gol e Azul porque o combustível de aviação (QAV) é precificado em dólar. Assim, quanto mais alta a cotação da moeda americana, maiores as despesas com querosene, e vice-versa.
Ok, a queda do petróleo traz algum alívio à equação, mas não é suficiente para amenizar o efeito da disparada do dólar. E, além disso, as companhias aéreas possuem muitos outros gastos e dívidas denominados em moeda americana.
Apesar do cenário de dificuldades, a Gol manteve seus planos de negócio para médio e longo prazos, afirmando que vários cenários foram analisados e que alguns gatilhos específicos foram definidos para executar outras ações — se necessário, a empresa diz que tomará novas medidas.
Em nota, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) diz que suas associadas já registraram, em média, queda de 30% na demanda por voos domésticos e redução de 50% nas viagens internacionais, na comparação com o mesmo período do ano passado.
No começo da semana, a companhia anunciou a ampliação de seu acordo de fornecimento de carne com a subsidiária do fundo soberano da Arábia Saudita, além de avanços nas aprovações para um possível IPO da Sadia Halal
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