Menu
2020-06-01T15:46:44-03:00
Estadão Conteúdo
Campos Neto no Congresso

Presidente do BC diz que Brasil foi o que mais sofreu com desvalorização cambial

Campos Neto reforçou que o câmbio é flutuante no Brasil e que a autarquia realiza intervenções quando há “gap (lacuna) de liquidez”

1 de junho de 2020
14:56 - atualizado às 15:46
Campos Neto
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado - Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reconheceu nesta segunda-feira, 1º de junho, que o Brasil foi o país que "mais sofreu" com a desvalorização cambial na crise provocada pelo novo coronavírus. "Tivemos melhora na última semana", acrescentou, durante audiência virtual pública no Congresso. Na esteira da crise, o Brasil já registra em 2020 um avanço de 33,66% do dólar ante o real.

Campos Neto pontuou ainda que os agentes de mercado acreditam que, na crise, o "mundo desenvolvido tem mais ferramentas para lutar contra a crise, que os emergentes", afirmou.

O presidente do BC avaliou ainda que os mercados financeiros estão "seguindo a curva de contaminação do coronavírus, tanto para pior quanto para melhor".

Flutuante

Campos Neto reforçou que o câmbio é flutuante no Brasil e que a autarquia realiza intervenções quando há "gap (lacuna) de liquidez".

Questionado a respeito da conveniência de uma meta de inflação menor que a atual - de 4,00% para 2020 e 3,75% para 2021 -, Campos Neto lembrou que o parâmetro é estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

O BC tem um dos três votos do CMN. "Não acho que deveríamos mudar a meta de inflação", afirmou Campos Neto, lembrando que, com a crise provocada pela pandemia, houve um "desvio" da inflação da meta.

'Não exaurida'

O presidente do Banco Central reforçou também que a política monetária no Brasil "não está exaurida". Atualmente, a Selic (a taxa básica de juros) está em 3,00% ao ano, no menor nível da história. Entre economistas e no próprio BC há discussões sobre o quanto a taxa ainda pode cair neste período de crise.

Campos Neto afirmou que utilizar "outros instrumentos" para combater os efeitos da covid-19 sobre a economia vai criar "uma distorção em nosso princípio de política monetária". "O sistema poderia perder credibilidade", disse.

PIX

O presidente do BC também reafirmou que a autarquia pretende lançar em novembro o PIX - sistema de pagamentos instantâneos no Brasil. Em outro momento da audiência pública, ele defendeu que a liberação do auxílio emergencial à população de baixa renda, no valor de R$ 600, foi "bastante rápida quando comparada com outros países".

Campos Neto também afirmou, durante a audiência, que a autarquia não liberou R$ 1,3 trilhão aos bancos. "Isso depende dos bancos. Estamos acompanhando", afirmou.

Na última quinta-feira, o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) informou que, após dois meses, o BC liberou apenas 21% dos mais de R$ 1,2 trilhão anunciados para as instituições financeiras em março.

As declarações de Campos Neto foram feitas em audiência pública virtual da comissão mista do Congresso voltada para o acompanhamento das medidas econômicas do governo durante a pandemia do novo coronavírus.

Pequenas e médias empresas

Campos Neto disse que as políticas para pequenas e médias empresas têm que ser intensificadas. "Esse é nosso principal problema hoje. O Banco Central deve anunciar medidas em breve com esse direcionamento", afirmou.

Em audiência na comissão mista que acompanha medidas de combate à pandemia do coronavírus, Campos Neto repetiu que não entende que emissão de moeda deve ser usada neste momento.

Ele afirmou que o mercado vê como assimetria tanto reduzir juros com inflação alta como emitir moeda com inflação baixa e que isso cria um "viés de alta" na inflação.

Campos Neto acrescentou que a expectativa do Banco Central para a atividade econômica está defasada e será atualizada para pior neste mês, no próximo relatório de inflação.

O último relatório, ainda de março, prevê variação zero no PIB deste ano. Já o relatório de mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, espera recuo de 6,25%.

Provocado por um dos parlamentares sobre redução do produto e aumento do endividamento, o presidente do BC concordou: "Vamos sair dessa crise mais pobres e com muito mais dívida."

20 bilhões

O presidente do Banco Central disse que as mudanças no programa de financiamento da folha de pagamentos pode levar a concessão de crédito a R$ 20 bilhões. O valor corresponde à metade do programa inicial, que previa a concessão de R$ 40 bilhões.

Em audiência na comissão mista que acompanha medidas de combate à pandemia do coronavírus, Campos Neto disse ainda que os recursos previstos para o Plano Safra em 2020 são maiores do que os de 2019, e que a ministra da Agricultura, Teresa Cristina, estaria "feliz".

Reabertura

O presidente do Banco Central disse que "obviamente" o adiamento da abertura das atividades econômicas em alguns Estados "tem um custo econômico".

Campos Neto afirmou ainda que havia feito alertas para o custo do distanciamento social na parte de serviços. "Fazemos estimativa (econômica) de acordo com o que vai acontecendo", pontuou.

Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

NÚMEROS DA PANDEMIA

Brasil registra 209,9 mil mortes e 8,48 milhões de casos de covid-19

Nas últimas 24 horas, foram notificados 551 óbitos e 33.040 novos diagnósticos de covid-19, segundo dados do Ministério da Saúde

entrevista exclusiva

Para Figueiredo, da Mauá e ex-BC, as ações no Brasil estão baratas

Sócio fundador da Mauá Capital diz que economia deve se recuperar e a Bolsa terá bom desempenho em 2021, desde que não haja descuido do lado fiscal

SD PREMIUM

Segredos da Bolsa: Semana promete ser agitada com Copom, IBC-Br, Biden e mais…

A semana promete ser agitada, com importantes indicadores no radar e a “mudança de guarda” nos Estados Unidos

Temos vacina!

Por unanimidade, Anvisa aprova uso emergencial da CoronaVac e da vacina de Oxford/AstraZeneca

Primeiros profissionais de saúde já foram vacinados em pronunciamento do governador de São Paulo, João Doria

Mais uma recomendação

Técnicos da Anvisa recomendam uso emergencial da vacina de Oxford/AstraZeneca

Mais cedo, área técnica havia defendido aprovação da CoronaVac

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements
Advertisements

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies