Luiz Barsi, investidor: “Não quero ser sócio minoritário, mas um pequeno dono. O dono não vende as ações dele. Por que eu vou vender?”
Para gerar renda na aposentadoria, Barsi recomenda a manutenção das ações na carteira por longos períodos, o que requer que o investidor atue também como parceiro

Não é ao acaso que Luiz Barsi é considerado o maior investidor pessoa física do Brasil. Aos 87 anos, ele mantém cerca de metade de seu patrimônio total, estimado em R$ 4 bilhões, aplicado na bolsa de valores de São Paulo.
A atuação do bilionário no mercado financeiro nos últimos 50 anos é tão significativa que, entre algumas das maiores empresas da B3, ele é o maior acionista individual depois dos controladores. Isso o coloca na condição de “pequeno dono”.
Certa vez, ao ser questionado sobre um dos segredos que o tornaram o maior investidor individual da B3, Barsi afirmou: “Não quero ser sócio minoritário, mas um pequeno dono. O dono não vende as ações dele. Por que eu vou vender?”
Confira, a seguir, porque é tão importante para Barsi manter as ações na carteira, de acordo com sua filosofia de investimentos.
O tempo importa
A estratégia de Barsi baseia-se na formação do que ele chama de Carteira de Previdência, que consiste na compra de ações boas pagadoras de dividendos, mantidas independentemente de sua cotação no mercado.
Esses dividendos — entendidos como parte do lucro das empresas distribuído periodicamente aos acionistas — podem ser reaplicados na aquisição de novas ações, ampliando não apenas o patrimônio do investidor, mas também sua participação na empresa.
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Como esse efeito só pode ser observado com a escolha de companhias saudáveis e a manutenção das ações por muito tempo, Barsi reforça a importância de estudar, tentar entender onde o dinheiro será aplicado e adotar uma visão de longo prazo.
Por isso, ele defende que a carteira de ações deve ser voltada à geração de renda na aposentadoria, enquanto objetivos de curto prazo e situações emergenciais devem ser assegurados pela reserva de emergência.
Parceria acima de tudo
Barsi segue a filosofia do investidor parceiro: aquele que compra ações de empresas com projetos sólidos. Seu método é baseado na ideia de se tornar sócio do negócio, analisando profundamente a empresa e acompanhando-a de perto.
Ele inclusive já afirmou em entrevistas que não compra ações da bolsa, mas sim participações em empresas com bons projetos, priorizando companhias tradicionais e adquirindo ações quando os preços estão em queda.
A carteira de Barsi contempla poucas empresas, devido ao nível de acompanhamento exigido. Suas posições são mantidas por longos períodos: algumas ações permanecem em sua carteira há mais de três décadas.
Entre as empresas de seu portfólio estão Klabin (KLBN4), Banco do Brasil (BBAS3), Banrisul (BRSR6), Santander (SANB11) e Auren (AURE3).
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.
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