“Estamos patinando sobre gelo fino”, diz Ana Paula Vescovi, do Santander
Corte de juros de 0,75 ponto percentual na última reunião do Copom seguiu regime de metas de inflação, mas risco fiscal exige “delicadeza” do BC, segundo a economista-chefe do banco e ex-secretária do Tesouro Nacional

Ana Paula Vescovi, economista-chefe do Santander Brasil, faz parte do grupo dos que se surpreenderam com o corte de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic) promovido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na semana passada.
A ex-secretária do Tesouro Nacional esperava por uma redução menor, de meio ponto percentual. Mas avalia que o Banco Central se manteve dentro do seu mandato de metas de inflação ao tomar decisão mais ousada e reduzir a Selic para 3% ao ano.
De todo modo, ela crê que a partir de agora um risco fiscal ainda maior — reflexo do incremento do gasto exigido pela pandemia — vai entrar na ponderação do colegiado e exigir "delicadeza" do BC.
Em entrevista ao Seu Dinheiro, a ex-secretária do Tesouro entre 2016 e 2018 disse que “está cada vez mais claro” que, dada a extensão da crise do novo coronavírus, a dívida pública irá “saltar” para perto de 100% do PIB.
“Isso demandará um esforço fiscal pós-pandemia ainda maior do que aquele que já estava em curso desde 2016”, observa Vescovi. Nesta perspectiva, os riscos sobre o cenário fiscal tendem a “aumentar sobremaneira”.
Leia Também
O balanço de riscos do BC, presente no comunicado do Copom, mede os riscos inflacionários, que orientam os movimentos da autoridade monetária.
[captacao]
Ali são elencados diversos fatores: o nível de ociosidade da economia, por exemplo, pesa do lado desinflacionário. Enquanto isso, a deterioração das contas públicas e a frustração em relação a reformas estimula reações inflacionárias.
Neste contexto, a economista apresenta dúvidas se haverá condições políticas suficientes para permitir a retomada da agenda de reformas, sustentar o teto de gastos e garantir, no mínimo, e aprovar medidas para estabilizar a dívida pública.
“E como o BC irá interpretar esse risco na próxima reunião do Copom?”, questiona.
Cuidado com a curva empinada
Um juro menor em um cenário em que a dívida pública cresce fortemente, segundo Vescovi, gera o chamado “empinamento da curva de juros” — ou seja, a ponta curta dos juros se firma em um patamar mais baixo, enquanto a ponta longa, em um nível mais alto.
Esse fenômeno, por sua vez, tende a intensificar o "encurtamento" da dívida. Como o risco (demonstrado pelo juros cobrados) é crescente conforme avança o vencimento da dívida, o país começa a se endividar em prazos cada vez menores.
Com um juro curto menor e um juro longo maior, é retroalimentada a incerteza sobre a rolagem da dívida — quer dizer, a capacidade de um país “esticar” os prazos da dívida. A reação “empinada” do mercado de juros futuros ocorreu no dia seguinte à decisão do Copom.
“Aí fica prejudicada a própria financiabilidade da dívida, que precisa ficar muito curta”, diz Vescovi.
Segundo a ex-secretária do Tesouro, a atual situação exige “delicadeza ” do BC. O dilema é haver o espaço para cortes de juros e, ao mesmo, tempo riscos ponderáveis. “Estamos patinando sobre gelo fino”, sintetiza.
O Santander projeta atualmente que a Selic terminará 2020 a 3%, segundo relatório de abril. A expectativa para o último Copom era de um corte menor, de 0,5 ponto percentual. Enquanto isso, tinha como cenário-base que a dívida pública terminaria 2020 a 83,9% do PIB. Os números devem ser revisados ainda nesta semana.
Reformas e investimento
Vescovi defende a retomada de uma agenda ampla de reformas por parte do governo e do Congresso para aumentar o nível de investimentos e atratividade do Brasil.
Ela cita que reformas como a tributária — com o intuito de simplificar e não mudar a carga de impostos — e administrativa têm de voltar à pauta dos agentes políticos, embora apenas após o fim da pandemia. Por ora, ela crê que o mais importante a fazer é levar a cabo as medidas anunciadas pelo governo de Jair Bolsonaro.
“Neste momento, fazer mais é dar efetividade ao que já está construído, é dar liquidez a quem precisa”, disse Vescovi.
Perguntada se acreditava que havia possibilidade de uma guinada da política econômica liberal para intervencionista e sobre o Plano Pró-Brasil, a economista me disse que a reflexão correta não passa pela chance e pela probabilidade.
“A questão é colocar dinheiro público que a gente não tem em coisas que não gerem resultados do capital investido — aí, a gente vai estar desperdiçando recursos” – Ana Paula Vescovi, Santander
A ex-secretária do Tesouro também se mostrou contrária à hipótese aventada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, de emissão de moeda e compra da dívida interna por parte do Banco Central.
Segundo ela, uma atuação nesse sentido pode distorcer o preço dos ativos (os títulos públicos, no caso) e diminuir a atratividade da dívida aos investidores, dificultando o seu financiamento.
RESSACA ELEITORAL
Menos cortes nos juros, mais inflação: Focus muda de cara às vésperas do Copom
3 de novembro de 2026 - 9:10Conteúdo Empiricus
Pote de ouro? Esse setor pode ser a chave para proteger sistemas de ataques de IA; ativos ligados a ele podem se valorizar até 42 vezes, segundo analistas
3 de novembro de 2026 - 9:00POLÍTICA ECONÔMICA
Por que o possível encontro de Lula com um dos pais do Plano Real deixou o mercado financeiro em alerta
2 de novembro de 2026 - 13:58MAIS LIDAS DO SD
Cruzeiro que terminou com passageiros abandonados, planos de Lula para o MEI, anulação das eleições e mais: veja o que bombou nesta semana
1 de novembro de 2026 - 17:24ANOTE NO CALENDÁRIO:
Queda da Selic à vista? Copom e payroll dividem atenções em semana mais curta no Brasil; veja a agenda econômica
1 de novembro de 2026 - 15:04Dívidas
Oncoclínicas (ONCO3) consegue apoio de credores para avançar com plano de recuperação de R$ 5,7 bilhões
31 de outubro de 2026 - 11:00TOUROS E URSOS #294
O efeito Lula 4: sangria na B3 e dólar a R$ 5,40; o que fazer com seus investimentos após a virada nas urnas
30 de outubro de 2026 - 19:39O QUE ABRE E O QUE FECHA
A bolsa abre no feriado de Finados? Veja como ficam os horários dos bancos, Correios, agências de INSS e outros serviços
30 de outubro de 2026 - 6:30VOLTANDO AO NORMAL
Aposta do Rio de Janeiro fatura quase R$ 4 milhões na Lotofácil 3817; Mega-Sena acumula depois de pagar o maior prêmio individual da história das loterias no Brasil
30 de outubro de 2026 - 5:45HORA DE COMPRAR?
Lucro cresce, caixa surpreende e Citi volta a recomendar compra para Motiva (MOTV3), mas com preço-alvo mais baixo
29 de outubro de 2026 - 14:01É RECORDE!
Mega-Sena desencanta e aposta do Mato Grosso fatura sozinha prêmio de R$ 324,9 milhões
29 de outubro de 2026 - 5:49CARRO-CHEFE ENCALHADO
Mega-Sena encalha de novo e pode pagar o maior prêmio individual da história das loterias no Brasil; 3 apostas simples dividem a Lotofácil 3815
28 de outubro de 2026 - 5:51LIDERANÇA TEM UM PREÇO
Citi passa a recomendar compra de Mercado Livre, mas vê risco em investimentos para manter liderança
27 de outubro de 2026 - 14:22MEGA SENA TODO DIA
Lotofácil 3814 faz 2 novos milionários; Mega-Sena acumula e prêmio sobe para R$ 305 milhões
27 de outubro de 2026 - 5:58DANÇA DAS CADEIRAS
Fiscal na mira do mercado: BTG avalia cenário político e possíveis nomes para a Fazenda no Lula 4; confira
26 de outubro de 2026 - 19:43EXIGÊNCIAS MAIS RIGOROSAS
Banco Central aprova novas regras para ofertas de crédito e cria proteção contra o endividamento excessivo
24 de outubro de 2026 - 8:59CENÁRIO ELEITORAL
“Se o Lula vencer, o cenário tende a favorecer mais o rentismo”, diz CEO da EQI; veja as apostas da corretora
23 de outubro de 2026 - 15:56VANTAGEM EM XEQUE
Esta cidade fora de SP virou hub de galpões logísticos. Agora, a Reforma Tributária pode mudar o jogo
23 de outubro de 2026 - 11:15A SERVIÇO DE SUA MAJESTADE
Quem será o próximo James Bond? Quatro nomes estão na disputa final para interpretar o agente 007
23 de outubro de 2026 - 11:09ELEIÇÕES NO MERCADO IMOBILIÁRIO