Citigroup eleva preço-alvo da Marfrig e recomenda compra das ações
Saída do BNDES, forte demanda nos EUA e aquisição de participação em outra empresa feita pela Marfrig foram os fatores que fizeram os analistas reavaliarem os papéis da companhia

A ação da gigante de alimentos Marfrig pode subir 26% em 12 meses e chegar a R$ 14, segundo os analistas do Citi Research, uma divisão de análise do Citigroup. Em relatório divulgado a clientes, eles recomendam a compra do papel da empresa.
Por volta das 12h, os papéis da Marfrig (MRFG3) avançavam 3%, cotados a R$ 11,38 - entre as maiores altas do Ibovespa nesta terça-feira (14). Nos últimos 12 meses a valorização das ações é da ordem de 98%.
Os analistas do Citi reavaliaram os papéis da Marfrig devido a três acontecimentos recentes:
- O ciclo favorável da demanda de carne bovina nos Estados Unidos.
- A aquisição feita pela empresa de 31% da americana National Beef - uma das líderes globais no segmento de proteína animal. Para os especialistas, a compra permite maior geração de caixa para a companhia.
- A venda da participação do BNDES na empresa. Em dezembro, a Marfrig movimentou R$ 3 bilhões na bolsa - a maior parte dos recursos (R$ 2,1 bilhões) se referia à venda de ações do banco público.
A negociação marcou o fim de uma era para a empresa, que cresceu nos últimos anos apoiada principalmente no financiamento do governo federal.
A Marfrig chegou a fazer 40 aquisições em cerca de 5 anos entre o fim dos anos 2000 e o início de 2010 em uma estratégia de crescimento rápido. Esse movimento elevou o endividamento da empresa, que teve que se desfazer de parte dos ativos comprados nos anos seguintes.
O movimento de saída do BNDES é visto pelo Citi como um sinal de comprometimento financeiro da companhia.
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Bem posicionada, mas com menos rentabilidade
Os especialistas do Citigroup dizem acreditar que a Marfrig está estrategicamente bem posicionada no mercado norte-americano. Mas não é a única. Eles citam as projeções de outra multinacional, a Tyson Foods, que projeta um aumento de 2% na oferta de gado.
"As empresas estão confiantes de que o rebanho continuará aumentar em 2020 e que as margens devem continuar a atingir o pico."
Apesar da perspectiva positiva, os analistas dizem achar difícil para a Marfrig manter o mesmo nível de rentabilidade de 2019, que contou com fatores inesperados. "Nos EUA, também esperamos que o consumo doméstico permaneça sólido devido à força do mercado de trabalho", acrescentam.
Quanto ao mercado no Brasil, os analistas lembram que os preços dispararam 22,5% no quarto trimestre, chegando a US$ 4,78/Kg. A China continua sendo o principal importador de carne bovina brasileira, 50% - e a impulsionadora dos preços.
"Observamos que a Marfrig foi um dos principais beneficiários da decisão da China de licenciar novas plantas no Brasil", diz os analistas. A empresa obteve quatro novas plantas para exportar para a região, dobrando sua capacidade.
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