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Bitcoin lidera o ranking, seguido do Ibovespa, que subiu mais de 15%; piores desempenhos ficaram por conta do dólar e do ouro
Novembro lavou a alma dos investidores de ações no Brasil. As boas notícias envolvendo as pesquisas para vacinas contra o coronavírus, bem como a eleição de Joe Biden para a presidência dos Estados Unidos, colocaram os investidores do mundo no modo "risk on" e fizeram as bolsas dispararem, inclusive aqui no Brasil, para onde os estrangeiros trouxeram uma quantia recorde de recursos.
Com isso, o Ibovespa fechou o mês em alta de 15,90%, aos 108.893,32 pontos, mas chegou a furar os 110 mil na máxima do período. Foi o melhor mês de novembro para a bolsa em 21 anos.
O Ibovespa perdeu apenas para ele, o bitcoin, que é também disparado o melhor investimento do ano. A criptomoeda avançou 30,50% em novembro e 258,54% em 2020, atingindo níveis recordes em moeda local ao ultrapassar a marca dos R$ 100 mil.
Com os investidores com mais apetite ao risco, o dólar e o ouro - principais reservas de valor em momentos de aversão a risco - amargaram as maiores perdas de novembro.
O dólar à vista recuou 6,83%, fechando o mês a R$ 5,3462, enquanto a cotação PTAX, calculada pelo Banco Central, fechou em baixa de 7,62%, a R$ 5,33. Os ETFs de ouro negociados na bolsa de Nova York fecharam com recuo de 5,40%.

O bitcoin bateu seu recorde em reais no mês de novembro, dando prosseguimento ao seu movimento de alta neste ano. Especialistas em criptomoedas atribuem a valorização a alguns fatores que mostram a institucionalização e a profissionalização do mercado cripto, o que tende a atrair cada vez mais investidores, inclusive institucionais.
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Recentemente, os bancos centrais americano e europeu disseram estar considerando criar suas próprias moedas digitais, o que traz credibilidade à tecnologia dos criptoativos. A plataforma de pagamentos Paypal também anunciou, há pouco tempo, que passaria a oferecer compra e venda de criptomoedas.
Já o Ibovespa foi impulsionado principalmente pelas notícias positivas sobre vacinas contra o coronavírus. Apenas neste mês, Moderna e Pfizer anunciaram eficácia superior a 90% para seus imunizantes contra o coronavírus. Já a vacina da AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford mostrou uma eficácia de 62%, o que já é considerado suficiente.
Assim, o mercado tenta antecipar o retorno ao "velho normal" e uma retomada econômica sem o obstáculo da pandemia, prevendo que, até meados de 2021, a vacinação em massa já terá ocorrido, pelo menos em boa parte do mundo.
Até por isso, tanto aqui como lá fora foi visto o fenômeno do "rotation trade", uma rotação de carteiras, com a vendas das ações mais valorizadas do ano - beneficiadas pela crise do coronavírus e pelo distanciamento social - e a compra de papéis muito depreciados de empresas tradicionais, que apanharam mais com a pandemia.
Vimos, assim, uma troca de ações de empresas de tecnologia e e-commerce, por exemplo, por ações de bancos, petroleiras, siderúrgicas, mineradoras e até companhias aéreas e empresas ligadas ao turismo. Ainda assim, as ações do "fique em casa" não ficaram necessariamente negativas no mês. Em alguns casos, tiveram simplesmente altas menores.
Outro fator que contribuiu para o maior apetite ao risco do investidor foram as eleições americanas, realizadas no início do mês. O pleito era visto como um fator de incerteza, risco que foi tirado do caminho. Além disso, a escolha do democrata Joe Biden foi bem recebida pelo mercado, uma vez que ele tende a ser mais favorável a gordos estímulos fiscais para acelerar a economia americana.
Mais estímulos significam mais recursos para os mercados. Até por isso, o mercado começou a precificar um dólar mais fraco globalmente sob Biden, um resultado de mais dólares na economia mundial.
Ao mesmo tempo, o fato de o Senado permanecer controlado pelos republicanos foi visto, pelos investidores, como algo que pode vir a conter tentativas do governo democrata de elevar impostos e regulamentar mais a economia, o que é positivo para as empresas americanas.
O fato de Biden ser um multilateralista e possivelmente não ter um estilo tão errático e impulsivo quanto Trump diante da China ou qualquer outro país nas negociações comerciais levou os mercados emergentes a se tornarem mais atrativos para os grandes investidores internacionais.
Num cenário de comércio internacional mais benéfico para esses países, com mais dólares no mundo e menor aversão a risco, dadas as perspectivas de recuperação econômica trazidas pelas vacinas, os recursos estrangeiros voltaram a fluir para os emergentes.
O Brasil, embora não esteja muito bem posicionado entre seus pares para aproveitar esse movimento, dado o nosso risco fiscal, conseguiu abocanhar um "pedacinho" desse fluxo, e recebeu cerca de R$ 30 bilhões em recursos estrangeiros em novembro, a maior quantia para um único mês da série histórica iniciada em 1995.
Essa entrada massiva de dólares impulsionou o Ibovespa, notadamente as ações das empresas de negócios tradicionais e muito prejudicadas pela crise, como as dos setores de petróleo, mineração e siderurgia, companhias aéreas, empresas de educação, construtoras e administradoras de shopping centers.
A entrada de recursos estrangeiros também contribuiu para o enfraquecimento do dólar ante o real neste mês. O ouro, tradicional ativo de proteção em épocas de crise, também fechou novembro em baixa com o maior apetite ao risco no mundo.
Apesar de as coisas estarem melhorando do ponto de vista econômico, com uma luz no fim do túnel para a pandemia e um governo americano que deve beneficiar os mercados mundiais, o Brasil ainda se encontra numa saia justa fiscal.
Ainda não temos soluções claras para o problema das contas públicas após termos elevado gastos para combater os efeitos econômicos da pandemia: nem sinal de definições quanto ao programa de renda básica que será adotado depois que o auxílio emergencial acabar, em dezembro, nem de privatizações ou andamento nas reformas estruturais, além de falas de membros do governo.
Até por isso o dólar não cede mais ante o real. Se permanecermos neste caminho, é bem possível, inclusive, que essa entrada de recursos estrangeiros na B3 seja passageira.
No entanto, um dos fatores que atrapalhavam o andamento da agenda econômica também foi tirado do caminho em novembro: as eleições municipais, cujo segundo turno foi realizado ontem. Assim, a expectativa do mercado é que as coisas comecem a caminhar, ainda que a passos lentos.
Com isso, os juros futuros tiveram um ligeiro alívio no acumulado do mês de novembro, sobretudo os mais longos. Isso contribuiu para a alta dos títulos públicos e debêntures prefixados e atrelados à inflação, que se valorizam quando os juros futuros caem.
O Tesouro Selic, porém, continuou sofrendo os efeitos do nosso mercado de juros disfuncional em razão do risco fiscal, e apresentou leve queda em novembro, em vez de uma valorização próxima à da taxa básica de juros, como costuma ser o "normal".
Em setembro, esses títulos já tinham apresentado retorno negativo, na medida em que os investidores passaram a exigir taxas mais altas para financiar um governo mais arriscado em um cenário de Selic a 2% ao ano. Em outubro, o Tesouro Selic teve leve recuperação, mas voltou a recuar em novembro.
Com isso, o título, que costuma ser usado para reserva de emergência das pessoas físicas, está perdendo da poupança nova, que atualmente paga apenas 0,12% no mês.

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