Dia das Crianças: como ensinar a seus filhos sobre dinheiro – e onde investir para o futuro dos pequenos
A criança se interessará por dinheiro da mesma maneira que os mais velhos se interessam: quando tem que comprar ou pagar por algo.

Você nem viu passar, mas já chegamos em outubro e estamos no Dia das Crianças (sim, daqui a pouco vem a música da Simone para que você lembre o que fez neste ano). Caso você tenha que gastar todo ano uma fortuna com brinquedos para seus filhos brincarem uma única vez, seria importante considerar ensiná-los sobre o valor deste precioso papel que é impresso com um número.
Entretanto, como devemos agir para que um assunto financeiro se torne mais legal que os vídeos da Galinha Pintadinha ou jogos de vídeo game da última geração? A autora do livro "Filhos: seu melhor investimento", Celina Macedo, nos explica.
"Quando, por exemplo, a criança tem seus 3, 4 anos e fica falando 'compra, mãe' ou 'compra, pai' já é perfeito para se mostrar a relação de troca de moedas envolvida na compra. Ao chegar aos 6 anos, dá para se mostrar a 'moedinha', e explicar para o que serve. Na medida que vão surgindo as necessidades, vá jogando o assunto no meio", afirma Macedo.
Ou seja, a criança se interessará por dinheiro da mesma maneira que os mais velhos se interessam: quando tem que comprar ou pagar por algo.
"Se ela não fala sobre isso, é porque ainda não está interessada naquilo, mas quando começar a querer comprar alguma coisa, você já pode dizer que a compra só é possível pois existe um trabalho no qual se é remunerado e permite que compremos as coisas", disse a autora.
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Caso seus filhos ainda sejam muito pequenos, a presença de desenhos pode facilitar no processo. "Com meus filhos eu pegava uma cartolina e ia riscando os pauzinhos para mostrar a quantia. Por exemplo, se você tem R$ 20 e quer comprar algo de R$ 10, risque 10 dos 20 pauzinhos. Isso parece bobo, mas é muito importante, pois dá uma noção visual de poupança para a criança", explicou Macedo.
Aprendizado pelo exemplo
A Head de Sales da Magnetis, Juliana Volpe, é uma das milhares de pessoas que estão aprendendo a ensinar os filhos sobre dinheiro. "Eu tenho um filho de 1 ano e 4 meses e percebo que ele aprende comigo mais pelo exemplo. A gente nunca sabe como está a evolução cognitiva da criança ou em qual momento ela está absorvendo as informações. Quando a gente percebe, ela está te imitando", disse.
"O que eu recomendo para os pais que estão começando nessa jornada é que eles falem sobre o assunto. O começo da jornada é literalmente o começo, então fale que 'a mamãe está indo pagar o condomínio' ou 'eu recebo meu salário para que possamos comprar comida', esse tipo de assunto mesmo sobre orçamento", afirmou Volpe.
A gerente de vendas da Magnetis alertou que "o que acontece no Brasil é que muitas crianças crescem com a família toda endividada, o que as acostumam à ideia de que dívidas são parte comum do planejamento familiar e, obviamente, não são."
Além disso, deu uma dica já para este feriado: "No dia das crianças, mostre ao seu filho o valor do dinheiro. Um bom exemplo dentro de casa de controle das finanças e pagamento das contas em dia é a melhor forma de educar o filho."
Semanada é melhor que mesada
A especialista em educação financeira para crianças, Celina Macedo, explicou que a recompensa semanal é mais indicada para as crianças do que uma remuneração mensal.
"Quando a criança já souber identificar o que é dinheiro, a melhor ideia é dar uma pequena quantia por semana, pois um mês é muito tempo. Ela deve receber um valor proporcional às coisas que ela possa comprar, como balas e outras coisas menores."
Qual o melhor investimento para o futuro de seus filhos?
Para Macedo, depende do costume da família. "Acredito que a tese de ações a longo prazo possa ser vantajosa. Já que, quanto mais tempo você tem, mais risco poderá correr. Aos 25 anos de idade, seu filho provavelmente terá retorno positivo, e ainda será muito jovem", afirmou.
A autora completou que poupança pode servir também como um instrumento para que a criança vá aprendendo a guardar seu dinheiro. "Depende da família, pode ser simples como uma poupança, ou mais complexo como ações a longo prazo".
Já para a especialista da Magnetis, Juliana Volpe, não há discussão: a previdência privada é a melhor saída. "Eu recomendo demais a previdência. Logo no dia que meu filho nasceu, eu abri uma previdência para ele. E manter o hábito de sempre investir uma quantia, ainda que seja baixa, de R$ 100 por mês e no débito automático."
Ela ressalta que a previdência privada tem duas principais vantagens: o fato de ser um investimento de longo prazo, já que o jovem só poderá resgatar quando tiver, no mínimo 18 anos; e o fato de a menor alíquota de imposto de renda ser de apenas 10%, inferior à dos investimentos comuns.
"Não existe qualquer outro ativo com essa alíquota mínima. Outros produtos de longo prazo sofrem cobrança de pelo menos 15% de imposto de renda. Isso traz um forte impacto na acumulação lá na frente", explicou Volpe.
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