Cliente da Vivara troca ouro por prata na pandemia
De acordo com Marcio Kaufman, presidente da Vivara, a fatia do ouro na rede, que tradicionalmente é de 50%, caiu para 44%

Uma das queridinhas do varejo no mercado financeiro, especialmente após a abertura de capital na qual levantou mais de R$ 2 bilhões, a joalheria Vivara já percebeu que os efeitos da crise gerada pela pandemia de coronavírus - forte retração na economia, com reflexos no emprego e na renda - deverá influenciar na disposição do consumidor em gastar.
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Nos últimos três meses, em meio ao isolamento social, a companhia viu a venda de prata crescer em seu portfólio, uma tendência que deve se consolidar.
De acordo com Marcio Kaufman, presidente da Vivara e responsável pela aceleração da expansão do negócio fundado por seu avô há quase 60 anos, a fatia do ouro na rede, que tradicionalmente é de 50%, caiu para 44%, enquanto a participação dos acessórios ficou estável em 17%.
A diferença foi coberta pela prata, cuja relevância para a rede ficou mais próxima à do ouro. "Na média, o tíquete de compra ficou mais em conta, e percebemos o crescimento da prata", explica Kaufman.
Para Thiago Macruz, analista do Itaú BBA, essa migração não é, necessariamente, uma notícia ruim. Segundo ele, apesar de o valor dos produtos ser mais baixo do que o do ouro - o que obriga a venda de mais unidades para garantir o mesmo faturamento -, a prata tem mais margem de lucro, especialmente quando se considera a recente alta do ouro.
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Para o presidente da Vivara, o cenário do varejo continua turvo e difícil de prever. A empresa está reabrindo aos poucos as lojas - atualmente 122 de um total de 259 estão em funcionamento.
A exemplo do que fizeram Magazine Luiza e Pernambucanas, a Vivara decidiu manter as portas fechadas mesmo em cidades onde o comércio estava autorizado pela prefeitura a funcionar. Essa prática foi adotada em municípios de Estados como Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina.
Capitalizada com os recursos de seu disputado IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) no ano passado, a Vivara pretendia colocar o pé no acelerador e abrir 50 novas lojas neste ano.
Agora, o plano foi drasticamente revisto - a rede só vai inaugurar as 21 unidades que já estavam em obras ou prontas. As lojas da capital paulista abriram na última quinta-feira, junto com o decreto que autorizou o funcionamento parcial dos shopping centers.
Mesmo com uma expansão mais discreta este ano, o mercado vê a Vivara como uma companhia com vantagens competitivas. Macruz ressalta que não há nenhuma rede de joalheiras que sequer se aproxime da empresa em total de lojas.
Além disso, a maioria da concorrência atua no setor premium - caso da H. Stern - ou em produtos de baixo custo, feitos somente em prata. Já a Vivara veio ampliando o portfólio e atua com uma gama variada de preços, mesmo quando se consideram apenas os produtos em ouro.
O executivo do Itaú BBA diz que o cenário positivo para a Vivara se refere menos à sua recuperação imediatamente após a pandemia - que vai depender muito da disposição do consumidor em comprar produtos supérfluos -, mas a fatores de longo prazo.
Um deles é o poder de negociação na hora de abrir novas lojas: "A Vivara é vista como uma âncora, embora suas lojas não sejam tão grandes", diz. "E isso pode dar à empresa, no pós-crise, acesso a pontos melhores." Kaufman diz que o plano de expansão da Vivara, embora tenha sofrido um revés temporário, segue em pé - e vai focar nos shopping centers.
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