Santander e Cielo abrem temporada de resultados do 4º trimestre de 2019; veja o que esperar
Empresas passam por movimento de adaptações, com taxas de juros a mínimas históricas, mudanças promovidas pelo governo que afetam o mercado e o avanço das fintechs

As empresas do setor financeiro abrem alas para a temporada de balanços do quarto trimestre e do ano de 2019. O Santander Brasil e a empresa de maquininhas de cartões Cielo – controlada por Banco do Brasil e Bradesco – serão as primeiras a divulgar os números.
A publicação do balanço a cada trimestre é um requisito regulatório para as companhias com ações negociadas na bolsa. O documento traz em detalhes os números operacionais e financeiros e ajuda os investidores a terem clareza sobre a situação da companhia, assim como a perspectiva de resultados futuros.
A Cielo é a primeira entre as empresas cujas ações fazem parte do Ibovespa a publicar os resultados de 2019. A divulgação está prevista para esta segunda-feira (27), após o fechamento dos mercados.
E as perspectivas para o balanço não são boas. A estimativa média dos analistas aponta para uma queda de 54% no lucro da empresa no quarto trimestre de 2019, de acordo com dados da Bloomberg.
A líder do mercado de maquininhas de cartão vem sofrendo com o ataque das novas empresas que começaram a atuar no setor, como Stone e PagSeguro. Para não perder ainda mais participação, entrou forte na guerra de preços, o que vem afetando os resultados.
Desde que assumiu o comando da Cielo, no fim de 2018, Paulo Caffarelli deixou claro que a rentabilidade não era prioridade da empresa, mas sim a busca por volume. "A escala nos dará resultado", disse ao Estadão no início do ano passado.
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O mercado, contudo, segue cético com a capacidade de reação da Cielo. Tanto que, nos últimos dois anos, a empresa já perdeu 65% do valor de mercado. Entre 19 casas de análise que cobrem a empresa, não há sequer uma recomendação de compra para as ações – 11 indicam a venda e oito mantêm-se neutras.
Para os analistas do Goldman Sachs, a Cielo vai continuar apanhando em 2020 - e deve perder outros 15% de lucro por ação, ao passo que Stone deve ganhar 44% e PagSeguro, 23%. "A Cielo precisa adaptar seu modelo de negócios para prover melhores serviços a seus clientes", dizem os analistas.
Ainda que a projeção para os resultados seja negativa, as ações da Cielo podem responder bem caso os dados operacionais mostrem um aumento no volume de transações realizadas pelas maquininhas da empresa e um sinal de que a guerra de preços nesse mercado está perto do fim.
Crédito em foco
Dois dias depois da Cielo será a vez do Santander Brasil de divulgar seus números do quarto trimestre e de 2019. O banco publica os resultados logo cedo, antes da abertura da bolsa. A projeção dos analistas é de um aumento de 12% no lucro da unidade do banco espanhol no país, para R$ 3,8 bilhões.
Embora seja um bom número, os grandes bancos seguem pressionados em meio ao aumento da competição no setor financeiro provocado pelas novas empresas de tecnologia financeira, as fintechs. O maior temor dos investidores é de que os bancōes repitam a história da Cielo.
Por isso, um dado que deve ser acompanhado de perto no balanço do Santander é o do crescimento do crédito, que pode compensar o avanço menor em outras linhas do balanço. Uma amostra do apetite dos bancos está no mercado de financiamento imobiliário.
No período, o Santander acirrou uma disputa silenciosa por clientes na área. Por conta da sequência de cortes na taxa básica de juros e a redução do custo de financiamento da casa própria, multiplicou-se o número de clientes que optam por trocar de banco em busca de condições melhores - a chamada portabilidade do crédito.
Segundo os dados do Banco Central, de janeiro a novembro de 2019 a transferência de dívida imobiliária para outro banco somou R$ 1,46 bilhão, um crescimento de 175,43% em relação aos 11 primeiros meses de 2018.
Os investidores também vão acompanhar os efeitos que o banco espera das mudanças no cheque especial. Em novembro de 2019, o governo limitou a 8% ao mês os juros da modalidade, mas permitindo que as instituições cobrassem uma taxa mensal para oferecer o produto aos clientes. O Santander foi o único entre os grandes bancos que optou pela cobrança.
Em um cenário de maior concorrência e juros baixos, o banco tem ainda o desafio de manter os níveis de retorno sobre o patrimônio. Em especial porque o presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, estabeleceu como meta no ano passado manter a rentabilidade em 21% até 2022.
No terceiro trimestre, o retorno chegou a 21,1%. Nos últimos três meses de 2019, o número deve chegar a 22,1%, segundo a média das estimativas dos analistas compilada pela Bloomberg. Entre 18 casas que cobrem os papéis do Santander, cinco recomendam comprar as ações; 13 mantêm-se neutras, entre elas está o J.P. Morgan.
Os analistas do banco norte-americano dizem ver uma significativa melhora nas métricas operacionais e no retorno sobre patrimônio do Santander. "No entanto, o valuation não está mais tão atrativo e nós enxergamos mais incertezas no ambiente macroeconômico para o Brasil", dizem.
A instituição ainda inclui como riscos para o Santander as margens pressionadas pela taxa de juros em mínimas históricas e a deterioração da qualidade do crédito na possibilidade da economia ficar estagnada.
Projeções para os balanços
Cielo (27 de janeiro, após o fechamento)
- Lucro líquido: R$ 332,33 milhões (↓54,14% )
- Receita líquida: R$ 3,144 bilhões (↑4,38%)
- Ebitda: R$ 1,092 bilhão (↓20,42 %)
Santander (29 de janeiro, antes da abertura)
- Lucro líquido: R$ 3,820 bilhões (↑12,2%)
- Retorno sobre patrimônio: 22,1% (ante 21,1%)
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