Após ‘pacotão’ de aquisições, Credit Suisse vê potencial de alta para Hapvida e Notre Dame Intermédica
O banco vê potencial de alta para as ações das duas companhias, mas a geração de valor resultante das aquisições é vista com cautela

As empresas do setor de saúde - liderados pela Hapvida (HAPV3) e pelo Grupo Notre Dame Intermédica (GNDI3) - têm mantido o noticiário de fusões e aquisições aquecido nos últimos meses. Focadas na expansão de suas marcas pelo país, as companhias têm investido pesado na estratégia.
No mês passado, a Intermédica anunciou a compra da Medisanitas Brasil, a terceira aquisição da companhia no estado de Minas Gerais, por R$ 1 bilhão. Nesta terça-feira, foi a vez da Hapvida anunciar um 'pacote' bilionário de aquisições, incluindo a compra do Grupo Promed, por R$ 1,5 bilhão, o arrendamento do Hospital Materno Infantil Sinhá Junqueira, em Ribeirão Preto, e a aquisição da carteira de clientes da Samedh.
Esses são apenas alguns dos negócios fechados nos últimos meses. Baseado nas aquisições recentes, o Credit Suisse decidiu elevar o preço-alvo dos papéis das companhias.
Em relatório assinado pelo analista Mauricio Cepeda, o banco informou que mantém a sua indicação de compra (outperform) para as ações da Hapvida, elevando o preço-alvo de R$ 72 para R$ 76 - 12% acima da cotação do fechamento de ontem. Já no caso do Grupo Intermédica, a recomendação se manteve 'neutra', mas o preço-alvo passou de R$ 71 para R$ 76 - 2,3% acima do fechamento da quarta-feira.
Segundo o analista, as duas empresas estão aliando sua expansão orgânica pelo território com a estratégia de aquisições de pequenos concorrentes com potencial regional. Para o banco, essas aquisições estão sendo feitas a um preço atrativo levando em conta os múltiplos pagos pelas empresas e os de negociação na bolsa - de 14 a 22 vezes o valor da empresa/Ebitda para a Hapvida e de 14 a 22 vezes para o Grupo Intermédica.
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No entanto, além dos ativos fixos, essas aquisições também geram um acumulado de ativos inatingivéis, onde não é possível aplicar uma amortização, com uma redução só sendo possível através da aplicação de testes de impairment. Para Cepeda, a velocidade de geração de caixa operacional tem sido menor do que o de ativos inatingíveis. "Esse comportamento altera o potencial de geração de valor ao longo do tempo, pressionando o crescimento futuro".
Para Cepeda, as aquisições recentes são atrativas no longo prazo, mas o potencial de geração de valor é visto com cautela, já que ainda existe um período de transição em que a geração de valor está ameaçado.
Bandeira amarela
O documento ressalta também que existem diferenças entre as aquisições feitas pelas duas empresas já que a agregação de valor só ocorre com a adição de hospitais estruturados, um tíquete médio maior e o crescimento da carteira de clientes. Caso um hospital, por exemplo, tenha um número de leitos reduzidos, a empresa terá que desembolsar mais capital.
Para Cepede, as aquisições recentes feitas pela Intermédica incluem ativos com uma estrutura hospitalar limitada. Além disso, a companhia também adquiriu carteiras com tíquetes médios menores e com forte predominância de planos individuais, ao contrário da Hapvida.
Mesmo com a elevação do preço-alvo, o Credit Suisse vê a estrutura das aquisições recentes da Intermédica com cautela, colocando uma 'bandeira amarela' na tese de investimentos da companhia.
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