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PESSIMISTA

Inflação cada vez mais distante e último corte na Selic: o que diz o Focus sobre a economia e qual o efeito para os investimentos

Com nova alta na projeção para a inflação, as expectativas apontam para apenas mais um corte na Selic neste ano

Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A cada semana que passa, economistas estão mais pessimistas para a economia brasileira. Pela 15ª vez, os economistas ouvidos pelo Banco Central aumentaram as projeções para a inflação, que está cada vez mais distante da meta, passando inclusive a margem de tolerância.

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Com isso, as expectativas apontam para apenas mais um corte na Selic neste ano, revelou o novo Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (22).

As projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador usado para medir a inflação, subiram de 5,30% para 5,33% em 2026.

Para 2027, a estimativa avançou de 4,10% para 4,15%. Já para 2028, houve nova alta, de 3,68% para 3,70%, enquanto a projeção para 2029 permaneceu estável em 3,50%.

No caso da taxa básica de juros, a Selic também voltou a ser revisada para cima. A projeção para 2026 passou de 13,75% para 14%. Hoje, está em 14,25% ao ano. Essa projeção abre espaço para apenas mais um corte, de 0,25 ponto porcentual, ao longo do ano. Para 2027,2028 e 2029 a expectativa se manteve em 12,00%, 10,25% e 10%, respectivamente.

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Já a projeção para o câmbio se manteve praticamente estável. A estimativa para o dólar ao fim de 2026 ficou em R$ 5,20. Hoje, a cotação é de R$ 5,17 para cada dólar.

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Para 2027, a projeção avançou de R$ 5,25 para R$ 5,27. Em 2028 e 2029 mantiveram em R$ 5,30 e R$ 5,40, respectivamente.

Apesar da deterioração das expectativas para inflação, juros e câmbio, o mercado elevou ligeiramente a projeção para o crescimento econômico. A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 subiu de 1,96% para 1,98%. Para 2027, a projeção permaneceu em 1,70%. Já para 2028 e 2029, as expectativas seguem estáveis em 2% ao ano.

Expectativa para o Copom

Nesta semana, o Banco Central divulga a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), amplamente esperada pelos mercados.

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O comunicado no dia da decisão não demonstrou clareza na forma como a autoridade monetária pretende conduzir os próximos passos. Enquanto parte dos economistas interpretaram o comunicado como mais duro, outros disseram que o BC abriu espaço para mais cortes.

Os diretores do Banco Central destacaram a piora nos dados correntes e projeções futuras para a inflação. O texto diz que, nas divulgações mais recentes, “a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura."

Um fator que preocupa os economistas para os próximos meses é o El Niño. O fenômeno climático, que deve ser forte neste ano, afeta a produção agrícola — e, por consequência, o preço dos alimentos.

Além disso, nessa semana ainda será divulgado o Relatório de Política Monetária e os dados do IPCA-15 de junho, ambos na quinta-feira (25).

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O efeito nos seus investimentos

Mais do que dados sobre a economia, a expectativa para a inflação e, consequentemente, os juros afeta diretamente o mundo dos investimentos.

Logo depois que o banco central dos EUA manteve os juros e adotou um tom duro com a inflação, dando a entender que poderá aumentar as taxas ainda neste ano, os Treasurys, títulos do tesouro norte-americano, reagiram. E, quando os Treasurys disparam, os títulos do Tesouro Direto acompanham.

O Tesouro Prefixado e o IPCA+ dispararam: o salto no juro real do Tesouro IPCA+ 2032 representou um novo recorde para o papel, chegando a 8,56% ao ano.

Projeções do Relatório Focus

Inflação (IPCA)

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  • 2026: de 5,30% para 5,33%
  • 2027: de 4,10% para 4,15%
  • 2028: de 3,68% para 3,70%
  • 2029: permanece em 3,50%

PIB

  • 2026: de 1,96% para 1,98%
  • 2027: permanece em 1,70%
  • 2028: permanece em 2%
  • 2029: permanece em 2%

Selic

  • 2026: de 13,75% para 14%
  • 2027: permanece em 12%
  • 2028: permanece em 10,25%
  • 2029: permanece em 10%

Dólar

  • 2026: permanece em R$ 5,20
  • 2027: de R$ 5,25 para R$ 5,27
  • 2028: permanece em R$ 5,30
  • 2029: permanece em R$ 5,40
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