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BNDES não descarta auditoria na Odebrecht

Segundo Montezano, a contratação da auditoria para as operações com a J&F foi feita por recomendação da KPMG, auditor independente que dá o parecer sobre as demonstrações contábeis do banco

BNDES
Imagem: Shutterstock

O BNDES não descarta a possibilidade de deflagrar no futuro uma nova leva de auditorias em contratos que a instituição considere suspeitos, embora assegure não ter encontrado indícios de ilegalidades nas operações realizadas em gestões anteriores. Como mostrou o jornal O Estado de São Paulo, o plano original era apurar eventuais irregularidades nas transações do banco com a Odebrecht logo após a conclusão das análises nas operações com o grupo J&F. Qualquer nova apuração, no entanto, dependerá da avaliação de "custo-benefício", disse o diretor de compliance do BNDES, Claudenir Pereira.

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A sinalização do banco ocorre depois de a instituição ter de dar explicações sobre o gasto de R$ 48 milhões com uma auditoria externa para analisar oito operações com empresas do grupo J&F. O custo foi revelado pelo jornal O Estado de São Paulo após o próprio BNDES prestar as informações via Lei de Acesso à Informação. Nessa quarta-feira, 29, o banco disse ter revisto as taxas de câmbio usadas nos pagamentos em dólar a escritórios internacionais, reduzindo o custo para R$ 42,7 milhões.

A mudança no valor ocorre um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro dizer que achava "esquisito" o gasto com a auditoria e parecia que "alguém quis raspar o tacho". Em entrevista convocada para prestar esclarecimentos, o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, disse que "não foi o caso" de alguém ter cobrado acima do preço devido e o gasto "foi necessário".

Segundo Montezano, a contratação da auditoria para as operações com a J&F foi feita por recomendação da KPMG, auditor independente que dá o parecer sobre as demonstrações contábeis do banco. É ela que confere uma espécie de selo de que as informações são confiáveis e fidedignas.

O custo inicial projetado em 2018 era de R$ 23,4 milhões, sendo R$ 19,6 milhões aprovados em fevereiro daquele ano para o escritório estrangeiro Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP, além de mais R$ 3,766 milhões para que a própria KPMG atuasse como uma espécie de "revisor" do trabalho da banca internacional.

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Em novembro de 2018, com ampliação da quantidade de dados a serem processados e o maior número de depoimentos a serem coletados, o conselho de administração e a diretoria do banco aprovaram uma primeira suplementação no contrato, no valor de R$ 5,067 milhões.

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Montezano disse ainda que, em 2 de julho de 2019, foi aprovado o aumento do escopo da auditoria para abarcar informações levantadas pela Operação Bullish (da Polícia Federal e do Ministério Público Federal) e pelas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) instauradas no Congresso sobre o tema. Com isso, o custo da auditoria aumentou em R$ 11,9 milhões. O presidente do banco, porém, ressaltou que a aprovação se deu um dia antes de ele tomar posse oficialmente no cargo. "Sem o aumento do escopo, o relatório da auditoria teria ressalva que praticamente o invalidaria", argumentou Montezano.

O presidente do BNDES disse que o único aditivo aprovado em sua gestão foi um adicional de R$ 2,3 milhões no contrato com a auditoria KPMG, para que ela acompanhasse os trabalhos da investigação externa como revisora.

Na semana passada, o jornal O Estado de São Paulo mostrou que um aditivo de US$ 3,5 milhões no contrato com o Cleary foi aprovado em outubro de 2019, já na gestão Montezano. O diretor jurídico do BNDES, Saulo Puttini, argumentou que esse aumento foi feito para ampliar o valor do "contrato guarda-chuva" e permitir que o escritório continuasse prestando serviços jurídicos ao banco, sem relação com a auditoria externa.

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As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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