🔴 TOUROS E URSOS: LULA 3 FAZ 3 ANOS, OS DADOS ECONÔMICOS E A POPULARIDADE DO GOVERNO – ASSISTA AGORA

Estadão Conteúdo

EFEITO CORONAVÍRUS

Aumento na inadimplência de empresas preocupa bancos e entra no radar do BC

No mercado, economistas destacam que os números de inadimplência vão começar a piorar a partir de agora.

Estadão Conteúdo
18 de maio de 2020
12:53 - atualizado às 18:01
Placa do Banco Central do Brasil (BC), autoridade monetária que conduz as reuniões do Copom para a decisão da Selic
Imagem: Shutterstock

O aumento da inadimplência das empresas por causa da crise do coronavírus já entrou no radar do sistema financeiro. Na divulgação dos balanços do primeiro trimestre, os quatro maiores bancos do País (Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil) destinaram R$ 28 bilhões para bancar possíveis calotes de empréstimos concedidos no passado - R$ 10 bilhões a mais que em igual período de 2019. O valor foi mais que o dobro do lucro líquido de R$ 13,7 bilhões apurado no período, segundo a Economática.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Um teste de estresse feito pelo Banco Central (BC) para avaliar a capacidade do sistema financeiro diante da pandemia considera que, para fazer frente a perdas de crédito em um cenário mais "catastrófico", as provisões poderiam chegar a quase R$ 400 bilhões. O resultado faz parte de um relatório feito periodicamente pelo BC e, desta vez, trouxe a estimativa do aumento da inadimplência das empresas por causa da covid-19.

O calote projetado viria de um conjunto de empresas consideradas mais vulneráveis e que respondem por 29% da dívida de pessoas jurídicas - ou seja, juntas elas devem R$ 893 bilhões. Em nota, o BC reforçou que se trata de uma projeção para um cenário severo e que o pior resultado do sistema até hoje foi em 2016, quando os bancos tiveram de fazer provisões de R$ 81,4 bilhões. "O exercício é um choque que simula a perda de todas as operações num único momento. Na prática, isso ocorreria ao longo do tempo", diz o BC, ressaltando que o sistema financeiro tem capacidade para enfrentar a crise, mas exigiria aporte de recursos.

Procurados para falar sobre essas perspectivas, os bancos não se pronunciaram. Na divulgação dos balanços, no entanto, a maioria falou sobre a necessidade de elevar as provisões. O Bradesco destacou que, a partir da segunda quinzena de março, o agravamento da crise da covid-19 colocou pressão adicional sobre os índices de inadimplência e entende que a situação deverá se agravar nos trimestres subsequentes. O Itaú afirmou que é fundamental "manter um balanço forte e é com este objetivo que incrementou o nível de provisões".

No mercado, economistas destacam que os números de inadimplência vão começar a piorar a partir de agora. Até meados do mês passado, os cartórios estavam fechados e, portanto, sem protesto de títulos. Mesmo assim, no primeiro trimestre do ano, ainda com efeito limitado da crise, algumas linhas de crédito já vinham registrando alta, segundo dados do BC. Na modalidade de capital de giro, com prazo de até um ano, a taxa de inadimplência avançou 1,4 ponto porcentual; cartão de crédito, 0,4 ponto; e desconto de duplicata, 0,3 ponto.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo Flávio Calife, economista da Boa Vista, esse avanço não está associado à alta do crédito em 2019, quando havia expectativa de retomada de emprego e renda. O cenário mudou bastante e os números vão piorar, já que a atividade econômica está parada, destaca ele.

Leia Também

Explosão de calote

O histórico das últimas crises dá uma noção do que pode vir pela frente. Em 2008 e entre 2014 e 2016, a inadimplência subiu 50% a 60%. Na primeira, provocada pelo subprime americano, a alta foi rápida e alcançou o topo em um ano. Já na retração econômica, que coincidiu com a Operação Lava Jato, a escalada levou dois anos, explica a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Para a entidade, o mais provável é que, na crise atual, o movimento siga um padrão mais parecido com o de 2008.

Ou seja, haveria uma explosão de calote no curto prazo, apesar da decisão dos bancos de renegociarem crédito e darem carência de 60 a 180 dias para pagamento de algumas parcelas. Segundo dados da Febraban, entre pessoas físicas e jurídicas, os bancos prorrogaram o pagamento de parcelas no valor de R$ 40 bilhões desde o início da pandemia. "Esse montante, se não tivesse sido postergado, já estaria compondo o índice de inadimplência", afirma Luis Miguel Santacreu, analista de bancos da Austin Rating.

Segundo VanDyck Silveira, presidente da Trevisan, a eficácia da iniciativa está relacionada ao prazo de fechamento da economia. "Se perdurar muito, a carência dada pelos bancos vai terminar, as empresas vão continuar sem caixa e inadimplentes." Para ele, neste momento todas as empresas estão preservando caixa. "Já reduziram despesas, jornada de trabalho e salários. Agora, vão começar a parar de pagar fornecedores, o que gera um efeito em cadeia."

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Uma pesquisa feita pela Corporate Consulting, que trabalha com reestruturação de companhias, mostra que, neste momento, há um volume de R$ 93 bilhões de crédito que não cabe na conta das empresas. Desse total, 60% devem terminar em recuperação judicial. "O resto vai virar calote ou vai passar por um processo de alongamento do passivo", diz o economista e presidente da consultoria, Luis Alberto de Paiva.

Crédito público

A maioria das empresas está tendo dificuldade para ter acesso à ajuda emergencial do governo federal. Com queda no faturamento e caixa no limite, as companhias relatam que não conseguem ter acesso às linhas de crédito para cumprir obrigações de curto prazo.

Uma pesquisa feita pela consultoria Quist Investimentos, especializada em reestruturação de empresas e recuperação judicial, mostra que 78% das companhias não tiveram acesso a nenhum tipo de crédito desde o anúncio da equipe econômica. Foram ouvidas 100 empresas com receita entre R$ 30 milhões e R$ 300 milhões.

Entre aquelas que tiveram acesso, 17,5% declararam que a ajuda emergencial esbarrou na falta de informações nos bancos e que os profissionais dos bancos de repasse não tinham orientações claras sobre as linhas. Apenas 22% das empresas disseram ter tido acesso a crédito. Mas, nesse caso, acabaram pegando empréstimos pré-aprovados pelo banco de relacionamento, e não a ajuda emergencial do governo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"O dinheiro está empoçado porque o banco está com medo do que vai ocorrer. Há muito incerteza", diz o presidente da Quist, Douglas Duek. Segundo ele, os bancos só vão conceder recursos para quem tem nota de crédito melhor. Aqueles que representam mais risco não terão acesso a dinheiro novo. "Nesse cenário, quem estava mal vai entrar em colapso. Quem estava bem vai ficar ruim." Para Duek, apesar de os bancos serem só repassadores do dinheiro, eles terão muito trabalho se houver inadimplência porque teriam de ir atrás dos devedores.

Retomada econômica

Uma das preocupações com o aumento da inadimplência é o reflexo na retomada econômica no pós-pandemia. Com as empresas endividadas, sem dinheiro em caixa e sem crédito, a recuperação será mais difícil. A tendência é que, diante do aumento de calotes, os bancos elevem ainda mais as restrições para a concessão de novos empréstimos e isso vai dificultar a volta dos investimentos.

Relatório do Banco Central (BC), com o teste de estresse da pandemia, traz esse alerta. Com o aumento das provisões, a capacidade das instituições financeiras para conceder "novos créditos e sustentar o crescimento da economia ficaria temporariamente comprometida". Segundo a autoridade monetária, considerando a rentabilidade em períodos de crises anteriores, seriam necessários três anos para o sistema recompor sua atual capacidade.

"Sem perspectiva de melhora no mercado de trabalho e com empresas com caixa debilitado, a retomada econômica vai ser mais demorada", afirma Rodolpho Tobler, economista da FGV/Ibre. Segundo ele, hoje há uma população grande com renda baixa ou sem rendimentos. Isso vai criar uma bola de neve, elevar o calote entre as pessoas físicas e bater nas empresas, que também ficarão inadimplentes.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para Tobler, ao contrário de outras crises, o coronavírus pegou a economia ainda com dificuldades para acelerar o crescimento e com alto índice de desemprego. "O cenário que antecedeu as crises de 2008 e 2014 era melhor. Desta vez, os indicadores já estavam ruins."

Na avaliação de economistas, a saída da crise é uma incógnita. Ninguém sabe quanto tempo vai demorar para voltar aos níveis pré-pandemia. Em alguns setores, a dúvida é ainda mais latente, como as áreas de entretenimento e restaurantes, por causa do comportamento da população ao fim do isolamento.

Nesse cenário, os investimentos vão desabar, com capacidade ociosa alta e falta de crédito. "Hoje não podemos contar com o investimento externo. O impulso teria de vir do governo, de obras públicas", diz o presidente da Corporate Consulting, Luis Alberto de Paiva. Ele reconhece, no entanto, as limitações do governo de se autofinanciar. Antes de a pandemia afetar o País, o governo vinha num esforço para reduzir gastos. Isso teve de ser abandonado para aliviar a perda de renda no mercado.

Proposta

Um grupo formado pelos economistas José Roberto Afonso, Geraldo Biasoto Jr. e Murilo Ferreira Viana e pelo engenheiro Paulo Vales propõe um programa de proteção econômica para evitar uma depressão. Segundo Afonso, o objetivo é evitar a desorganização de produção, comércio e transportes. "Sem saber ao certo até onde vai a quarentena, é preciso dar oxigênio para empresas se manterem nesse período. Isso significa pagarem o mínimo essencial, que sejam salários e encargos, as utilidades públicas e os impostos."

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na avaliação dele, a ideia é usar o mercado de capitais e as empresas de maquininhas, no lugar de bancos, para fazer com que o crédito público chegue para as empresas. "As microempresas usam esses meios de pagamento para toda sua vida financeira e seria o canal para receberem o crédito", afirma.

"Já as médias e grandes empresas poderiam emitir títulos que seriam comprados por fundos operados por gestores privados, mas que pertenceriam ao Tesouro." Quando se liberar aos poucos a economia, o governo também poderia repassar tais fundos ou títulos para o próprio setor privado, diz. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
SUPERCOMPUTADOR

Jaci, o supercomputador que conecta ciência de ponta e saber ancestral para evitar desastres naturais

6 de janeiro de 2026 - 10:35

Novo sistema do Inpe substitui o Tupã e amplia velocidade e a precisão das previsões metereológicas e climáticas 

BRILHO SOLITÁRIO

Lotofácil deixa 5 pessoas mais perto do primeiro milhão; Mega-Sena volta hoje depois de Mega da Virada conturbada

6 de janeiro de 2026 - 7:11

Lotofácil foi a única loteria a ter ganhadores no primeiro sorteio da primeira semana cheia de 2026. Mesmo com bola dividida, sortudos estão mais próximos do primeiro milhão.

COMEÇA ESSE MÊS

Calendário do BPC/LOAS 2026: veja quando o pagamento do benefício cai

6 de janeiro de 2026 - 5:50

Benefício assistencial segue o calendário do INSS e é pago conforme o número final do BPC 

ATENÇÃO AO PRAZO

MEI já pode entregar a declaração anual de faturamento; veja como preencher o documento

5 de janeiro de 2026 - 16:52

O microempreendedor individual deve informar quanto faturou e se teve algum funcionário em 2025 por meio da DASN-SIMEI

ALÉM DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Robôs humanoides, data centers gigantes e biotecnologia: as oito teses que definirão a economia e os investimentos em 2026

5 de janeiro de 2026 - 15:29

Relatório da Global X compilou as tendências globais que devem concentrar capital para desenvolvimento nos próximos anos

BOLETO DO MEI

Valor da contribuição mensal do MEI muda em 2026; veja quanto fica

5 de janeiro de 2026 - 10:40

O aumento do salário mínimo para R$ 1.621 também altera a contribuição mensal do microempreendedor individual

PREVIDÊNCIA SOCIAL

Calendário do INSS 2026: confira as datas de pagamento e como consultar

5 de janeiro de 2026 - 9:33

Aposentados e pensionistas já recebem com valores corrigidos pelo novo salário mínimo; depósitos seguem o número final do benefício  

ANOTE NO CALENDÁRIO

Feriados 2026: veja quando caem as primeiras folgas do ano

5 de janeiro de 2026 - 7:01

Calendário de 2026 tem maioria dos feriados em dias úteis e abre espaço para fins de semana prolongados ao longo do ano

BOMBOU NO SD

Vencedor da Mega da Virada que jogou o prêmio no lixo, dividendos sendo tributados e mais: as mais lidas do Seu Dinheiro

4 de janeiro de 2026 - 17:30

Mega bilionária, novos impostos e regras do jogo: o que bombou no Seu Dinheiro na primeira semana do ano, entre a corrida pelo prêmio da Mega da Virada e a estreia da tributação sobre dividendos

VEJA O CRONOGRAMA

Eleições 2026: quando o jogo começa para eleitores, partidos e candidatos

4 de janeiro de 2026 - 16:00

Cronograma reúne datas-chave para eleitores, partidos e candidatos ao longo de 2026

POLÍTICA COMERCIAL

Agro cobra reação rápida do Brasil à taxação chinesa para evitar impacto no mercado

4 de janeiro de 2026 - 13:35

Bancada afirma acompanhar o tema com preocupação e alerta para riscos ao mercado e à renda do produtor no início de 2026

CALENDÁRIO 2026

Calendário Gás do Povo 2026: botijão passa a ser gratuito e governo amplia o acesso ao gás de cozinha

4 de janeiro de 2026 - 12:08

Novo programa substitui o Auxílio Gás e garante recarga gratuita do botijão de 13 kg para famílias de baixa renda

CALENDÁRIO 2026

Calendário do Pé-de-Meia 2026: confira quando o governo paga os incentivos do ensino médio

4 de janeiro de 2026 - 6:51

Programa funciona como uma poupança educacional, paga até R$ 9.200 por aluno e tem depósitos ao longo do ano conforme matrícula, frequência, conclusão e participação no Enem

BOLSA FAMÍLIA 2026

Calendário do Bolsa Família 2026: confira quando começam os pagamentos e quem pode receber

4 de janeiro de 2026 - 6:30

Pagamentos começam em 19 de janeiro e seguem até o fim do mês conforme o final do NIS; benefício mínimo é de R$ 600

REPRECUSSÕES DA OPERAÇÃO

Do petróleo ao bitcoin (BTC): como o ataque dos EUA à Venezuela mexe com os mercados

3 de janeiro de 2026 - 18:40

O conflito pode elevar a percepção de risco de toda a América Latina, inclusive do Brasil, segundo analista da RB Investimentos

MAIS UM SORTUDO DE 2026

Lotofácil 3577 faz um novo milionário, enquanto outras loterias ficam pelo caminho; confira os sorteios deste sábado

3 de janeiro de 2026 - 11:02

A Lotofácil volta a correr neste sábado, 3, no valor de R$ 1,8 milhão, porém ela não é a única a sortear uma bolada

TENSÃO NAS AMÉRICAS

Trump diz que Maduro foi deposto e capturado após ataques dos EUA na Venezuela

3 de janeiro de 2026 - 8:47

Segundo autoridades dos EUA, Maduro foi capturado por tropas de elite das forças especiais

PAGAMENTOS 2026

Bolsa Família, Pé-de-Meia, Gás do Povo e mais: veja o calendário completo dos programas sociais do governo para 2026

3 de janeiro de 2026 - 7:04

Do Pé-de-Meia ao novo Gás do Povo, veja como ficam as datas e regras dos principais benefícios federais neste ano  

NA VIRADA DO ANO

A contribuição do Microempreendedor Individual (MEI) subiu em 2026; veja o novo valor

2 de janeiro de 2026 - 19:02

Aumento do salário mínimo reajusta valor da contribuição, que representa 5% do benefício

FOLGAS E MAIS FOLGAS

Calendário 2026: Ano terá nove feriados durante a semana — veja quando vão cair

2 de janeiro de 2026 - 15:00

Com nove dos dez feriados nacionais caindo em dias úteis, calendário de 2026 favorece emendas e planejamento de folgas ao longo do ano

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar