Menu
2020-12-17T18:10:09-03:00
Ivan Ryngelblum
Ivan Ryngelblum
Jornalista formado pela PUC-SP, com pós-graduação em Economia Brasileira e Globalização pela Fipe. Trabalhou como repórter no Valor Econômico, IstoÉ Dinheiro e Agência CMA.
relatório trimestral de inflação

BC melhora projeção para PIB de 2020, mas ainda vê recuperação desigual

Projeção passa a ser de contração de 5% para 4,4%, mas serviços e consumo das famílias devem permanecer debilitados

17 de dezembro de 2020
9:09 - atualizado às 18:10
Banco Central BC Copom Selic ata
Fachada da sede do Banco Central (BC) em São Paulo - Imagem: Shutterstock

O Banco Central (BC) está observando uma recuperação melhor que esperada no segundo semestre, o suficiente para que revisasse a perspectiva de contração do PIB em 2020 de 5% para 4,4%.

O sentimento da autoridade monetária é de relativo otimismo em relação à economia, porque ainda vê importantes áreas sentindo os efeitos da pandemia, caso do setor de serviços, maior segmento econômico do País. Além disso, a demanda das famílias permanece baixa, diante do desemprego elevado.

As avaliações constam no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado nesta quinta-feira (17). Trata-se de um documento que detalha as visões do BC para a economia brasileira neste ano e no próximo.

Nele, a autoridade monetária afirma que dados relativos ao quarto trimestre sugerem uma “acomodação da atividade”, em linha com o início da redução das ajudas governamentais para lidar com os efeitos da pandemia de covid-19. Mas ela destaca que a economia está se recuperando “em ritmo mais alto que o previamente antevisto”.

Recuperação desigual, mas acima do esperado

Segundo o BC, apesar de o País apresentar uma recuperação desigual, ela está acima do esperado. No terceiro trimestre, o setor de bens de consumo apresentou uma boa evolução, enquanto vários segmentos de serviços, o maior setor econômico do Brasil, permanecem deprimidos.

A agropecuária, setor menos afetado pela pandemia, ficou relativamente estável no terceiro trimestre, e o segmento industrial apresentou expansão em todos os segmentos, com destaque para a indústria de transformação.

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias e a formação bruta de capital fixo (FBCF) cresceram 7,6% e 11,0%, respectivamente.

Considerando estes fatores, mais a expectativa de evolução da economia internacional e da pandemia, o BC melhorou sua projeção para a contração do PIB em 2020, na comparação com o que havia divulgado no último RTI. A estimativa de contração de 4,4% também foi provocada por uma revisão da série histórica do PIB.

As revisões

Com os resultados obtidos até o terceiro trimestre, e levando em conta os primeiros dados a respeito dos últimos três meses do ano, o BC revisou as estimativas para os diferentes componentes do PIB.

A projeção para o crescimento da agropecuária em 2020 passou de 1,3% para 2,3%, após revisão dos dados relativos ao primeiro trimestre.

Também melhorou a projeção para o desempenho da atividade industrial, que passou de uma contração de 4,7% para queda de 3,6%, diante da melhora no prognóstico para a indústria de transformação. O relatório aponta que este subsetor mantém recuperação acentuada após a fase mais aguda da pandemia, sob a influência das transferências governamentais, de mudanças de hábitos decorrentes do distanciamento social, que elevou a participação de bens industrializados em detrimento de serviços na cesta de consumo das famílias, e da substituição de bens importados por nacionais.

A projeção para serviços também foi melhorada, mas em menor intensidade, de queda de 5,2% para recuo de 4,8%. Foram elevadas as projeções para os segmentos de intermediação financeira e serviços relacionados (de 2,3% para 4,7%) e atividades imobiliárias e aluguel (de 1,4% para 2,5%), influenciadas pelas revisões das séries históricas e pelos resultados do terceiro trimestre melhores do que os esperados.

Por outro lado, a previsão para serviços de transporte, armazenagem e correio foi reduzida de -7,1% para -9,7%, com a recuperação vista em transporte público de passageiros e transporte aéreo sendo mais lenta do que a anteriormente antecipada.

No caso da demanda, a estimativa para a variação do consumo das famílias passou de -4,6% para -6,0%, dada a recuperação menos intensa do que a projetada no terceiro trimestre.  O BC observou que o consumo de serviços foi baixo no período, influenciado pela fraca recuperação do mercado de trabalho e o arrefecimento dos indicadores de mobilidade.

E em 2021?

No caso de 2021, a estimativa de crescimento de 3,8% da economia representa uma pequena revisão para baixo em relação ao RTI passado, que apontava para alta de 3,9%.

A nova estimativa considera que “não deve haver restrições significativas do lado da oferta”, com o fechamento de empresas para combater a disseminação da covid-19, e é condicionada “ao arrefecimento gradual da crise sanitária e à manutenção do regime fiscal”.

O BC informou que parte da revisão reflete a antecipação da recuperação econômica esperada, ao menos para alguns setores e componentes da demanda, para o ano de 2020.

“Por outro lado, o menor crescimento trimestral também é consequência da recuperação mais lenta do mercado de trabalho e dos índices de mobilidade”, diz trecho do relatório.

O novo relatório reduziu a estimativa de crescimento do setor agropecuário de 3,4% para 2,1%, por conta da revisão das projeções da safra 2020/2021 e os efeitos que fenômeno climático La Niña terá na produção.

Na indústria, a projeção passou de alta de 4,5% para crescimento de 5,1%, diante da melhora na previsão para o segmento de transformação, enquanto o prognóstico para o setor de serviços ficou praticamente estável – passou de 3,7% para 3,8% –, com a expectativa de que as atividades mais severamente impactadas pelo distanciamento social em 2020 devem ter as maiores expansões ao longo do ano devido às bases de comparação deprimidas.

O consumo da família, por outro lado, foi revisado para baixo, de 5,1% para 3,2%. Segundo o BC, a recuperação mais moderada do mercado do trabalho e o movimento recente dos indicadores de mobilidade influenciaram a menor estimativa para o consumo das famílias. “Soma-se a esses fatores o já esperado arrefecimento dos efeitos dos auxílios emergenciais”, diz trecho do relatório.

Comentários
Leia também
INVISTA COMO UM MILIONÁRIO

Sirva-se no banquete de investimentos dos ricaços

Você sabe como ter acesso aos craques que montam as carteiras dos ricaços com aplicações mínimas de R$ 30? A Pi nasceu para colocar esses bons investimentos ao seu alcance

Em evento do BofA

Presidente do BC revela preocupação com análise de autonomia no STF e planos para PIX internacional

Campos Neto e o ministro da Economia, Paulo Guedes, têm conversado com ministros da Corte sobre os questionamento acerca do tema

Confiança em alta

Casa Branca não vê fator gerador de inflação que Fed não possa controlar

A presidente do Conselho de Consultores Econômicos do governo ressaltou que é importante focar nas tendências para os índices ao invés de oscilações semanais ou mensais

Política monetária em detalhes

Diretor do BC afirma que Selic em 2% não era mais necessária e defende centro da meta inflacionária

Bruno Serra explicou que a retomada da atividade econômica foi mais rápida do que se imaginava e justificou a elevação da taxa básica de juros

ESTRADA DO FUTURO

O que rola nos bastidores de uma startup de sucesso: uma conversa com Paulo Veras, ex-CEO e fundador da 99Taxi

Na edição desta semana do Tela Azul, recebemos o Paulo Veras, ex-CEO e fundador da 99Taxi.

Receita Federal dos EUA

Binance é investigada por manter contas suspeitas de lavagem de dinheiro nos EUA

Desde 2019, a Binance não oferece mais serviços de trading de criptomoedas para quem mora nos Estados Unidos

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies